O número de empresas inadimplentes no Brasil superou 9,1 milhões em junho de 2026, o maior patamar da série histórica do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. O estoque de dívidas negativadas chegou a R$ 232,9 bilhões no mês. Em média, cada CNPJ inadimplente acumulou 7,3 dívidas em atraso, com dívida média de R$ 25.508,96 e valor médio de R$ 3.515,77 por conta.
Segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o resultado mantém o cenário de pressão sobre as empresas, mesmo após o início do ciclo de cortes da Selic.
“As condições financeiras continuam bastante restritivas e os juros permanecem elevados em termos históricos, limitando uma melhora mais consistente do mercado de crédito. Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente”, afirmou.
O Sudeste apresentou a maior concentração de empresas inadimplentes. São Paulo liderou com 3.126.658 CNPJs, seguido por Minas Gerais (907.558) e Rio de Janeiro (874.385).
Na sequência apareceram Paraná (601.986) e Rio Grande do Sul (527.555). Segundo a Serasa Experian, a concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões.
Serviços concentram maioria das empresas inadimplentes
O setor de Serviços respondeu por 55,7% das empresas negativadas em junho. Na sequência apareceram Comércio, com 32,2%, Indústria, com 8%, e Primário, com 0,9%.
A Serasa Experian avalia que parte das empresas tem recorrido ao crédito para financiar a própria operação e administrar o capital de giro, em vez de direcionar os recursos para expansão. Na origem das dívidas, Serviços também liderou, com 31,6% do total.
O segmento de Bancos/Cartões apareceu em segundo lugar, com 19,5%, seguido por Cooperativas (8,4%), Utilities (6,9%) e Telefonia (6%).
Micro e pequenas empresas somam 8,6 milhões
As micro e pequenas empresas continuam representando a maior parte das companhias inadimplentes. Em junho, eram 8,6 milhões de CNPJs negativados, com 59,7 milhões de dívidas, que somavam R$ 201,4 bilhões.
Cada empresa desse grupo acumulava, em média, 6,9 dívidas em atraso, com dívida média de R$ 23.181,56 e ticket médio de R$ 3.370,47. Segundo Camila Abdelmalack, o volume de pendências representa pressão sobre o fluxo de caixa dessas empresas e limita a capacidade de investimento.
“O quadro das micro e pequenas empresas continua sendo o mais preocupante, porque estamos falando de negócios que acumulam, em média, quase sete pendências financeiras simultaneamente”, afirmou.











