O Nubank lidera as renegociações a prazo do Novo Desenrola, programa do governo federal voltado à regularização de dívidas de famílias de baixa renda. Até a última quinta-feira (13), o banco repactuou R$ 1,56 bilhão em débitos por meio de 1,05 milhão de operações, segundo dados do Fundo de Garantia de Operações (FGO).
Dados do Ministério da Fazenda obtidos pela Folha de S.Paulo indicam que o Desenrola 2.0 já renegociou R$ 25,51 bilhões em empréstimos atrasados até quinta-feira. O montante supera a estimativa inicial da pasta, de R$ 20 bilhões.
Após os descontos concedidos pelos bancos, o saldo das dívidas renegociadas caiu para R$ 5,09 bilhões, uma redução média de 80%. Desse total, R$ 3,8 bilhões foram parcelados e o restante foi quitado à vista. Segundo o FGO, mais de 2 milhões de operações foram repactuadas a prazo.
Bradesco aparece em segundo lugar
O Bradesco (BBDC4) aparece na segunda posição entre os bancos que mais realizaram renegociações a prazo, com R$ 662,7 milhões distribuídos em 329,5 mil operações. Na sequência estão PicPay, Itaú Unibanco (ITUB4), Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3).
Nubank e Bradesco possuem uma parcela relevante de clientes com renda de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105 mensais, público contemplado pelo programa.
O Novo Desenrola abrange dívidas com atraso entre 91 dias e dois anos, contratadas até 31 de janeiro de 2026. Podem ser incluídos débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
Segundo o Nubank, até o fim de julho, cerca de 2,3 milhões de clientes aderiram ao programa, sendo que a maior parte dos acordos foi quitada à vista.
Quase 2 milhões das renegociações envolveram dívidas de cartão de crédito, e mais da metade dos clientes estava inadimplente havia mais de um ano. Entre os participantes do programa no Nubank, 1,6 milhão tinha renda de até dois salários mínimos.
Segundo o banco, o Novo Desenrola reduziu em 5% o custo de crédito de seu balanço, com economia de US$ 85 milhões, equivalente a cerca de R$ 443 milhões pela cotação mencionada pela instituição.
A liderança do Nubank não é uma novidade no Desenrola, visto que, na primeira edição do programa de renegociações, a fintech liderou com
Em 2024, o avanço do crédito no Nubank já era questionado
A liderança do Nubank nas renegociações do Novo Desenrola ocorre após uma trajetória de expansão da concessão de crédito que já havia sido discutida pelo CEO do Monitor do Mercado, Marcos de Vasconcellos, em coluna publicada na Folha de S.Paulo em fevereiro de 2024.
Na ocasião, Vasconcellos chamou atenção para a estratégia de aceleração da concessão de crédito do Nubank, com e sem garantia. Segundo os dados do balanço de 2023 abordados na coluna, o volume de empréstimos havia aumentado de US$ 900 milhões para US$ 2 bilhões.
Marcos citou o provérbio espanhol “crie corvos e eles te arrancarão os olhos” para questionar os efeitos da expansão do crédito. A evolução da inadimplência do banco desde seu IPO, em dezembro de 2021, segue crescendo, com as dívidas com mais de 90 dias de atraso quase dobrando de 3,1% para 6,1% em 2023. Já no segundo trimestre de 2026, o indicador chegou a 6,9%.
Nas dívidas com atraso entre 15 e 90 dias, o NPL havia avançado de 2,6% para 4,1% e, no segundo trimestre de 2026, estava em 4,9%.











