A eletrificação offshore leva energia da costa por cabos de alta tensão até plataformas que antes dependiam de turbinas a gás. Na Noruega, sistemas desse tipo já percorrem centenas de quilômetros e reduzem emissões da produção sem mudar o combustível extraído.
Como a eletrificação offshore substitui turbinas a gás no meio do oceano?
Em muitas plataformas, turbinas queimam parte do gás disponível para produzir eletricidade destinada a bombas, compressores e equipamentos de processamento. A alternativa é conectar a instalação à rede terrestre por uma ligação em corrente contínua em alta tensão ou, em distâncias adequadas, por corrente alternada.
A tecnologia está em operação comercial consolidada. A plataforma Troll A já recebia eletricidade da costa na década de 1990, e outros campos noruegueses foram conectados depois. Dependendo do projeto, a eletrificação pode eliminar geração local a gás ou apenas substituir parte dela.

Como a eletricidade percorre 200 quilômetros de cabo até uma plataforma?
Em ligações longas, a eletricidade da rede terrestre pode passar primeiro por uma estação conversora que transforma corrente alternada em corrente contínua de alta tensão. Essa configuração reduz limitações associadas à transmissão submarina em corrente alternada e permite levar grandes blocos de potência a instalações distantes.
No campo Johan Sverdrup, um sistema de 80 kV e 100 MW utiliza aproximadamente 200 quilômetros de cabo submarino. Na plataforma, equipamentos conversores transformam novamente a corrente para a forma exigida pela rede interna, enquanto transformadores ajustam níveis de tensão para motores, compressores e demais cargas.
Quais obstáculos aparecem ao conectar uma plataforma petrolífera à rede terrestre?
O cabo precisa atravessar o fundo do mar, chegar com segurança à instalação e alimentar uma rede que não pode simplesmente parar durante uma falha. Além do cabo, a conversão elétrica ocupa espaço e peso offshore, justamente duas características valiosas em plataformas onde cada módulo precisa ser cuidadosamente integrado.
A distância até a costa, a disponibilidade da rede e o tempo restante de produção do campo afetam a viabilidade econômica. Em instalações existentes, grandes modificações podem custar muito para poucos anos adicionais de operação. Os principais desafios incluem:
- Instalar cabos submarinos de alta tensão por dezenas ou centenas de quilômetros até o campo.
- Reservar espaço e capacidade estrutural para conversores, transformadores e equipamentos elétricos offshore.
- Garantir alimentação confiável para cargas essenciais mesmo diante de falhas na ligação com a costa.
- Coordenar a nova demanda das plataformas com a capacidade disponível na rede elétrica terrestre.
- Equilibrar investimento, redução de emissões e vida útil restante de cada campo produtor.
O que a experiência norueguesa mostra sobre escala e redução de emissões?
O sistema de Johan Sverdrup começou com 100 MW de capacidade e uma ligação HVDC de aproximadamente 200 quilômetros. A expansão posterior permitiu distribuir eletricidade para outros campos de Utsira High. A Equinor estima que a eletrificação conjunta da área reduz cerca de 1,2 milhão de toneladas de CO₂ por ano.
A análise técnica da Agência Internacional de Energia inclui a eletrificação de instalações upstream com eletricidade de baixa emissão entre as principais opções para reduzir emissões operacionais do petróleo e gás. Alguns parâmetros ajudam a avaliar cada projeto:
- Potência elétrica necessária para substituir turbinas que atendem bombas, compressores e sistemas de processamento.
- Distância entre a rede terrestre e a plataforma, que influencia a escolha entre transmissão em corrente alternada ou contínua.
- Origem da eletricidade utilizada, porque a intensidade de carbono da rede altera o benefício climático final.
- Quantidade de turbinas efetivamente desligadas e consumo de gás evitado depois da eletrificação.
- Emissões reduzidas na produção em comparação com investimento, perdas elétricas e vida restante da instalação.

Até onde a eletrificação offshore reduz a pegada climática do petróleo e do gás?
Substituir turbinas offshore reduz emissões produzidas durante extração e processamento, especialmente quando a eletricidade recebida possui baixa intensidade de carbono. Também pode diminuir emissões de óxidos de nitrogênio e liberar para venda parte do gás que anteriormente era consumido pela própria instalação.
A eletrificação offshore, porém, não elimina as emissões geradas quando petróleo e gás são queimados posteriormente em veículos, usinas, indústrias ou edifícios. Ela atua sobre a etapa de produção. Por isso, funciona como medida para reduzir a intensidade operacional de campos existentes, e não como substituta da redução das emissões associadas ao consumo final dos combustíveis.
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