O home equity (crédito com garantia de imóvel) cresceu 18,8% em São Paulo nos últimos 12 meses, na comparação anual, segundo levantamento da Friggi & Secco. O movimento ocorre em meio a juros elevados, aumento da inadimplência e maior pressão sobre o caixa de empresas e famílias.
No estado, o ticket médio das operações chegou a R$ 3,6 milhões, segundo a empresa. O avanço indica uma ampliação das finalidades do produto, que passou a ser utilizado não apenas para cobrir necessidades emergenciais, mas também para reorganizar dívidas, reforçar capital de giro, financiar expansão e alongar passivos.
No Brasil, as concessões de crédito com imóvel em garantia somaram R$ 3,166 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 25,83% em relação a 2025 e maior volume registrado para o período, de acordo com os dados apresentados pela Friggi & Secco.
“O imóvel, que antes era visto apenas como reserva de longo prazo, começa a ser usado como uma ferramenta de gestão financeira. A diferença é que isso só faz sentido quando a operação nasce com finalidade clara, prazo adequado e capacidade real de pagamento”, afirma Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.
Juros altos ampliam busca por home equity
A expansão ocorre em um cenário de encarecimento das linhas tradicionais de crédito. Em maio, o estoque total de crédito no Brasil chegou a R$ 7,3 trilhões, enquanto a inadimplência nas operações com recursos livres alcançou 6,2%, maior nível da série histórica iniciada em março de 2011.
No mesmo mês, as taxas do crédito livre ficaram em 49,5% ao ano. No crédito pessoal sem garantia, chegaram a 142,7% ao ano.
A diferença do home equity está na utilização de um imóvel como garantia da operação. Como a instituição financeira assume um risco menor, o produto pode oferecer condições de custo e prazo diferentes das linhas sem garantia.
“São Paulo concentra uma parte importante dessa virada porque reúne dois elementos que raramente caminham juntos no Brasil: patrimônio imobiliário relevante e necessidade constante de liquidez”, afirma Friggi.
Segundo ele, a utilização do imóvel como garantia depende de uma finalidade definida, prazo adequado e capacidade de pagamento.
Empresas usam imóvel para reorganizar caixa
O home equity também passou a ser utilizado como instrumento de gestão financeira por empresas, produtores e profissionais liberais. Para negócios, o recurso pode ser destinado à troca de dívidas mais caras por contratos de prazo maior, recomposição do capital de giro, compra de estoque e expansão de unidades.
Produtores podem utilizar a linha para aquisição de insumos e investimentos que antecedem a geração de receita, além de equilibrar o fluxo de caixa em atividades com períodos de maior e menor entrada de recursos.
Entre as famílias, o crédito pode ser direcionado para reorganização de dívidas, reformas e projetos de prazo mais longo.
A análise inicial da operação pode ser concluída em até cinco dias, mas a contratação depende de fatores como documentação, características do imóvel, finalidade do crédito, vistoria, laudo e registro da garantia.
“Para uma empresa, um produtor ou uma família, o prazo do dinheiro é tão importante quanto o custo. Saber quando o recurso pode chegar muda a qualidade da decisão”, diz Friggi.
Patrimônio imobiliário vira ferramenta de liquidez
A expansão do produto também acompanha uma mudança na forma como parte dos tomadores encara o imóvel. Em vez de utilizar a propriedade apenas como patrimônio de longo prazo, o ativo passa a ser usado para obter liquidez sem a necessidade de venda.
Thiago Secco, CFO da Friggi & Secco, afirma que a demanda está relacionada à necessidade de transformar patrimônio em recursos disponíveis, principalmente em um ambiente de crédito mais restritivo.
“O crescimento do home equity mostra que o mercado chegou a um ponto em que patrimônio parado e caixa pressionado não podem mais caminhar separados. A questão deixou de ser apenas buscar crédito mais barato. É transformar um ativo relevante em liquidez com prazo, previsibilidade e finalidade definida”, afirma.
Nesse modelo, o imóvel permanece como garantia até o cumprimento das obrigações previstas no contrato. Por isso, além do custo da operação, a decisão envolve avaliar o prazo, a finalidade dos recursos e a capacidade de pagamento do tomador.











