O armazenamento por ar comprimido em cavernas de sal transformou cavidades subterrâneas em enormes reservatórios de energia. Em Huai’an, na China, um sistema de 600 MW e 2.400 MWh entrou integralmente em operação em 2026, usando ar pressurizado para devolver eletricidade à rede.
Como o armazenamento por ar comprimido transforma uma caverna de sal em bateria?
O armazenamento de energia em ar comprimido, conhecido como CAES, usa eletricidade para movimentar compressores. Em sistemas subterrâneos, grandes volumes de ar pressurizado ficam guardados dentro de cavidades geológicas até o momento em que a rede solicita energia novamente.
A tecnologia está em operação comercial em escala de rede, embora represente uma parcela pequena do armazenamento mundial. Huai’an marca uma expansão importante dos sistemas avançados sem combustão suplementar, enquanto outros projetos chineses continuam em construção e desenvolvimento para testar capacidades ainda maiores.

Como o ar comprimido volta do subsolo e consegue gerar eletricidade?
Comprimir ar também produz calor. Em configurações avançadas, parte dessa energia térmica é capturada e guardada separadamente. Quando chega a hora da descarga, o ar deixa a caverna, recebe novamente calor e se expande através de turbinas conectadas a geradores elétricos.
Huai’an utiliza uma configuração de compressão adiabática de alta temperatura sem combustão suplementar, combinada com armazenamento térmico. Isso diferencia o projeto de plantas CAES mais antigas que queimavam gás natural para reaquecer o ar antes da expansão, acrescentando combustível fóssil ao ciclo de geração.
Por que cavernas de sal são tão atraentes para guardar enormes volumes de ar?
O sal possui permeabilidade muito baixa, característica importante para limitar a passagem do gás pela rocha. Ele também apresenta comportamento dúctil ao longo do tempo: sob determinadas condições geológicas, sua deformação lenta pode fechar pequenas descontinuidades e ajudar a preservar a vedação do reservatório.
As mesmas propriedades que ajudam na vedação não eliminam riscos geológicos. Ciclos repetidos de armazenamento exigem avaliação da estabilidade, das intercalações e do comportamento de longo prazo da rocha. Os principais pontos de atenção incluem:
- Selecionar cavernas cuja geometria e formação geológica sejam compatíveis com armazenamento repetido de ar comprimido.
- Acompanhar deformações e possíveis alterações de vedação ao longo de muitos ciclos de carga e descarga.
- Integrar compressores, turbinas e armazenamento térmico sem adicionar combustão suplementar ao processo.
- Manter eficiência elevada apesar das perdas associadas à compressão, transferência de calor e expansão do ar.
- Conciliar localização das cavernas com linhas de transmissão, fontes renováveis e necessidades de flexibilidade da rede.
O que Huai’an mostra sobre a escala alcançada pelo CAES na China?
O projeto de Huai’an, na província de Jiangsu, reúne duas unidades de 300 MW, totalizando 600 MW e 2.400 MWh. A segunda unidade alcançou conexão à rede e geração em plena carga, levando o complexo à operação integral no início de 2026.
Uma revisão de 2026 no Journal of Energy Storage destaca baixa permeabilidade, comportamento reológico e capacidade de autorreparação do sal, mas também ressalta dificuldades específicas das formações chinesas. Na avaliação desses projetos, alguns parâmetros são centrais:
- Potência efetivamente disponível quando a rede solicita descarga do sistema.
- Capacidade energética total armazenada nas cavernas e nos sistemas térmicos associados.
- Eficiência entre a eletricidade consumida durante a carga e aquela recuperada posteriormente.
- Integridade e estabilidade das cavidades após sucessivos ciclos de pressurização e despressurização.
- Disponibilidade operacional ao longo dos anos, separando desempenho projetado de resultados medidos em serviço.

Por que cavernas de sal podem ganhar espaço numa rede com mais energia solar e eólica?
Grandes redes precisam deslocar energia entre períodos de excesso e escassez, especialmente quando geração renovável varia por horas. O CAES oferece grande capacidade sem depender de enormes quantidades de materiais eletroquímicos, desde que exista geologia adequada e infraestrutura capaz de conectar a instalação ao sistema elétrico.
O armazenamento por ar comprimido não substitui baterias, hidrelétricas reversíveis ou transmissão, mas acrescenta outra opção de longa duração. Huai’an mostra que cavernas de sal podem sustentar projetos de centenas de megawatts, enquanto a expansão futura dependerá da disponibilidade geológica, dos custos e do desempenho observado durante operação prolongada.











