Os financiamentos imobiliários com recursos da poupança atingiram R$ 20,96 bilhões em julho, o maior volume já registrado pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) para o mês. O resultado representa alta de 21% em relação a junho e de 76,7% na comparação anual.
O desempenho ocorre mesmo com os juros elevados e levou a entidade a revisar para cima suas projeções para o mercado de crédito imobiliário em 2026. A Abecip agora estima crescimento de 25% nas concessões ao longo do ano, ante previsão anterior de 16%.
Em julho, foram financiados 57,9 mil imóveis nas modalidades de aquisição e construção com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O número cresceu 18,8% em relação a junho e 61,2% frente ao mesmo mês do ano passado. Foi a terceira maior quantidade de imóveis financiados em um mês de julho na série histórica.
Crédito imobiliário acumula alta de 36,3% no ano
Entre janeiro e julho, os financiamentos com recursos da poupança somaram R$ 115,5 bilhões, alta de 36,3% sobre os R$ 84,8 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Em número de unidades, foram financiados 337,8 mil imóveis nos sete primeiros meses do ano, avanço de 37,1% ante as 246,4 mil unidades financiadas no mesmo intervalo de 2025.
O resultado também permanece positivo em uma janela de 12 meses. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, as operações de aquisição e construção movimentaram R$ 187 bilhões, alta de 12,2% em relação aos 12 meses anteriores. No período, foram financiados 549,1 mil imóveis, crescimento de 14,1%.
Para Michel Cury, presidente da Abecip, “o primeiro semestre mostrou que a demanda por financiamento imobiliário continua consistente, mesmo em um ambiente de juros elevados”. Na avaliação da entidade, emprego e renda seguem contribuindo para sustentar a procura por imóveis, enquanto o custo do crédito permanece como um dos principais pontos de atenção.
Recursos livres seguem na direção oposta
O desempenho não foi uniforme entre as diferentes fontes de financiamento. As operações imobiliárias com recursos livres somaram R$ 1,32 bilhão em julho, alta de 12,7% ante junho, mas queda de 57,7% na comparação anual. No acumulado de janeiro a julho, os financiamentos com recursos livres totalizaram R$ 9,84 bilhões, recuo anual de 26%.
Em unidades, foram financiados 7,3 mil imóveis em julho, alta de 11% sobre junho e queda de 60% em relação a julho do ano passado. Nos sete primeiros meses, foram 53,7 mil unidades, retração de 28,4% na comparação anual.
Além disso, a poupança SBPE continuou registrando captação líquida negativa em julho. Os saques superaram os depósitos em R$ 7 bilhões no mês, pior resultado que os R$ 5,3 bilhões de saques líquidos registrados em julho de 2025.
No acumulado do ano, porém, a saída líquida foi menor: R$ 37,5 bilhões entre janeiro e julho, ante R$ 43,7 bilhões do ano anterior. O saldo das cadernetas chegou a R$ 762 bilhões em julho, queda de 0,28% em relação a junho. Na comparação com julho do ano passado, houve alta de apenas 0,01%.











