A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor nível da série histórica, segundo os dados da PNAD Contínua apresentados nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado representa recuo de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre terminado em abril, quando o indicador estava em 5,8%. Na comparação anual, a taxa também recuou, de 5,6% para 5,3%. O número de pessoas desocupadas caiu 8% para 5,8 milhões na comparação trimestral, o equivalente a 503 mil pessoas a menos procurando trabalho sem ocupação.
Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho atingiu recordes no número de ocupados e no tamanho da força de trabalho. A população ocupada chegou a 103,3 milhões de pessoas, alta de 1% no trimestre e de 0,9% em um ano. A força de trabalho, que reúne ocupados e desocupados, também alcançou o maior nível da série, com 109,2 milhões de pessoas.
Menos desemprego, mais renda e ocupação
O avanço da ocupação ocorreu junto com uma redução da subutilização da força de trabalho. A taxa composta de subutilização caiu de 13,8% para 13% no trimestre e ficou 1,1 ponto percentual abaixo do nível de um ano antes.
A população subutilizada, formada por pessoas que poderiam trabalhar mais ou que estão disponíveis para trabalhar, recuou para 14,9 milhões, queda de 5,2% no trimestre e de 7,7% em 12 meses.
Também houve redução entre os trabalhadores que desistiram de procurar emprego por não encontrarem oportunidades, grupo classificado pelo IBGE como população desalentada. O contingente caiu para 2,3 milhões, recuo de 9,7% no trimestre e de 14,1% em um ano.
O rendimento real habitual ficou em R$ 3.762, estável no trimestre e 3,3% acima do registrado um ano antes. Já a massa de rendimento, que corresponde à soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores, chegou a R$ 383,5 bilhões, maior valor da série histórica e alta de 4,1% em um ano.
Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, o desemprego em 5,3% ocorre em um cenário internacional marcado por inflação e juros ainda elevados. Segundo ele, a baixa desocupação sustenta receitas de empresas ligadas ao consumo e aos serviços, mas também mantém o BC atento à inflação salarial e à demanda.
Nesse contexto, o resultado pode favorecer a atividade econômica ao mesmo tempo em que reduz espaço para cortes mais intensos da Selic. Murad estima que o desemprego possa terminar o ano próximo de 5,3% a 5,6%, considerando a taxa ajustada pela sazonalidade. Para o PIB, a manutenção do emprego poderia preservar entre 0,2 e 0,4 ponto percentual do crescimento de 2026, segundo sua avaliação.
Carteira assinada bate recorde
O número de empregados no setor privado com carteira assinada chegou a 39,4 milhões, maior contingente da série histórica. Considerando empregados com e sem carteira, o setor privado também atingiu recorde, com 53,2 milhões de trabalhadores. O número de empregados sem carteira ficou em 13,8 milhões, alta de 3,6% no trimestre.
A informalidade, porém, aumentou levemente. A taxa passou de 37,2% no trimestre encerrado em abril para 37,5%, equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores informais. Entre os setores, a construção foi o único a apresentar aumento significativo da ocupação na comparação trimestral, com alta de 5,1%, ou 371 mil pessoas.
Na comparação anual, houve crescimento da ocupação em:
- construção: 4,2%
- transporte, armazenagem e correio: 5,4%
- administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: 2,3%
Por outro lado, o número de trabalhadores em serviços domésticos caiu 4% em um ano, redução de 229 mil pessoas.
Mercado de trabalho impõe limite ao crescimento
Para Antônio Patrus, diretor da Bossa Invest, o principal aspecto do resultado não é apenas a mínima histórica, mas a combinação entre desemprego baixo, menor expansão da força de trabalho, estabilização da renda e juros ainda restritivos.
Na avaliação de Patrus, esse cenário indica que a economia mantém a demanda, mas encontra limites para crescer apenas pela incorporação de novos trabalhadores. Com isso, produtividade, tecnologia e eficiência tendem a ganhar maior importância para a expansão econômica.
O executivo também relaciona o cenário brasileiro à transformação da economia global, na qual os investimentos estão cada vez mais concentrados em inteligência artificial e infraestrutura tecnológica, enquanto o comércio mundial desacelera.
Para ele, se o desemprego permanecer entre 5% e 5,5% até dezembro e a massa de renda continuar avançando, o consumo poderá preservar entre 0,2 e 0,4 ponto percentual do crescimento do PIB.
Em um cenário contrário, com a taxa de desemprego próxima ou acima de 6%, Patrus estima que o menor consumo e a redução da confiança poderiam retirar entre 0,2 e 0,3 ponto percentual do PIB.











