Após o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, no Simpósio Econômico de Jackson Hole, o mercado passou a precificar uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros dos Estados Unidos em setembro.
Segundo a ferramenta de monitoramento do CME Group, os analistas passaram a ver 55,5% de probabilidade de uma alta em setembro, contra 44,5% de chance de manutenção da taxa atual, entre 3,5% e 3,75% ao ano. Ontem (27), as apostas eram de 35,4% para uma alta e 64,6% para a manutenção.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirma que o discurso reforçou uma postura mais restritiva do Fed. Mesmo com dados recentes apontando uma trajetória mais favorável dos preços, a inflação ainda não teria apresentado convergência suficiente para mudar a postura do banco central.
Em sua análise, explica a criação de um descompasso entre as políticas monetárias dos EUA e do Brasil. Enquanto os investidores passaram a considerar uma nova alta dos juros americanos, o Brasil discute a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes, com redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Já Daniel Siluk, head global de curta duração e liquidez da Janus Henderson, avaliou que o discurso de Jackson Hole teve como principal objetivo restabelecer clareza sobre a estratégia do Fed, e não antecipar a decisão sobre os juros de setembro.
“O discurso foi, no geral, hawkish — postura mais favorável à manutenção ou à elevação dos juros —, e trouxe uma abordagem mais completa do que o esperado sobre política monetária e o compromisso do presidente com o combate à inflação”, completou Andressa Durão, economista do ASA.
Tesouro atua sobre juros de longo prazo
Ao mesmo tempo em que o Fed mantém uma postura voltada ao controle da inflação, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, vem atuando no mercado de títulos para moderar movimentos nos juros de longo prazo, segundo Alves.
Recentemente, o Tesouro ampliou as recompras de títulos de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões. Além disso, indicou a possibilidade de utilizar uma conta especial com capacidade de até US$ 1 trilhão, caso seja necessário conter movimentos considerados desordenados no mercado.











