O projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, conhecidos como terras raras, deve avançar no Senado nas próximas semanas. A proposta ganhou espaço após o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e anunciar que reunirá senadores e líderes partidários para discutir a apreciação do PL 2.780/2024.
Segundo um estudo da Amcham Brasil, o potencial econômico do desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e terras raras no país pode adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) e gerar 750 mil empregos até 2050.
O levantamento considera seis minerais: cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel e elementos de terras raras. A análise utiliza projeções de demanda e uma carteira de projetos de investimentos previstos para estimar os efeitos da expansão da cadeia.
Capital estrangeiro amplia impacto econômico sobre terras raras
A Amcham comparou dois cenários para o desenvolvimento do setor no Brasil. No primeiro, os investimentos são financiados principalmente por capital doméstico e a produção permanece direcionada à exportação, com baixa agregação de valor no país. Nesse caso, o impacto acumulado sobre o PIB seria de R$ 128,7 bilhões, acompanhado da criação de 304 mil empregos.
O segundo cenário prevê maior participação de investimentos estrangeiros, expansão do processamento dos minerais no território nacional e aumento do uso desses insumos pela indústria brasileira.
Nessa hipótese, os investimentos alcançariam R$ 120,9 bilhões, enquanto o impacto acumulado sobre o PIB chegaria a R$ 192,1 bilhões. A estimativa de geração de empregos sobe para 750 mil. A diferença entre os cenários representa R$ 63,4 bilhões adicionais ao PIB e 446 mil empregos a mais.
Segundo a Amcham, o segundo modelo também acrescentaria R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias e R$ 16,1 bilhões aos investimentos, além dos efeitos associados à expansão da mineração.
“A maior atração de investimentos e a agregação de valor no Brasil ampliam os benefícios econômicos da cadeia de minerais críticos para além dos estados produtores, impulsionando também as regiões industriais e fortalecendo a inserção do país nas cadeias globais de tecnologia e da transição energética”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Mineração pode gerar efeitos além dos estados produtores
Os estados com atividade mineradora concentram parte relevante dos impactos estimados pela pesquisa. O Pará aparece com crescimento de 16% no PIB, seguido por Bahia, com 10,3%; Goiás, com 10%; Piauí, com 4%; e Minas Gerais, com 3,8%.
A expansão do processamento dentro do país, porém, amplia os efeitos para regiões com maior presença industrial. Na comparação com o primeiro cenário, os maiores ganhos adicionais aparecem em Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
A lógica é a chamada agregação de valor, que ocorre quando o mineral deixa de ser apenas extraído e exportado e passa a ser processado e utilizado em etapas posteriores da cadeia produtiva.
Com isso, os efeitos econômicos deixam de ficar concentrados na extração e alcançam setores industriais que utilizam esses insumos.
Indústria de transformação ganha espaço
Na análise por setores, a indústria de transformação apresenta crescimento acumulado de 1,8% no segundo cenário. O resultado é quase três vezes superior ao registrado no primeiro cenário. Também aparecem entre os segmentos considerados pela pesquisa a construção civil, com crescimento de 4,5%, e a indústria extrativa, com 4,2%.
Entre os segmentos industriais, os maiores impactos são estimados em máquinas e equipamentos elétricos, com 16,7%; máquinas para extração mineral, com 9,8%; automóveis, com 5,5%; e máquinas e equipamentos mecânicos, com 2,9%.
Para Abrão Neto, o país reúne algumas das maiores reservas de minerais críticos do mundo e pode ampliar a participação nesse mercado por meio da atração de investimentos.
“Quanto maior a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico”, afirma o presidente da Amcham Brasil.











