O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que a Corte vai anunciar “medidas cabíveis e necessárias” sobre as mensagens atribuídas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e ao ministro Alexandre de Moraes.
Em discurso na abertura das 17ª Jornadas Ítalo-Espanho-Brasileiras de Direito Constitucional, em Brasília (DF), disse que as providências serão adotadas “no tempo devido e sem precipitação”, após concluir a análise dos fatos, conforme mostrou reportagem da Agência Brasil.
A manifestação ocorre um dia depois de a Polícia Federal (PF) tornar público o relatório que aponta supostos contatos entre Vorcaro e Moraes, e de o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedir a nulidade da investigação.
Para a PGR, o relator do caso, ministro André Mendonça, não poderia ter determinado o aprofundamento da apuração sobre outro ministro sem autorização do plenário. Fachin afirmou que “os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional” e que a Presidência anunciará as medidas “nos próximos dias”.
A decisão tem efeito direto sobre a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Banco Master, liquidado pelo Banco Central no fim de 2025.
O rombo já mobilizou o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que começou a pagar em janeiro cerca de R$ 40,6 bilhões em garantias a aproximadamente 800 mil credores, com teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
No relatório tornado público na terça-feira (1), a PF afirma que Vorcaro trocou mensagens com um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA” no celular apreendido quando o banqueiro foi preso, em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar para Dubai.
A prisão ocorreu dois dias após as conversas atribuídas ao ministro, informou O Povo. Parte do conteúdo foi apagada porque o contato usava mensagens de atualização única e textos no bloco de notas, o que impede a recuperação completa dos dados.
“Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do STF, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição”, afirmou Fachin.











