A disparada do diesel nos Estados Unidos e na Europa está elevando o custo de transporte de cargas, máquinas agrícolas e construção, com efeito direto sobre a inflação. Nos EUA, o preço médio semanal do galão de diesel atingiu US$ 6,52 (€ 5,73), ante US$ 3,74 um ano atrás e US$ 3,53 dois anos atrás, segundo a Administração de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês), de acordo com a DW Economia.
Na União Europeia, o custo extra do diesel rodoviário desde o início da guerra no Irã já soma 40 bilhões de euros, conforme levantamento da organização Transport & Environment. Quando o preço dispara, o custo de transportar mercadorias e operar máquinas pesadas sobe, e as empresas repassam essa alta aos consumidores.
Rússia corta produção de diesel e Trump avalia veto às exportações
Um dos principais fornecedores globais de diesel, a Rússia viu sua produção cair quase 30% em relação aos níveis de 2025, estima a Agência Internacional de Energia (AIE). Isso ocorre após uma série de ataques a refinarias russas — até 15 vezes desde 2022, segundo a AIE — no contexto da guerra na Ucrânia. Moscou restringiu as exportações de diesel para proteger o abastecimento interno.
Os Estados Unidos aumentaram a produção para tentar compensar, mas não foi suficiente. Em 22 de setembro, o presidente Donald Trump anunciou que o governo considerava proibir as exportações de diesel, uma medida que a DW descreve como provável tentativa de reduzir os preços domésticos antes das eleições legislativas de novembro.
Lobbies do setor de energia reagiram contra, e especialistas alertam que o veto pode demorar a reduzir preços ou até sair pela culatra, levando refinarias americanas a cortar produção.
Europa é estruturalmente dependente de diesel importado
Décadas de incentivos fiscais deixaram a frota europeia muito mais dependente do diesel do que a norte-americana, explica Georg Zachmann, pesquisador sênior do Bruegel, em Bruxelas. A União Europeia produz gasolina em excesso, que exporta, mas tem déficit de diesel, que precisa importar.
Dados da Transport & Environment mostram que pouco mais de 38% dos carros de passeio na UE são a diesel e que o transporte rodoviário, incluindo cargas, responde por 77% do consumo de diesel e gasóleo. Como resultado, motoristas europeus pagam, em média, 30 euros a mais para encher um tanque de 50 litros desde o início da guerra no Irã, e um caminhoneiro alemão de longa distância desembolsa, em média, 236 euros extras por semana.
O custo adicional de combustível para o transporte rodoviário na UE chega a 270 milhões de euros por dia, dos quais 203 milhões de euros são apenas de diesel.
Gargalo de refino e risco de veto americano elevam incerteza
A alta do diesel acontece mesmo com a oferta de petróleo relativamente estável. O problema agora é a capacidade de refino, explica Skip York, pesquisador do Centro de Estudos de Energia da Universidade Rice, em Houston. Desde agosto, o gargalo mudou de “não há petróleo bruto suficiente” para “não há capacidade de refino suficiente”.
Cada nova onda de ataques ucranianos aparece nos preços do diesel em dias, enquanto o conflito no Estreito de Ormuz continua deprimindo o fluxo de forma estável há meses. As exportações americanas de diesel para a Europa subiram cerca de 37% desde o ano passado e hoje respondem por aproximadamente 8% da demanda europeia.
Se Washington proibir as exportações, seria um choque forte e elevaria ainda mais os preços, alerta Zachmann. A União Europeia poderia retaliar exportando menos gasolina para os EUA, o que deixaria os dois lados em pior situação. No inverno que se aproxima no Hemisfério Norte, as refinarias podem ter dificuldade para atender à demanda simultânea de óleo de aquecimento e diesel.
Uma onda de fechamentos de refinarias na Europa e nos EUA desde 2019 reduziu a capacidade ociosa que absorvia choques. “Essencialmente, o mercado tem menos ‘barris extras’ de prontidão”, diz York. “A perda de qualquer barril atinge a oferta de forma muito mais direta do que antes.”
Nota de transparência: Este conteúdo contou com o auxílio de inteligência artificial na seleção e organização das informações, com base nas fontes citadas, e foi revisado por jornalistas antes da publicação.










