Os preços dos carros usados desaceleraram no terceiro trimestre de 2026, segundo o IBV Auto, índice do banco BV que acompanha a evolução dos preços de automóveis leves usados no Brasil. O indicador subiu 0,36% entre julho e setembro, menor avanço trimestral desde o primeiro trimestre de 2025.
O resultado representa uma desaceleração em relação à alta de 1,27% registrada no segundo trimestre de 2026 e de 2,04% no terceiro trimestre de 2025. No acumulado de 2026, o IBV Auto registra alta de 3,86%, abaixo dos 4,05% observados no mesmo período de 2025. Em 12 meses, o avanço é de 5,12%, mesmo percentual registrado em agosto.
Segundo o banco BV, o comportamento do índice ocorre em um cenário de crescimento mais lento da atividade econômica e desaceleração da inflação, com menor demanda por bens de maior valor.
Preços de carros usados desaceleram em todas as regiões
Após todas as regiões apresentarem alta superior a 1% no segundo trimestre, os preços variaram entre as regiões brasileiras no terceiro trimestre, mas indicando para uma desaceleração. O Nordeste registrou a maior alta, de 0,69%, seguido pelo Centro-Oeste, com avanço de 0,56%, e pelo Sul, com alta de 0,52%.
No Sudeste, o índice ficou praticamente estável, com avanço de 0,03%. Já o Norte foi a única região a registrar queda, de 0,19%. Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, o resultado mostra uma mudança de ritmo no mercado de veículos usados.
“Após um período de fortes valorizações, a atividade mais moderada e a maior competição entre veículos novos tornam o cenário menos favorável a reajustes expressivos”, afirmou.
Segundo Padovani, o comportamento do índice no trimestre aponta para uma dinâmica de preços mais equilibrada, com desaceleração das altas observadas nos meses anteriores.
Carros elétricos perdem mais valor
Entre os diferentes tipos de motorização, os carros elétricos apresentaram a maior perda de valor de revenda entre os modelos analisados. Os veículos elétricos lançados em 2023 acumulam desvalorização de quase 47% até setembro. No mesmo período, a perda de valor foi de 27,89% entre os híbridos e de 22,20% entre os modelos a combustão comparáveis.
O banco BV relaciona o movimento à pressão exercida pelos preços dos veículos novos e ao aumento da concorrência no segmento de elétricos.
A desvalorização de um veículo representa a diferença entre seu valor de mercado ao longo do tempo e o preço de referência anterior. No mercado de usados, esse movimento influencia o valor pelo qual o proprietário consegue vender o automóvel posteriormente.
Setembro registra alta de 0,30%
Considerando apenas setembro, o IBV Auto avançou 0,30%, após registrar queda de 0,01% em agosto. A alta foi influenciada principalmente pelos modelos:
- Renault Sandero: +1,88%
- Volkswagen Gol: +1,51%
- Hyundai Creta: +1,39%
Na outra ponta, os maiores impactos negativos vieram do Toyota Hilux SW4, com queda de 1,60%, do Honda HR-V, que recuou 1,19%, e do Volkswagen Polo, com baixa de 0,97%.
Para Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, os resultados refletem mudanças na dinâmica do mercado automotivo. “A maior oferta e concorrência entre os novos reduz a pressão sobre os usados e aponta para uma normalização gradual do mercado”, afirmou. O executivo ressaltou, porém, que o comportamento dos preços continua diferente entre os segmentos e as regiões.










