O Morgan Stanley elevou a recomendação para o Brasil para compra (overweight) e incluiu uma versão “beta” do país em seus portfólios modelo para Brasil e América Latina, apostando no início de um processo de reavaliação de ativos da Bolsa brasileira após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.
Segundo o banco, a tese para os ativos brasileiros depende de um reequilíbrio plurianual dos investimentos, com migração de recursos da dívida e da renda fixa para ações. Para que esse movimento ocorra, porém, o Morgan Stanley considera a consolidação fiscal imprescindível para reduzir o custo de capital no país.
O banco estima que as ações brasileiras ainda tenham espaço para subir 10% até o fim de 2026, enquanto o câmbio poderia avançar outros 10% no mesmo período, à medida que os prêmios de risco diminuam.
A projeção considera o desempenho registrado na segunda-feira (5), conforme noticiou o Broadcast nesta terça-feira (6). No cenário apresentado pelo Morgan Stanley, a Bolsa poderia avançar entre 15% e 20% ou mais até o fim deste ano, com potencial adicional até 2027 caso ocorram mudanças na política fiscal.
Investidor brasileiro ainda tem baixa exposição à Bolsa
O relatório destaca o efeito que o ciclo de juros teve sobre a participação dos brasileiros no mercado acionário. O Morgan Stanley estima que a alocação em ações locais esteja atualmente em torno de 5%, pouco acima da mínima histórica de 4,6%.
O percentual está abaixo da média histórica de 8,5% e distante do pico de 15% registrado anteriormente. O banco estima ainda que o free float do mercado brasileiro, ou seja, o conjunto de ações disponíveis para negociação pelos investidores, seja de aproximadamente US$ 500 bilhões.
Com base nesse tamanho de mercado, o Morgan Stanley calcula uma demanda potencial adicional de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões no mercado local, de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões entre investidores de mercados emergentes e de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões entre investidores globais.
Eleições no centro da tese para o Brasil
Segundo o Morgan Stanley, o resultado do primeiro turno posicionou Flávio Bolsonaro (PL) em condição favorável para vencer o segundo turno. Para o banco, uma eventual mudança política poderia representar o início de uma agenda mais voltada ao mercado.
A instituição, no entanto, reforça que a consolidação fiscal é necessária para garantir um custo de capital menor.
O relatório relaciona a possível redução dos prêmios de risco à expectativa de mudanças na política econômica. O prêmio de risco representa a remuneração adicional exigida pelos investidores para aplicar recursos em ativos considerados mais arriscados.
Quais setores da Bolsa ganham espaço para o Morgan Stanley?
Na estratégia setorial, o Morgan Stanley passou a recomendar compra para ações de serviços financeiros e utilities, categoria que reúne empresas de serviços públicos, como energia e saneamento. O banco manteve a mesma recomendação para energia, mineração e hardware.
A estratégia continua priorizando temas globais relacionados aos investimentos em inteligência artificial. Na avaliação do Morgan Stanley, um custo de capital menor poderia favorecer empresas da Bolsa brasileira à medida que a tecnologia avance na região e as mudanças geopolíticas alterem as cadeias globais de suprimentos.
Entre as empresas que podem se beneficiar de juros menores, o banco destaca XP, BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3), principalmente por sua exposição ao mercado financeiro.
O Morgan Stanley afirma preferir companhias que tenham benefício operacional com uma eventual redução dos juros e evita empresas com alavancagem elevada e estruturas operacionais consideradas complexas.
Morgan Stanley reduz Vale e exclui Suzano
O banco também aponta preferência por empresas brasileiras voltadas ao mercado doméstico em relação às companhias de commodities. Entre as exportadoras, porém, mantém algumas posições, citando JBS (JBSS32), Embraer (EMBJ3) e São Martinho (SMTO3).
A Suzano (SUZB3) foi retirada da estratégia do banco. Segundo o relatório, um eventual fortalecimento do real poderia representar um obstáculo para a ação, já que a companhia possui receitas vinculadas ao dólar e custos relevantes em reais.
O Morgan Stanley também reduziu sua exposição à Vale (VALE3), priorizando ações de empresas com maior exposição à economia doméstica. A avaliação do banco é que uma eventual mudança na política brasileira poderia levar o índice acionário a uma valorização baseada na expectativa de ajuste fiscal.
Nesse cenário, o Morgan Stanley projeta que o múltiplo preço/lucro do mercado possa avançar para 11,6 vezes em meados de 2027. O indicador relaciona o preço das ações ao lucro das empresas e é utilizado para comparar o nível de avaliação do mercado ao longo do tempo.










