Três semanas após pedir recuperação judicial para reestruturar R$ 17,3 bilhões em dívidas, a Casas Bahia mantém negociações avançadas com bancos e fundos de investimento para manter sua operação. Conforme divulgado pelo O Globo, inicialmente a varejista busca uma linha de crédito entre R$ 150 milhões e R$ 500 milhões, embora sua finalidade seja alcançar R$ 1 bilhão em financiamento.
A operação deve ser estruturada na modalidade DIP (debtor in possession), um tipo de financiamento destinado a empresas que estão em recuperação judicial.
As tratativas ocorrem enquanto a varejista ainda não teve um retorno da Justiça sobre aprovação do processo de recuperação judicial. Segundo fontes, também estão em negociação as condições do crédito, incluindo prazo para pagamento e garantias que serão apresentadas aos financiadores.
Crédito busca preservar operação da Casas Bahia
A contratação do financiamento tem como objetivo garantir recursos para as despesas do dia a dia da Casas Bahia, como pagamentos a funcionários e fornecedores, e permitir que a companhia mantenha suas atividades durante a crise financeira.
A necessidade de capital ocorre em um momento em que a recuperação judicial já começa a afetar a relação da varejista com seus fornecedores. Segundo um fabricante, após a divulgação do pedido de recuperação, encomendas de mercadorias que já estavam previstas para entrega foram suspensas, enquanto as condições de pagamento também foram alteradas.
Antes da crise, os produtos eram enviados para as lojas e os centros de distribuição com prazos de pagamento entre 45 e 90 dias, dependendo do contrato firmado com cada fornecedor. Com a mudança, o fabricante passou a exigir pagamento à vista antes do envio das mercadorias.
A mudança nas condições de fornecimento aumenta a importância da obtenção de recursos para o funcionamento da companhia, já que a disponibilidade de crédito pode determinar a capacidade de financiar despesas operacionais e manter o abastecimento da rede.
Justiça antecipou proteção de 180 dias contra credores
A situação financeira da Casas Bahia levou a companhia a admitir, no último dia 28, uma “corrida de credores” contra seu patrimônio. Diante desse cenário, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, antecipou os efeitos da recuperação judicial e concedeu à varejista proteção contra os credores por 180 dias.
A medida, no entanto, não significa que o processo de recuperação já tenha sido aprovado. Antes disso, a Justiça determinou a realização de uma perícia para verificar “as reais condições de funcionamento e a regularidade da documentação apresentada” pela Casas Bahia.
A responsabilidade pela análise ficou com a ACDB Administração Judicial. Entre as verificações previstas estão as condições de funcionamento das lojas físicas, dos centros de distribuição, do site e do aplicativo da varejista.
A administração judicial também deverá avaliar se existe desabastecimento perceptível nas prateleiras e se os sistemas responsáveis pelas vendas físicas e digitais estão funcionando normalmente. O prazo para conclusão do laudo termina nas próximas semanas.











