O setor privado dos Estados Unidos criou 44 mil empregos em julho, significativamente abaixo da expectativa do mercado, que previa a abertura de 75 mil vagas, e do resultado de junho (revisado), de 95 mil vagas, segundo relatório divulgado pela Automatic Data Processing (ADP), em parceria com o Stanford Digital Economy Lab, nesta quarta-feira (5).
O levantamento mostra que, apesar de o crescimento do emprego ter permanecido no campo positivo, o mercado de trabalho norte-americano avança de forma menos disseminada entre empresas e setores da economia.
A expansão do emprego foi puxada principalmente pelas empresas de menor porte. Os negócios com 1 a 19 funcionários responderam pela maior parcela das admissões, ao abrir 27 mil vagas.
Entre as grandes empresas, aquelas com mais de 500 empregados criaram 13 mil postos de trabalho, enquanto companhias com 250 a 499 funcionários adicionaram 6 mil vagas. Já as empresas de 50 a 249 empregados contrataram apenas 2 mil trabalhadores.
Em contrapartida, as empresas com 20 a 49 funcionários encerraram 4 mil postos, indicando que parte do segmento de pequenos negócios ainda enfrenta dificuldades para ampliar suas equipes.
Saúde lidera contratações no setor privado
Na abertura por atividade econômica, os setores de saúde e educação lideraram a criação de empregos, com 36 mil novas vagas.
Também registraram saldo positivo o setor financeiro, com 10 mil postos, e os serviços profissionais e empresariais, que adicionaram 9 mil empregos.
Na direção oposta, lazer e hotelaria tiveram o pior desempenho do mês, com o fechamento de 11 mil vagas, indicando desaceleração em um segmento que vinha contribuindo para a recuperação do mercado de trabalho nos últimos anos.
Serviços sustentam crescimento nos EUA, enquanto a indústria encerra vagas
Sob a ótica dos grandes setores da economia, o setor de serviços foi responsável pela abertura de 47 mil empregos, compensando o desempenho negativo da indústria, que encerrou 3 mil postos de trabalho.
Dentro do segmento industrial, a manufatura criou 2 mil vagas e a construção adicionou mil empregos. Já as atividades de extração e mineração eliminaram 6 mil postos, sendo o principal fator por trás da retração do setor.
Salários mantêm ritmo de alta
O relatório também mostrou estabilidade no crescimento dos salários para trabalhadores que permaneceram no mesmo emprego. A remuneração desse grupo avançou 4,4% em relação a julho do ano passado, repetindo o ritmo observado nos três meses anteriores.
Para quem trocou de emprego, o ganho salarial acelerou. O aumento médio chegou a 7%, acima dos 6,6% registrados em junho, indicando que a disputa por profissionais continua favorecendo trabalhadores que mudam de empresa.
Segundo a economista-chefe da ADP, Dra. Nela Richardson, “profissionais que mudam de emprego são altamente sensíveis às condições econômicas em tempo real, e o rápido crescimento de seus salários indica restrições de oferta em partes do mercado de trabalho”.
A economista acrescenta que “os padrões típicos de contratação estão mudando à medida que os empregadores reagem às alterações nas condições macroeconômicas”, indicando uma mudança na dinâmica das admissões, mesmo com o mercado de trabalho ainda registrando saldo positivo.











