O mercado de trabalho dos Estados Unidos registrou fechamento de 23 mil vagas formais em julho, de acordo com o relatório do payroll divulgado nesta sexta-feira (7). O resultado frustrou as projeções dos analistas, que esperavam a criação de 80 mil empregos no período, e sinaliza o enfraquecimento do mercado de trabalho americano, diante do aumento dos preços e das incertezas relacionadas aos efeitos do conflito no Oriente Médio.
O resultado pode alterar a trajetória dos juros prevista pelo Federal Reserve (Fed) para a reunião de setembro, resultando no adiamento do aumento das taxas. Segundo o FedWatch, do CME Group, as chances de uma manutenção subiram de 45% para 55,9% após a divulgação.
Há pouco, o presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, declarou que “o mercado de trabalho está em um equilíbrio frágil e que os dados de emprego foram muito consistentes com um setor em equilíbrio fraco”.
“Os dados do payroll indicam uma tendência de baixas contratações e baixas demissões; não são muito bons, mas é o que temos”, completou.
Barkin disse ainda estar observando os resultados corporativos em busca de ligações com o mercado de trabalho e que lucros corporativos estão bastante fortes e crescendo de forma satisfatória.
Revisões do payroll reduzem vagas nos meses anteriores
Além do resultado de julho, o BLS revisou para baixo os dados de emprego de maio e junho. O número de empregos gerados em maio foi revisado de 129 mil para 63 mil vagas, uma redução de 66 mil postos. Junho passou de 57 mil para 20 mil empregos, queda de 37 mil vagas.
Com as alterações, o total de vagas criadas nos dois meses anteriores foi reduzido em 103 mil postos.
Segundo o órgão, essas revisões ocorrem após a incorporação de novos dados enviados por empresas e órgãos governamentais, além da atualização dos cálculos de ajustes sazonais, método utilizado para retirar efeitos temporários de determinados períodos do ano.
Na avaliação de Jeff Rosenberg, da BlackRock, “um único dado não define uma tendência, mas é algo a que devemos prestar atenção, principalmente em relação às revisões”.
Segundo ele, são os relatórios de inflação que ditam as regras para o FOMC e a leitura dos salários é útil para prever algum afrouxamento monetário.
Educação pública e varejo lideram perdas de vagas
Entre os setores, a educação do governo local apresentou a maior redução em julho, com perda de 50 mil empregos, após registrar pouca variação nos últimos 12 meses.
O varejo também recuou, com fechamento de 19 mil vagas no mês. Dentro do segmento, clubes de compra por atacado, hipermercados e redes de departamento reduziram 21 mil postos, enquanto postos de gasolina eliminaram 5 mil vagas.
Na direção oposta, lojas de artigos esportivos, hobbies, instrumentos musicais e livros registraram abertura de 10 mil empregos no período.
O setor financeiro manteve a tendência de queda, com redução de 14 mil vagas em julho. A retração foi puxada principalmente pela intermediação de crédito, que perdeu 9 mil postos, e pelas seguradoras, com corte de 7 mil vagas. Desde o pico registrado em maio de 2025, o setor acumula uma redução de 121 mil empregos.
Saúde mantém expansão, mas em ritmo menor
O setor de saúde continuou entre os segmentos com geração de empregos, adicionando 22 mil vagas em julho. O ritmo, porém, ficou abaixo da média mensal de 36 mil postos registrada nos últimos 12 meses. Dentro da área, os serviços ambulatoriais de saúde foram responsáveis pela criação de 18 mil vagas.
Outros setores, como mineração, construção, indústria, comércio atacadista, transporte, armazenagem, informação, serviços profissionais e empresariais, assistência social, lazer, hospedagem e outros serviços apresentaram pouca variação no mês.
O rendimento médio por hora dos trabalhadores do setor privado chegou a US$ 37,62 em julho, alta de US$ 0,02 na comparação mensal.
No recorde mais amplo de 12 meses, os salários médios avançaram 3,2%. Entre trabalhadores de produção e ocupações sem supervisão, o ganho médio por hora alcançou US$ 32,40, aumento de US$ 0,04 no mês.
Desemprego varia entre grupos de trabalhadores, mostra payroll
Apesar da redução no número de postos de trabalho, a taxa de desemprego permaneceu em 4,1% em julho, sem alteração relevante em relação ao mês anterior. O número de desempregados ficou em 6,9 milhões, mantendo estabilidade ao longo do ano.
O levantamento mostrou queda na taxa de desemprego entre adolescentes, para 12,1%, e entre trabalhadores hispânicos, para 4,6%.
Já os índices para homens adultos (3,9%), mulheres adultas (3,7%), trabalhadores brancos (3,6%), negros (6,3%) e asiáticos (4,0%) tiveram pouca alteração no período.
Andressa Durão, economista do ASA, atribui a queda da taxa de desemprego a uma redução da taxa de participação, enquanto a quantidade de empregados caiu novamente.
A especialista aponta ainda para uma mudança na composição da força de trabalho americana, com a queda da taxa de participação na ponta puxada por estrangeiros, enquanto a queda desde o início do ano vinha sendo puxada por nativos.
“A queda da taxa de desemprego via fraqueza da oferta de trabalho, seja pela redução da imigração ou da oferta de mão de obra doméstica, conversa com a narrativa de um nível de payroll neutro mais baixo. Logo, o conjunto dos dados parece apontar, por enquanto, mais para uma desaceleração e um reequilíbrio do mercado de trabalho do que para uma deterioração”, avalia.
O número de pessoas em afastamento temporário do trabalho aumentou em 153 mil, chegando a 921 mil. Já a quantidade de trabalhadores que perderam o emprego de forma permanente permaneceu em 1,7 milhão, sem mudança significativa.











