O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou a sessão desta segunda-feira (30) em alta de 0,53%, aos 182.514,20 pontos, após duas quedas consecutivas, em um pregão marcado por volatilidade e pela atenção dos investidores às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Apesar da reação positiva, o índice caminha para encerrar o mês com desvalorização de 3,32%, o que configuraria o pior resultado desde julho de 2025. Ainda assim, o saldo do ano permanece robusto, com valorização próxima de 12%, sustentada principalmente pelo fluxo estrangeiro e pela expectativa de juros mais baixos no Brasil.
Entre os pesos-pesados do Ibovespa, a Petrobras registrou ganhos moderados nesta segunda-feira, de 0,64% (ON) e de 0,53% (PN), enquanto a Vale também encerrou em terreno positivo, com alta de 0,63%. Já as ações dos bancos tiveram desempenho misto ao longo da sessão.
No ranking do dia, as maiores altas foram lideradas por Yduqs, que disparou 3,76%, seguida pela WEG, com valorização de 3,46%. Na ponta negativa, o destaque ficou com Lojas Renner, que recuou 4,7%.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em leve alta de 0,12% frente ao real, cotado a R$ 5,25, com o aumento da aversão ao risco global, impulsionado por incertezas sobre o conflito no Oriente Médio.
No campo corporativo, os destaques positivos da temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 ficaram concentrados nos setores financeiro e de utilidades públicas — segmento que engloba empresas de energia elétrica e saneamento, tradicionalmente visto como mais defensivo em momentos de maior incerteza econômica.
Entre as companhias que compõem o Ibovespa, 33 superaram as estimativas do mercado, número inferior às 41 surpresas positivas registradas no trimestre anterior, sinalizando uma leve perda de fôlego nos resultados.
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No cenário internacional, repercute a notícia do Wall Street Journal de que o presidente Donald Trump teria sinalizado aos seus assessores disposição para encerrar as ofensivas contra o Irã, ainda que o Estreito de Ormuz permaneça parcialmente fechado.
Autoridades dos Estados Unidos avaliam que forçar a reabertura do Estreito de Ormuz neste momento poderia prolongar significativamente a operação militar, ampliando o envolvimento direto do país no conflito. A avaliação é que uma ofensiva para garantir a passagem de navios exigiria uma missão mais longa e complexa, mantendo Teerã com controle efetivo da hidrovia por enquanto e deixando uma eventual operação de retomada para um momento posterior.
A estratégia adotada por Trump tem sido priorizar objetivos considerados mais imediatos: enfraquecer a marinha iraniana, reduzir seu arsenal de mísseis e pressionar diplomaticamente o país a restabelecer o fluxo comercial na região. Caso essa pressão não produza resultados, a Casa Branca avalia transferir a liderança das negociações para aliados europeus e países do Golfo, em uma tentativa de ampliar o isolamento político do Irã.
Ao mesmo tempo em que afirma ver avanços nas conversas com o que chamou de “novo regime” iraniano, Trump mantém o tom de ameaça. Em publicações nas redes sociais, afirmou que, caso Teerã não restabeleça a navegação na região, os EUA poderiam atingir infraestruturas civis estratégicas, incluindo usinas de energia, instalações petrolíferas e até sistemas de dessalinização.
Em entrevista à Fox News, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que Washington pretende “retomar o controle do Estreito de Ormuz” para garantir a navegação internacional. Segundo ele, a segurança marítima poderá ser assegurada por escoltas navais americanas ou por uma coalizão multinacional, caso a situação se agrave.
A escalada retórica e militar já se reflete com força no mercado internacional de energia. Nesta segunda-feira, os preços do petróleo voltaram a disparar. O contrato futuro do West Texas Intermediate (WTI) fechou acima de US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022. Já o Brent teve avanço de 1,96%, acumulando valorização de cerca de 50% em março.
No Brasil, a escalada do petróleo também já provoca efeitos diretos no debate sobre combustíveis. Ganhou força nesta semana a proposta de subvencionar em R$ 1,20 por litro o diesel importado, com divisão do custo entre União e Estados. O plano ganhou respaldo após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, classificar a ideia como “razoável”.
O gesto é visto como relevante porque abre caminho para uma alternativa ao corte do ICMS, proposta inicialmente discutida, mas que enfrentou forte resistência dos governadores por riscos fiscais e possível violação da Lei de Responsabilidade Fiscal.
No curto prazo, porém, o mercado segue concentrado nos reajustes de preços. A Vibra Energia informou às companhias aéreas que repassará integralmente um aumento de 54,63% no querosene de aviação a partir de 1º de abril, ampliando a pressão sobre o setor aéreo em um momento em que as tarifas já vinham sensíveis.
Além disso, a Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe, deve elevar em 15,26% o preço do GLP também no início do mês. O movimento encerra um período de relativa estabilidade e reacende preocupações com o impacto sobre o preço do gás de cozinha, além de possíveis efeitos sobre o programa Gás do Povo.
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Manchetes desta manhã
- Trump diz que não reabrirá Estreito de Ormuz e que países afetados devem comprar dos EUA ou ‘lutar por si mesmos’ (Valor)
- Dívida pública do Brasil sobe para 79,2% do PIB em fevereiro (Folha)
- Shopee inaugura no RS unidade para armazenar 1 milhão de itens e reduzir tempo de entrega em 50% (Estadão)
- BRB não divulgará balanço nesta terça, data final, e pedirá ao BC um prazo para buscar salvamento (O Globo)
- Justiça decreta falência do Grupo Raiola por dívida fiscal (Valor)
Mercado global retoma alta com otimismo pelo fim da guerra, mas tem mês de perdas
As Bolsas da Europa sobem nesta terça-feira com otimismo sobre uma possível iniciativa de Donald Trump para encerrar o conflito no Oriente Médio. Ainda assim, os mercados caminham para o pior março em anos.
No cenário econômico, a inflação da Zona do Euro subiu para 2,5%, a maior desde janeiro de 2025, pressionada pelos efeitos da guerra.
Na Ásia, a maioria das praças encerrou o pregão no negativo, após um mês de março marcado por fortes quedas, com os mercados pressionados pelo conflito no Irã. Os índices Nikkei e Kospi tiveram o pior desempenho no mês, afetados por perdas nas techs.
Apesar disso, dados de PMI indicaram leve melhora da atividade na China, sustentada por exportações fortes e estímulos de Pequim.
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta nesta terça-feira (31), após a notícia do Wall Street Journal de que o presidente Donald Trump estaria disposto a encerrar a guerra contra o Irã, mesmo que o Estreito de Hormuz permaneça fechado.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,63%
- FTSE 100: +0,74%
- CAC 40: +0,62%
- Nikkei 225: -1,58%
- Hang Seng: +0,15%
- Shanghai SE Comp: -0,8%
- Ouro (abr): +0,91%, a US$ 4.567,3 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,06%, aos 100,453 pontos
- Bitcoin: -0,02% a US$ 66.336,48
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Commodities
- Petróleo: permanece acima dos US$ 100 por barril em meio à sinalização de que Donald Trump pretende encerrar a guerra no Oriente Médio, mesmo com o Estreito de Ormuz permanecendo em grande parte fechado.
O governo norte-americano avalia que uma operação para reabrir totalmente a rota poderia prolongar o conflito além das seis semanas previstas por Trump.
O Brent/maio valoriza 1,58%, cotado a US$ 114,56 e o WTI/maio avança 0,78%, a US$ 103,68. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,8% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 116,97/ton. O contrato para maio em Singapura recuou 0,69%, a US$105,5/ton. Em março, a alta de preços foi de 7,7%, marcando o maior ganho mensal desde julho de 2025.
O movimento ocorre após comentários de Donald Trump sobre o possível fim da guerra com o Irã reduzirem as preocupações com a alta dos custos de frete. Ainda assim, expectativas de maior demanda na China e menor oferta no mercado spot mantêm o minério a caminho de fechar o mês em alta.
Cenário internacional
Nos EUA, os investidores monitoram a divulgação do relatório Jolts, que mostra o número de vagas de trabalho em fevereiro e é acompanhado de perto como termômetro da força do mercado de trabalho americano. Também serão divulgados os dados semanais de estoques de petróleo, importantes para avaliar o equilíbrio entre oferta e demanda de energia.
No campo da política monetária, três integrantes do Federal Reserve (Fed) participam de eventos ao longo do dia. O presidente do Federal Reserve Bank of Chicago, Austan Goolsbee, fala às 13h. Mais tarde, discursam o diretor do Fed Michael Barr, às 16h, e a diretora Michelle Bowman, às 18h10.
Dados mistos nas principais economias:
Na China, o setor industrial voltou a dar sinais de recuperação. O PMI manufatureiro oficial da China subiu para 50,4 em março, após marcar 49 em fevereiro, encerrando dois meses consecutivos de contração e voltando ao território de expansão.
Na França, a inflação anual acelerou para 1,7% em março, atingindo o nível mais alto desde janeiro de 2025, ante 0,9% no mês anterior e ligeiramente acima da expectativa de 1,6% do mercado.
Já no Reino Unido, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1% na comparação anual no quarto trimestre de 2025, marcando o ritmo mais fraco desde o primeiro trimestre de 2024, mas em linha com as estimativas preliminares.
Na Alemanha, a taxa de desemprego ajustada permaneceu estável em 6,3% pelo 13º mês consecutivo, evidenciando a persistente fraqueza do mercado de trabalho na maior economia da Europa.
Emprego e contas públicas no radar no Brasil
No Brasil, a agenda econômica traz a divulgação do Caged, com os dados de geração de empregos formais em fevereiro. A projeção do BTG Pactual é de criação líquida de 260 mil vagas, número próximo ao observado em janeiro.
Também repercute no mercado o resultado primário do Governo Central divulgado pelo Tesouro Nacional. Em fevereiro, o setor público registrou déficit de R$ 30,04 bilhões, o menor para o mês desde 2022. No acumulado de 12 meses, o saldo negativo chegou a R$ 60,4 bilhões, equivalente a 0,45% do PIB.
O resultado considera as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central, mas exclui as despesas com juros da dívida pública.
Endividamento das famílias preocupa governo
O avanço do endividamento das famílias voltou ao centro das discussões econômicas. Segundo relatório do Bradesco, o comprometimento da renda com dívidas atingiu 29,3% em janeiro, o maior nível desde o início da série histórica, em 2005.
O quadro reflete a combinação de expansão do crédito, especialmente em empréstimos consignados e financiamento de veículos, com juros ainda elevados e inadimplência em alta, sobretudo entre pessoas físicas. O resultado é uma sensação crescente de aperto no orçamento das famílias, mesmo em um ambiente de atividade econômica relativamente resiliente.
Diante desse cenário, o governo articula uma nova rodada de renegociação de dívidas, em modelo diferente do Desenrola. A proposta em discussão prevê negociação direta entre bancos e clientes, possivelmente com incentivos públicos para melhorar as condições de pagamento.
Em paralelo, Lula solicitou estudos para reduzir os juros do rotativo do cartão de crédito, um dos principais focos de estrangulamento financeiro das famílias brasileiras. A iniciativa busca estimular o consumo e tornar mais perceptível a melhora dos indicadores econômicos no país.
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Destaques do mercado corporativo
- JBS: anunciou emissão de US$ 2 bilhões em bonds com vencimentos em 2037 e 2057, reforçando sua estratégia de alongamento da dívida e captação no mercado internacional.
- Âmbar Energia: teve homologado acordo judicial para assumir o controle da Amazonas Energia, com previsão de investimento de R$ 9,8 bilhões na distribuidora.
- Natura &Co: a gestora Advent pretende adquirir até 10% da companhia no mercado secundário, enquanto os fundadores deixam o conselho e passam a atuar em um colegiado consultivo.
- WEG: teve recomendação elevada pelo Morgan Stanley, que passou de underweight para neutra e aumentou o preço-alvo das ações para R$ 54.
- Smart Fit: o Norges Bank reduziu sua participação acionária para 4,98% do capital da companhia.
- Oi: a Justiça adiou novamente a decisão sobre a venda da participação da empresa na V.tal.











