Em meio ao otimismo dos mercados globais com o cessar-fogo no Oriente Médio, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta quinta-feira (9) em alta de 1,52%, alcançando a marca inédita dos 195 mil pontos (195.129,25 pontos) em seu oitavo pregão consecutivo de valorização.
Segundo analistas, além da perspectiva de avanço nas negociações de cessar-fogo no Oriente Médio, a entrada consistente de capital estrangeiro também ajudou no desempenho do índice. O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, avançou mais de 2% no dia, enquanto os ADRs da Petrobras superaram o desempenho dos papéis na B3.
Aqui no Brasil, os papéis da estatal acompanharam a recuperação do petróleo, registrando ganhos de 2,93% (ON) e 2,77 (PN). Os grandes bancos também deram suporte ao índice, com destaque para as ações do Itaú, que tiveram valorização de 1,71%, e para o Santander, que fechou em alta de 1,81%. Na ponta negativa, a Vale recuou 1,05%, limitando ganhos mais expressivos.
Já entre as maiores altas do dia ficaram Usiminas (+6,08%) e Auren (+5,06%), enquanto a Totvs liderou as perdas, com queda de 3,2%.
No câmbio, o dólar caiu ao menor nível em 2 anos, com desvalorização de 0,77% frente ao real, negociado a R$ 5,06, com a redução dos prêmios de risco diante do alívio das tensões no Oriente Médio.
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No cenário internacional, os mercados operam com cautela nesta sexta-feira (10), enquanto aguardam por um desfecho positivo da primeira rodada presencial de negociações entre representantes de Teerã e Washington, em encontro neste sábado (11), em Islamabad, no Paquistão.
A articulação diplomática no Oriente Médio ganhou novos contornos, mas ainda está longe de trazer previsibilidade ao mercado de energia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria pedido diretamente ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a redução dos ataques ao Líbano, uma das principais exigências do Irã para avançar nas negociações de cessar-fogo.
O movimento foi seguido por um aceno de Israel, que anunciou a intenção de iniciar negociações diretas com o Líbano “o mais rápido possível”, com reuniões já previstas para a próxima semana, em território americano. Apesar disso, o cenário permanece tenso. Teerã mantém a exigência de um cessar-fogo completo no Líbano e não abre mão do controle sobre o Estreito de Ormuz, que segue com restrições mesmo após o anúncio da trégua.
Na prática, o Irã sinaliza que pode endurecer sua posição no campo operacional, incluindo limitações ao tráfego marítimo e até a cobrança de pedágios para a passagem de navios, medidas que afetam diretamente o fluxo global de petróleo.
Mesmo com sinais de distensão, o mercado ainda opera sob forte incerteza. A oferta global de petróleo segue sob risco, diante da continuidade dos ataques. As cotações até perderam parte do ímpeto recente, mas permanecem voláteis, refletindo um equilíbrio frágil entre alívio diplomático e riscos de escalada.
No Brasil, o governo acelera medidas para conter os efeitos da alta do petróleo sobre a economia. A estratégia combina desonerações, crédito e ajustes operacionais, numa tentativa de evitar repasses imediatos ao consumidor.
Entre as iniciativas já adotadas, estão a isenção de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e a criação de linhas de crédito para o setor aéreo, com capital de giro de R$ 1 bilhão e um programa mais amplo que pode alcançar R$ 7,5 bilhões via FNAC, com apoio do BNDES. O objetivo é garantir liquidez às companhias diante da escalada dos custos, embora a demora na regulamentação ainda gere incertezas.
No segmento de combustíveis, a Vibra indicou adesão ao programa de subvenção ao diesel, em um movimento alinhado ao governo e à ANP para dar maior previsibilidade ao mercado e mitigar impactos ao consumidor.
Já no campo emergencial, a Petrobras recuou no leilão de GLP após pressão do governo, mas a falta de clareza sobre a devolução de cerca de R$ 140 milhões em ágio levanta dúvidas sobre a efetividade da medida para reduzir preços.
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Manchetes desta manhã
- Guerra pressiona fretes de exportação no Brasil (Valor)
- Preço do petróleo chega a subir a US$ 98, mas se estabiliza à espera de negociações no Oriente Médio (Folha)
- Venezuela aprova nova lei para abrir a mineração a investidores estrangeiros (Estadão)
- Casa Branca alerta funcionários contra uso de informações privilegiadas em apostas geopolíticas, como o cessar-fogo no Irã (Estadão)
- Allos e Kinea fecham acordo para criar fundo imobiliário de quase R$ 2 bi focado em shoppings (Valor)
Mercado global em clima de cautela antes de negociações entre EUA e Irã
As bolsas da Europa avançam com cautela, à medida que investidores monitoram os desdobramentos das negociações de paz no Oriente Médio e aguardam a divulgação do CPI dos EUA.
Na Ásia, a maioria das praças teve um pregão positivo com otimismo sobre o cessar-fogo no Irã, rumo a uma semana forte, com destaque para as ações chinesas apesar de dados mistos de inflação.
O índice de preços ao consumidor (CPI) da China recuou em março, sinalizando que o impulso nos gastos durante o feriado do Ano Novo Lunar não se sustentou além de fevereiro. Por outro lado, o índice de preços ao produtor (PPI) avançou acima do esperado no mesmo período, refletindo a pressão dos preços mais elevados do petróleo sobre a inflação na porta das fábricas.
Em Nova York, os índices futuros buscam a estabilidade, com investidores cautelosos à espera de avanços no cessar-fogo entre EUA e Irã, enquanto acompanham o início das negociações entre os países neste sábado, no Paquistão.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,03%
- FTSE 100: +0,31%
- CAC 40: +0,79%
- Nikkei 225: +1,84%
- Hang Seng: +0,55%
- Shanghai SE Comp: +0,51%
- Ouro (abr): -0,96%, a US$ 4.771,9 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,02%, aos 98,842 pontos
- Bitcoin: -0,30% a US$ 71.831,76
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Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos futuros sobem levemente nesta sexta-feira, em sessão volátil marcada por incertezas sobre as negociações de paz no Oriente Médio e o fluxo no Estreito de Ormuz. Apesar disso, os contratos da commodity acumulam queda na semana, enquanto o mercado aguarda a reunião entre EUA e Irã no Paquistão, após um cessar-fogo ainda considerado frágil.
O Brent/junho opera em leve alta de 0,27%, cotado a US$ 96,18 e o WTI/maio avança 0,31%, a US$ 98,17. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,33% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 110,29/ton.
Relatório do Commonwealth Bank of Australia aponta que os preços da commodity seguem pressionados pela oferta e pela incerteza acerca da demanda na China, enquanto o mercado lida com a redução das margens de lucro do aço.
Cenário internacional destaca CPI dos EUA
Nos EUA, o destaque da agenda econômica desta sexta-feira é o CPI de março, que deve trazer os primeiros impactos mais claros da alta dos combustíveis, reforçando a sensibilidade da política monetária ao choque energético.
O mercado também acompanha a divulgação do índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan, enquanto na Europa, a Alemanha publica a leitura final de sua inflação no mesmo período.
O pano de fundo, no entanto, segue sendo geopolítico. O tráfego pelo Estreito de Ormuz permanece praticamente paralisado, enquanto um ataque iraniano ao Oleoduto Leste-Oeste — principal via de exportação da Arábia Saudita — retirou cerca de 700 mil barris por dia do mercado, ampliando as preocupações com a oferta global de petróleo.
Instituições financeiras já começam a recalibrar suas projeções. O Goldman Sachs revisou para baixo suas estimativas de curto prazo para o petróleo, citando a redução do risco imediato. Ainda assim, alerta que o cenário permanece assimétrico, com potencial relevante para novas altas diante de qualquer deterioração no quadro geopolítico.
Cenário nacional
No Brasil, o foco recai sobre o IPCA de março, que será divulgado pelo IBGE às 9h. A expectativa do BTG Pactual é de alta de 0,77% no mês, pressionada sobretudo pelos combustíveis, com a inflação em 12 meses devendo acelerar para 4,07%, ante 3,81% em fevereiro. Antes disso, a FGV publica a primeira prévia do IGP-M.
No front fiscal, o governo tenta reverter na Justiça a decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que manteve a decisão que suspende a cobrança do Imposto de Exportação de petróleo para cinco petroleiras que operam no país, negando recurso da União — um revés para o governo em meio às tentativas de compensar medidas de alívio econômico.
Paralelamente, a equipe técnica avalia antecipar a contratação de gás natural para usinas térmicas, ampliando prazos e adotando uma postura preventiva para garantir o abastecimento de energia em um ambiente global ainda marcado por riscos elevados.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: acertou a compra das participações remanescentes em Tartaruga Verde e no Módulo II de Espadarte por US$ 450 milhões, passando a deter 100% dos ativos.
- JBS: captou US$ 500 milhões com reabertura de título de dívida emitido no fim de março, alongando o cronograma de vencimentos, segundo a S&P Global.
- BRB: convocou assembleias para 30/4 para deliberar sobre balanço, dividendos e remuneração; negou aporte de R$ 30 bilhões no Master e afirmou que informações foram distorcidas.
- IRB: o Goldman Sachs passou a deter 6,07% das ações ordinárias.
- Neoenergia: Iberdrola atingiu cerca de 98% do capital após OPA e dará seguimento ao fechamento de capital.
- Localiza: o Citi reiterou recomendação de compra e elevou preço-alvo de R$ 52 para R$ 55, citando expectativa de resultados fortes no primeiro trimestre.











