O mercado brasileiro de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) encerrou 2025 com patrimônio líquido recorde de R$ 612,4 bilhões, quando foram registrados 891 novos fundos, o maior volume anual da história. Levantamento da Economatica mostra que, além do crescimento acelerado do volume de recursos e do número de fundos, a inadimplência das carteiras que assumem risco de crédito recuou, movimento que contraria o comportamento normalmente esperado em ciclos de alta dos juros.
Os números também evidenciam o avanço da indústria ao longo dos últimos anos. O patrimônio líquido dos FIDCs passou de R$ 33,9 bilhões em 2012 para R$ 612,4 bilhões em 2025, um crescimento superior a 1.700%. Em maio deste ano, o montante registrou aumento de R$ 554,9 bilhões.
A expansão também pode ser observada na evolução recente do patrimônio. Em dezembro de 2023, os FIDCs somavam R$ 381,4 bilhões. O volume subiu para R$ 535,3 bilhões em dezembro de 2024, até chegar valor registrado em dezembro de 2025.
Indústria bate recorde de novos fundos
O estudo analisou mais de 5,2 mil FIDCs registrados no Brasil desde 2003 e mostra que a indústria manteve forte ritmo de crescimento.
Neste ano, um recorte parcial destaca 232 novos fundos, levando o número acumulado para 5.231 FIDCs registrados desde a criação dessa estrutura de investimento.
Confira a evolução da indústria de FIDCs nos últimos anos:
- 2023: 695 novos fundos, com 2.675 fundos ativos
- 2024: 669 novos fundos, totalizando 3.135 fundos ativos
- 2025: 891 novos fundos, elevando o total para 3.819 fundos ativos
Inadimplência dos FIDCs recua em meio aos juros
Além da expansão da indústria, o estudo avaliou a relação entre a inadimplência dos FIDCs e o comportamento dos juros. Na modalidade com aquisição de risco — em que o fundo compra os recebíveis e assume o risco de crédito desses ativos — a inadimplência caiu de 10,96% no primeiro trimestre de 2024 para 6,28% no primeiro trimestre de 2026.
No mesmo período, o CDI acumulado em 12 meses avançou de 12,35% para 14,79%. O CDI é a principal referência das operações de renda fixa no mercado financeiro e costuma acompanhar a trajetória dos juros da economia.
Segundo a Economatica, esse comportamento chama atenção porque segue na direção oposta ao padrão normalmente observado pelo mercado. Em geral, a elevação das taxas de juros tende a reduzir a capacidade de pagamento dos tomadores de crédito, aumentando os índices de inadimplência.
Já nos FIDCs sem aquisição de risco — modalidade em que o fundo atua apenas como intermediário, sem assumir o risco final dos recebíveis — a inadimplência permaneceu em patamar historicamente baixo, encerrando 2025 em 1,81%, o menor nível desde o início da série histórica, em 2012.
Segundo Luis Cineli, head de crédito da Finnet, a capacidade de identificar sinais de deterioração das carteiras antes que eles se convertam em inadimplência tornou-se um dos principais diferenciais competitivos entre gestoras e administradoras de FIDCs.
“Em um cenário de juros oscilantes como o que vivemos, a diferença entre uma carteira saudável e uma carteira problemática está, cada vez mais, na qualidade da gestão de dados. Soluções tecnológicas que permitem cruzar informações de recebíveis, automatizar conciliações bancárias e gerar alertas antecipados de risco de crédito têm sido decisivas para explicar por que a inadimplência dos FIDCs seguiu em queda mesmo com o CDI em níveis elevados”, avalia.
Cineli avalia ainda que a tecnologia deixou de ser suporte e passou a ser parte central da estratégia de gestão de risco desses fundos.











