A escalada da guerra no Oriente Médio coloca o petróleo no centro das atenções dos mercados globais nesta quinta-feira (23), após novos ataques contra petroleiros sauditas elevarem o risco de interrupção no abastecimento global. O conflito ganhou um novo capítulo após rebeldes houthis, aliados do Irã, assumirem a autoria de ataques contra dois petroleiros sauditas, alegando que as embarcações violaram o bloqueio naval imposto pelo grupo à Arábia Saudita. O episódio aumenta o risco de um segundo gargalo para o abastecimento mundial de petróleo, além das restrições já impostas pelo Irã no Estreito de Ormuz.
O movimento impulsiona os contratos do Brent, que voltaram a se aproximar da marca de US$ 100 e caminham para uma valorização mensal de 35,3%, a terceira maior dos últimos dez anos. A escalada também eleva o prêmio de risco inflacionário embutido nas curvas de juros, à medida que investidores passam a precificar o impacto de uma energia mais cara sobre a inflação mundial.
O cenário geopolítico permanece deteriorado. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter concluído, durante a madrugada, a 12ª noite consecutiva de ataques ordenados pelo presidente Donald Trump contra alvos militares iranianos. Segundo os militares americanos, foram atingidas instalações marítimas, depósitos de mísseis e drones, centros de vigilância costeira e sistemas de defesa aérea.
Na quarta-feira, Trump voltou a endurecer o discurso e afirmou que os Estados Unidos destruirão uma ponte ou uma usina elétrica iraniana sempre que o Irã atacar embarcações no Estreito de Ormuz. Em resposta, o comando militar conjunto do Irã advertiu que qualquer ataque à sua infraestrutura levará à retaliação contra instalações regionais ligadas aos setores de petróleo, gás, eletricidade e economia.
Durante a cúpula da ASEAN, em Manila, nas Filipinas, nesta quinta-feira, o secretário de Estado americano afirmou que o Irã estaria buscando negociações. Segundo Rubio, Teerã tem transmitido, direta e indiretamente, pedidos para retomar conversas e firmar um acordo. O secretário acrescentou que, sempre que um cessar-fogo é negociado, autoridades iranianas acabam rompendo ou alterando os termos, razão pela qual, segundo ele, “o preço continuará aumentando a cada noite”.
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, reafirmou a doutrina de defesa do país baseada no princípio de “olho por olho”. Em publicação na rede X, o diplomata afirmou que qualquer agressão contra o Irã, incluindo ataques à infraestrutura nacional, provocará uma resposta “poderosa e decisiva”.
Em paralelo, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, por 216 votos a 214, uma proposta orçamentária que destina US$ 95 bilhões em novos gastos, majoritariamente voltados ao conflito no Oriente Médio. A aprovação abre caminho para que os republicanos utilizem o mecanismo de reconciliação no Senado, permitindo a aprovação do financiamento sem depender dos votos da oposição democrata.
Do total previsto, US$ 60 bilhões serão destinados diretamente ao Pentágono, além do orçamento militar de aproximadamente US$ 1 trilhão já previsto para este ano. Estimativas divulgadas em março apontavam que a guerra contra o Irã custava aos contribuintes americanos mais de US$ 890 milhões por dia, considerando operações aéreas e navais, forças terrestres, sistemas de armas e interceptação de mísseis, sendo o início da campanha militar a fase mais onerosa.
Brasil amplia programa para empresas afetadas pelas tarifas dos EUA
No Brasil, o governo federal lançou nesta quarta-feira a terceira etapa do programa Brasil Soberano, voltado ao apoio de empresas exportadoras afetadas pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A Medida Provisória destina R$ 18,5 bilhões em financiamentos, sendo R$ 13,5 bilhões provenientes do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do BNDES.
O programa amplia o alcance das etapas anteriores ao incluir empresas atingidas pelas investigações comerciais das Seções 301 e 232 da legislação americana, além de permitir a inclusão de novos setores caso outras restrições sejam anunciadas.
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, o programa não terá impacto fiscal. De acordo com o ministro, os R$ 13,5 bilhões correspondem a recursos não utilizados do Brasil Soberano I, enquanto os R$ 5 bilhões restantes serão complementados pelo BNDES.
Além das empresas afetadas pelas tarifas americanas, o Brasil Soberano III atenderá setores impactados por conflitos internacionais, como o de fertilizantes, e segmentos considerados estratégicos para a balança comercial, entre eles o de minerais críticos. Os recursos também poderão ser utilizados para apoiar setores que venham a ser atingidos pela possível tarifa de 12,5% relacionada à investigação americana sobre falhas no combate ao trabalho forçado. A expectativa do governo é que o anúncio dessa nova alíquota ocorra até o fim desta semana.
Manchetes desta manhã
- Tesouro tenta vender ao mercado plano para recuperar grau de investimento (Valor)
- Conselho da Vale quer destituir adversário de Ollie por suposto vazamento de informações (Folha)
- Nubank quer crescer além de MEIs e mira empresas que faturam até R$ 4,8 milhões por ano (Estadão)
- UE multa Google em US$ 1 bi por violar legislação em serviço de buscas e loja de aplicativos (O Globo)
Noticiário de tecnologia, juros e alta do petróleo ditam o ritmo do mercado global
As bolsas da Europa operam em queda, à espera da decisão sobre os juros do Banco Central Europeu (BCE). A expectativa é de manutenção das taxas, mas o foco estará na coletiva da presidente Christine Lagarde, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.
A persistente alta do petróleo amplia as incertezas sobre a inflação e aumenta a importância das sinalizações do BCE para setembro.
Na Ásia, os mercados foram impulsionadas pelas ações de tecnologia. O destaque foi a Coreia do Sul, onde o Kospi avançou 4,40%, com ganhos de 3,7% da Samsung e 4,9% da SK Hynix, refletindo o otimismo com o setor de inteligência artificial. No país, o PIB também surpreendeu ao crescer 3,7% em junho ante abril.
No Japão, o Nikkei subiu 0,46%, apoiado pela alta de 3,8% das ações do SoftBank, um dos principais investidores globais em IA.
Em Nova York, os índices futuros operam em baixa, com investidores voltando o foco para os custos crescentes da corrida pela inteligência artificial. Nem mesmo o balanço acima das expectativas da Alphabet foi suficiente para dissipar as dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em IA.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,26%
- FTSE 100: -0,17%
- CAC 40: -1,13%
- Nikkei 225: +0,46%
- Shanghai SE Comp: +0,25%
- Hang Seng: +1,28%
- Ouro (jun): -1,92%, a US$ por 4.072,30 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,23%, aos 101,35 pontos
- Bitcoin: -0,55% a US$ 65.277,0
Commodities
- Petróleo: a commodity amplia os ganhos, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Um petroleiro foi atingido próximo à costa da Arábia Saudita, em ataque reivindicado pelos houthis do Iêmen, aliados do Irã, elevando os temores de novas interrupções na oferta global. O episódio ocorre após ameaças do presidente Donald Trump contra infraestruturas iranianas e da promessa de retaliação de Teerã caso os EUA avancem com as ofensivas.
Com o agravamento do conflito, o Brent caminha para uma valorização mensal de 35,3%, a terceira maior dos últimos dez anos. Há pouco, o Brent/setembro registrava alta de 5,06%, cotado a US$ 98,83. Já o WTI/agosto subia 4,42%, a US$ 90,71. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,74% em Dalian, na China, cotado a US$ 110,40 a tonelada.
Segundo a Nanhua Futures, o ritmo dos embarques globais de minério de ferro perdeu força após o avanço registrado no primeiro semestre. A consultoria destaca que a sazonalidade deve manter a chegada de cargas aos portos chineses em níveis reduzidos nas próximas duas semanas, mas avalia que a demanda segue pressionada pela queda da rentabilidade das siderúrgicas, limitando o potencial de alta dos preços no curto prazo.
Cenário internacional – alta do petróleo deve pesar sobre decisão do BCE
Na Europa, as atenções se voltam para a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que anuncia os juros, seguida pela entrevista da presidente Christine Lagarde. A expectativa do mercado é de manutenção da taxa de depósito em 2,25%, mas a escalada da guerra no Oriente Médio e a disparada do petróleo aumentam a expectativa por um discurso mais cauteloso sobre os riscos para a inflação e os próximos passos da política monetária.
Embora uma alta de juros nesta reunião seja considerada improvável, dirigentes do BCE já sinalizam que setembro permanece em aberto.
Na agenda econômica, a confiança empresarial da França avançou para 97 pontos em julho, o maior nível em quatro meses, segundo o INSEE, mesmo diante da intensificação do conflito no Oriente Médio e das ondas de calor recordes no país.
Na Ásia, o iene voltou a perder força e caiu ao menor nível em 40 anos, cotado a 163,30 por dólar, em meio à expectativa de que o Banco do Japão mantenha uma postura cautelosa em relação à alta dos juros.
O avanço do petróleo também deteriora as perspectivas para a economia japonesa, tornando o iene a moeda de pior desempenho entre as divisas do G10. Enquanto isso, o rendimento dos títulos japoneses de dois anos alcançou o maior patamar em 31 anos.
Brasil acompanha Yellen, ex-Fed, na Expert XP
No Brasil, a agenda de indicadores é esvaziada. O destaque fica para a participação da ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos e ex-presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, na Expert XP, onde discutirá o cenário da economia global.
Na frente doméstica, o Ministério da Fazenda publicou a Portaria nº 2.170, que regulamenta a equalização de juros das operações de crédito do Plano Safra 2026/27. A norma define as instituições financeiras habilitadas, os limites de recursos, as fontes de financiamento e a metodologia de cálculo da compensação paga pelo Tesouro aos bancos para viabilizar financiamentos rurais com juros abaixo do custo de captação.
O governo também avalia que não será necessária suplementação orçamentária para bancar a equalização dos juros do programa. As regras abrangem operações contratadas entre 1º de julho de 2026 e 30 de junho de 2027, além de financiamentos de capital de giro para cooperativas agropecuárias firmados até 30 de dezembro de 2026.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: o Conselho aprovou a destituição de Marcelo Gasparino por vazamento de informações confidenciais, decisão ainda sujeita à assembleia.
- Petrobras: recebeu mais R$ 1,7 bilhão do programa de subvenção ao diesel, elevando o total recebido para R$ 6,4 bilhões.
- Banco do Brasil: avança na preparação das linhas de renegociação de dívidas rurais previstas na MP 1.376.
- BRB: negou problemas de liquidez e afirmou seguir cumprindo normalmente suas obrigações.
- B3: contratou Eduardo Neves, ex-Itaú Chile, para comandar a vice-presidência de Tecnologia.
- Marfrig: pagará R$ 579 milhões em dividendos intermediários no dia 24 de julho.
- Grupo Abra/Gol: negocia com a Etihad Airways o arrendamento de um Airbus A330-900 com início previsto para novembro de 2026.











