A última sessão de julho inicia com maior apetite por risco, embalada por uma nova onda de otimismo com o setor de tecnologia. O desempenho acima do esperado de Microsoft e Amazon renovou a confiança dos investidores no potencial da inteligência artificial, impulsionando os futuros de Wall Street e as bolsas asiáticas nesta sexta-feira (31). O movimento reduz, ao menos por ora, o peso das tensões no Oriente Médio sobre os mercados, embora a guerra entre Estados Unidos e Irã continue no centro das atenções e mantenha o petróleo sob forte volatilidade.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta sexta-feira (31), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
Os balanços das duas empresas reforçaram a percepção de que o ciclo de investimentos em inteligência artificial segue acelerado, sustentado por uma demanda robusta por infraestrutura e serviços ligados à tecnologia. A reação foi imediata nos mercados asiáticos: o índice Kospi, da Coreia do Sul, registrou o maior ganho diário de sua história, refletindo a melhora do sentimento global em relação ao setor de tecnologia.
Apesar do alívio nas bolsas, a geopolítica segue como um dos principais fatores de risco para os mercados. Os ataques entre Estados Unidos e Irã continuaram na quinta-feira, mas, até o momento, sem uma escalada qualitativa que ampliasse significativamente o temor de interrupções na oferta global de petróleo. Ainda assim, a commodity segue sensível aos desdobramentos do conflito. Depois de abrir a sessão em queda, os contratos voltaram a subir e caminham para encerrar julho com o maior ganho mensal desde março, evidenciando que o prêmio de risco geopolítico permanece incorporado aos preços.
Nesta sexta-feira, o Irã afirmou ter atacado instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein em retaliação a uma nova onda de bombardeios americanos. Segundo Teerã, um drone iraniano atingiu abrigos de aeronaves, sistemas de comunicação por satélite e instalações de armazenamento na base aérea de Ahmad al-Jaber, no Kuwait.
Outro ponto acompanhado de perto pelos investidores é o Estreito de Ormuz, que permanece fechado. Ao mesmo tempo, avançam as negociações entre Irã e Omã sobre a administração da passagem estratégica, movimento que ajuda a reduzir parte das tensões iniciais provocadas pela retomada da guerra.
O cenário geopolítico também ganhou novos contornos com o anúncio de uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, formada por 14 países, para proteger a navegação no Mar Vermelho e no Estreito de Bab al-Mandab. Em resposta, os houthis prometeram retaliar qualquer ofensiva conduzida pelos sauditas.
Na frente diplomática e econômica, os Estados Unidos ampliaram a pressão sobre Teerã ao impor novas sanções contra empresas e indivíduos na China, Índia, Rússia e Irã supostamente ligados à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Pequim, no entanto, negou qualquer apoio ao governo iraniano e voltou a defender uma solução diplomática para o conflito.
Brasil: governo avalia endurecer arcabouço fiscal para reforçar ajuste das contas públicas
No cenário doméstico, o foco recai sobre a política fiscal. O governo federal estuda reduzir de 2,5% para 1,5% o limite anual de crescimento real das despesas previsto no arcabouço fiscal, em uma sinalização de que busca fortalecer a trajetória de consolidação das contas públicas.
A possibilidade foi confirmada pelo secretário do Tesouro Nacional substituto, David Athayde, durante entrevista coletiva para comentar os resultados fiscais divulgados na quinta-feira. Questionado sobre uma eventual mudança na regra, Athayde afirmou que a medida está em estudo no Ministério da Fazenda e integra o conjunto de iniciativas analisadas para reforçar o ajuste fiscal, mas ressaltou que ainda não há decisão nem prazo para sua implementação.
Segundo o secretário, o compromisso da equipe econômica é elevar gradualmente o superávit primário, passando de 0,25% do PIB neste ano para 1,5% do PIB em 2030. Para atingir esse objetivo, afirmou, será necessário manter uma política fiscal rigorosa e avançar em medidas de controle das despesas obrigatórias, tema que segue em discussão dentro do governo, embora ainda sem definição sobre quando as propostas poderão ser encaminhadas.
Manchetes desta manhã
- Ex-veteranos do Bradesco vencem disputa para comprar filial do banco CGD no Brasil (Valor)
- Auditoria do TCU aponta indícios de irregularidade em renovação bilionária de terminal no porto de Santos (Folha)
- Cooperativas devem movimentar R$ 1 trilhão em receita até o final de 2028, estima organização (Estadão)
- Com dívida pública acima de R$ 10 tri, Lula deve terminar terceiro mandato com déficit recorde ( O Globo)
Mercado global opera em alta com recuperação do otimismo em inteligência artificial
Na Ásia, os mercados encerraram a semana em alta, com destaque para o Kospi, da Coreia do Sul, que disparou 17,91%, o maior ganho diário de sua história, impulsionado pelo forte desempenho das gigantes de tecnologia em Wall Street. As ações da gigante de semicondutores Samsung Electronics avançaram 26,8%, enquanto a fabricante de chips de memória SK Hynix saltou 30%.
No Japão, o BoJ manteve os juros inalterados e reiterou sua avaliação de crescimento moderado da economia, apesar dos riscos geopolíticos e da alta do petróleo.
As bolsas europeias também operam em alta, embaladas pelo rali das ações de tecnologia após o balanço acima das expectativas da Microsoft. Entre os destaques do setor, a Infineon Technologies sobe 5,99%, a Soitec avança 5,36% e a ASML ganha 1,36%, refletindo o renovado otimismo com os investimentos em inteligência artificial.
Na temporada de balanços, o NatWest dispara 5,41% após divulgar lucro acima das expectativas e elevar suas projeções para o ano.
Em Nova York, os índices futuros consolidam desempenho positivo, à medida que a temporada de balanços volta a impulsionar o apetite por risco.
O destaque fica para a Amazon, que superou as expectativas do mercado no segundo trimestre e renovou o otimismo dos investidores com as gigantes de tecnologia, especialmente diante da forte demanda por inteligência artificial e da continuidade dos investimentos no segmento.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,47%
- FTSE 100: +0,24%
- CAC 40: +0,81%
- Nikkei 225: +4,03%
- Shanghai SE Comp: +0,72%
- Hang Seng: +0,10%
- Ouro (jun): -1,12%, a US$ por 4.054,00 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,38%, aos 100,36 pontos
- Bitcoin: -1,84% a US$ 63.715,5
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam em alta, recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior, e caminham para fechar julho com o maior ganho mensal desde março. A valorização reflete a persistência das tensões geopolíticas no Oriente Médio, com os conflitos entre EUA e Irã e os confrontos no Mar Vermelho envolvendo Arábia Saudita e os houthis mantendo elevado o prêmio de risco da commodity.
Apesar dos sinais de aumento no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, analistas avaliam que os riscos para a oferta global seguem elevados. O Brent/setembro avança 0,73%, cotado a US$ 89,68 e o WTI/setembro sobe 0,92%, a US$ 84,36. - Minério de ferro: fechou em queda de 1,31% em Dalian, na China, cotado a US$ 106,04 a tonelada, pressionado pela redução das expectativas de novos estímulos econômicos na China.
Segundo Ryan Felsman, analista do Commonwealth Bank of Australia, o Politburo chinês demonstrou pouco apetite para anunciar medidas que impulsionem o consumo de aço no segundo semestre. Como a demanda por minério de ferro está diretamente ligada à produção de aço, o cenário pesa sobre os preços do produto.
Cenário internacional
A temporada de resultados corporativos continua movimentando os mercados nesta sexta-feira. Antes da abertura de Wall Street, os investidores acompanham os balanços das gigantes do petróleo Exxon Mobil e Chevron, que podem trazer novos sinais sobre o desempenho do setor em meio à volatilidade dos preços da commodity provocada pelas tensões no Oriente Médio.
Na Ásia, o Banco do Japão (BoJ) manteve a taxa básica de juros em 1%, conforme amplamente esperado pelo mercado, após a elevação de 0,25 ponto percentual promovida em junho. A decisão foi acompanhada de uma comunicação considerada branda pelos investidores, o que levou o iene a ampliar as perdas frente ao dólar e reacendeu as apostas de uma possível intervenção cambial por parte das autoridades japonesas.
Na Europa, a inflação voltou a ganhar força. A taxa anual da zona do euro acelerou para 2,9% em julho, ante 2,8% em junho, permanecendo bem acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE), segundo estimativa preliminar do Eurostat. O avanço foi impulsionado principalmente pelos preços da energia, cuja inflação subiu de 8,5% para 10%, refletindo a retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã.
Na França, o movimento foi semelhante. A inflação ao consumidor acelerou para 2,4% em julho, de 2% no mês anterior, de acordo com dados harmonizados divulgados pelo Insee. Assim como no bloco europeu, a alta foi puxada pelos preços de energia e serviços, enquanto a trajetória da inflação seguirá condicionada aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Agenda fiscal, balanços da Vale e OPA do Santander movimentam os mercados
No Brasil, a agenda econômica é mais enxuta nesta última sessão de julho, mas concentra indicadores relevantes para o mercado. Os investidores acompanham a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (IPP) e do resultado primário do governo central. A expectativa do Itaú é de um déficit de R$ 51,9 bilhões, melhor que o saldo negativo de R$ 56,1 bilhões registrado na divulgação anterior.
No noticiário corporativo, o mercado repercute o balanço da Vale (VALE3). A mineradora informou queda de 35% no lucro do segundo trimestre, mas anunciou a distribuição de aproximadamente R$ 2 por ação em juros sobre capital próprio (JCP), o que mantém a empresa no foco dos investidores.
Também chama atenção a proposta do Santander de realizar uma oferta pública de aquisição (OPA) voluntária por permuta para comprar todas as ações do Santander Brasil (SANB11) que ainda não pertencem ao grupo espanhol, movimento que pode levar ao fechamento de capital da subsidiária brasileira.
A temporada de resultados também segue no radar doméstico. Após o fechamento do mercado, a AgroGalaxy divulga seus números do quarto trimestre.
No campo político e diplomático, o governo do Paraguai convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, para apresentar uma reclamação formal sobre declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito das origens da Guerra do Paraguai.
A convocação ocorreu uma semana após Lula citar o conflito, durante um discurso em defesa de maiores investimentos em defesa e segurança, reacendendo um tema historicamente sensível na relação entre os dois países.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: elegeu Reinaldo Duarte Castanheira Filho como vice-presidente do Conselho de Administração e Wilfred Theodoor Bruijn como Lead Independent Director.
- Raízen: teve homologado pela Justiça de São Paulo seu plano de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 61,4 bilhões em dívidas, com adesão de 81,6% dos credores.
- Gol: será uma das beneficiadas pela linha de R$ 13,2 bilhões anunciada pelo BNDES para apoiar as principais companhias aéreas diante dos impactos da guerra no Oriente Médio.
- Latam: receberá acesso à nova linha de financiamento do BNDES voltada ao setor aéreo para mitigar os efeitos da alta dos custos provocada pelo conflito no Oriente Médio.
- Azul: além de participar da linha de crédito para o setor, classificou como um marco a possibilidade de captar até R$ 2,6 bilhões por meio do FNAC.
- Movida: aprovou aumento de capital de até R$ 152,4 milhões e confirmou o pagamento dos JCP anunciados anteriormente para 11 de setembro.
- Sabesp: teve aprovada pelos acionistas a incorporação das ações da Emae, que passará a ser subsidiária integral da companhia.
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