Os mercados globais operam mistos nesta segunda-feira (17), monitorando o fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, previsto para expirar hoje, sem indicação de acordo para sua extensão. A ausência de avanços diplomáticos, combinada à intensificação dos confrontos, mantém elevado o risco de uma nova escalada no Oriente Médio e pressiona as cotações do petróleo.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta segunda-feira (17), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
Nas últimas semanas, EUA e Irã voltaram a trocar ataques de maior intensidade. Na sexta-feira (14), o presidente Donald Trump aumentou a tensão ao afirmar que os EUA pretendem declarar o Estreito como “território norte-americano”, proposta rejeitada de imediato por Teerã.
O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que o Estreito de Ormuz “não pode ser tomado por tuítes, porta-aviões ou discursos políticos” e reiterou que a decisão de manter a passagem aberta ou fechada depende exclusivamente do Irã. Apesar do confronto, os dois países seguem com contatos indiretos por meio de intermediários, como Catar e Paquistão, mas permanecem distantes de uma negociação formal.
A indefinição elevou novamente a atenção sobre o mercado de petróleo. Depois de recuarem durante a madrugada, as cotações voltaram a subir diante do impasse diplomático. O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz caiu para apenas cinco embarcações no último fim de semana, ante 31 no fim de semana anterior, segundo a Kpler. O movimento representa uma queda de 90% na navegação pela região desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, e ocorre após o fluxo já ter atingido o menor nível em três meses na semana passada.
O mercado também acompanha os novos ataques de Israel contra o Líbano, incidentes envolvendo embarcações no Estreito de Ormuz e a possibilidade de novas sanções dos EUA contra o Irã. Os confrontos registrados no fim de semana aumentam o risco de novas dificuldades nas negociações.
Trump afirmou que o principal objetivo dos EUA continua sendo impedir que o Irã tenha uma arma nuclear. Paralelamente, o presidente disse existir um canal de comunicação alternativo com integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica. O Irã, por sua vez, instou os EUA a “aceitarem a derrota”, enquanto Trump alertou os americanos para a possibilidade de preços mais altos da gasolina.
Brasil – Casas Bahia entra em recuperação judicial
No mercado doméstico, repercute o pedido de recuperação judicial das Casas Bahia na noite deste domingo (16), em processo apresentado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A companhia informou um passivo total de R$ 17,3 bilhões e solicitou uma liminar para impedir o vencimento antecipado de dívidas e evitar a retenção de produtos por transportadoras, situação que, segundo fontes próximas ao caso, já estaria ocorrendo.
A maior parcela da dívida, de aproximadamente R$ 16,4 bilhões, está na classe 3, formada por credores quirografários, que não contam com garantias. Outros R$ 754 milhões correspondem a credores trabalhistas, enquanto cerca de R$ 154 milhões envolvem microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP).
O pedido ocorre após a companhia divulgar seu relatório de resultados e alertar para riscos à continuidade operacional. O documento também mencionava a possibilidade de recorrer à recuperação judicial ou a uma nova recuperação extrajudicial diante da deterioração do negócio.
A Casas Bahia acumula balanços trimestrais negativos desde 2024 e registrou prejuízo em 20 dos 30 trimestres desde a saída do controle do GPA, em 2019. Neste ano, a varejista buscava novas fontes de crédito no mercado para reforçar a operação, mas passou a enfrentar maior pressão sobre o capital de giro.
Apesar da redução da alavancagem após a renegociação realizada durante uma recuperação extrajudicial há dois anos, a situação financeira se deteriorou. No segundo trimestre, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, 18 vezes acima da perda de R$ 555 milhões apurada no mesmo período do ano anterior.
O resultado foi pressionado por baixas de ágio e de impostos, além de contingências associadas ao fechamento de 298 lojas realizado na última sexta-feira (14). Com o pedido de recuperação judicial, o foco agora se volta para a renegociação das dívidas, a preservação do capital de giro e a capacidade da companhia de manter suas operações.
Manchetes desta manhã
- Crédito privado ensaia retomada, mas restrita a emissores de baixo risco (Valor)
- Mercado de delivery adota práticas que estimulam concentração e afugentam rivais, diz Cade (Folha)
- Gastômetro de Lula mostra que presidente já gastou R$ 278,3 bilhões para tentar reeleição (Estadão)
- Inadimplência já atinge 9,1 milhões de empresas no país com R$ 232 bi de dívidas em atraso ( O Globo)
Mercado global – futuros os EUA operam mistos diante do impasse entre EUA e Irã
Em Nova York, os índices futuros do Nasdaq e do S&P abriram em alta, com a redução das apostas na alta dos juros na reunião do Fed de setembro, após uma sequência de dados mais fracos sobre a economia americana.
Já as bolsas europeias operam próximas da estabilidade, com investidores acompanhando o impasse no Oriente Médio e a trajetória dos preços do petróleo, que voltaram a subir após recuarem durante a madrugada.
O setor de matérias-primas avança, apoiado pela valorização do ouro e do cobre. Entre os destaques, as ações da Antofagasta subiam 1,42%, enquanto Hochschild Mining avançava 3,17%.
Na Ásia, a sessão foi positiva, impulsionada pelas ações de tecnologia, enquanto investidores avaliaram dados econômicos do Japão e a relativa trégua nos preços do petróleo, apesar do impasse entre Estados Unidos e Irã.
No Japão, o PIB cresceu 1,1% no segundo trimestre, abaixo dos 2% esperados. O ritmo mais fraco da economia pode dar ao Banco do Japão (BoJ) maior espaço para adiar novos aumentos de juros. Na Coreia do Sul, o mercado ficou fechado devido a um feriado nacional.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,15%
- FTSE 100: +0,16%
- CAC 40: -0,15%
- Nikkei 225: +0,74%
- Shanghai SE Comp: +1,41%
- Hang Seng: +1,34%
- Ouro (jun): -0,02%, a US$ por 4.436,30 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,21%, aos 99,46 pontos
- Bitcoin: +0,86% a US$ 63.558,7
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam em alta moderada, após queda na madrugada, com o mercado de olho no aumento das tensões no Oriente Médio e no impasse nas negociações de paz. A pressão sobre as cotações ocorre em meio a novos ataques de Israel ao Líbano, incidentes com embarcações no Estreito de Ormuz e à possibilidade de novas sanções dos EUA contra o Irã. O cessar-fogo entre os dois países tem término formal previsto para hoje.
O Brent/outubro avança 0,77%, cotado a US$ 89,20 e WTI para setembro sobe 0,35%, a US$ 82,69. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,70% em Dalian, na China, cotado a US$ 104,82/ton.
Cenário internacional – EUA reduzem reservas de petróleo ao menor nível em décadas
Nos EUA, a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) caiu abaixo de 300 milhões de barris, atingindo o menor patamar desde que as cavernas de armazenamento foram preenchidas, no início dos anos 1980. O governo acelerou a liberação dos estoques para tentar conter a alta dos preços em meio à crise envolvendo o Irã, mas especialistas alertam que a redução pode representar um risco para a própria estrutura de armazenamento da reserva.
Na Ásia, os dados divulgados nesta segunda-feira apontam desaceleração da atividade econômica chinesa em julho. As vendas no varejo cresceram 0,6% na comparação anual, abaixo da expectativa de alta de 1,5% e do avanço de 1% registrado em junho. O investimento em ativos fixos urbanos também apresentou piora, com queda de 6,7% no acumulado do ano até julho, ante retração estimada de 6% e recuo de 5,7% registrado no primeiro semestre. A produção industrial avançou 4,5% em julho, mas ficou abaixo da projeção de 4,8%.
Na sexta-feira, os Estados Unidos pressionaram a União Europeia a flexibilizar as regras que responsabilizam grandes empresas pelos impactos ambientais e sociais de suas cadeias globais de fornecedores. Washington argumenta que o bloco europeu havia se comprometido a garantir que essas medidas não criassem obstáculos ao comércio entre as duas regiões.
O embaixador dos EUA na União Europeia, Andrew Puzder, afirmou em publicação na rede X que os 27 países do bloco deveriam cumprir os compromissos assumidos nas negociações comerciais com o presidente Donald Trump em Turnberry, na Escócia, em julho de 2025, incluindo a redução das chamadas barreiras não tarifárias.
Brasil concentra agenda de indicadores nesta segunda
No Brasil, a semana começa com uma agenda carregada de indicadores econômicos. A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga o IPC-S da segunda semana e o IGP-10, enquanto o Banco Central publica o Boletim Focus, que reúne as projeções do mercado para os principais indicadores da economia, e o IBC-Br de junho, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).
Também está prevista para hoje a divulgação da Balança Comercial Semanal, com os dados mais recentes do comércio exterior brasileiro.
No mercado de câmbio, o Banco Central realiza, às 10h30, dois leilões de linha para a rolagem de vencimentos previstos para setembro.
Na agenda das autoridades, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, participa da abertura da 27ª Conferência Anual Santander.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: STF marcou para 21 de agosto o julgamento sobre a tributação dos lucros da companhia no exterior
- Marabraz: pede recuperação judicial com dívidas de aproximadamente R$ 140 milhões, em meio a juros elevados e disputas societárias.
- Santander: elevou para R$ 31,21 por unit o valor implícito da OPA para minoritários, prêmio de 23,6% sobre a cotação na data do anúncio.
- Sabesp: aprovou emissão de R$ 178 milhões em debêntures, com vencimento em dezembro de 2034 e remuneração prefixada de 3,50% ao ano.
- Aegea: André Pires de Oliveira Dias deixou as diretorias Financeira e de RI, que serão ocupadas interinamente por Yaroslav Memrava Neto.
- Tecnisa: poderá propor grupamento de ações caso os papéis não voltem a ser negociados acima de R$ 1 até 31 de agosto.
- Berkshire Hathaway: elevou em cerca de 80% sua participação na Alphabet, que passou a ser o terceiro maior investimento acionário do conglomerado, atrás de Apple e American Express.
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