Os mercados globais operam em tom positivo nesta sexta-feira (21), em meio à melhora do apetite por risco, mas ainda sob influência da pressão exercida pelos juros dos Treasuries. A elevação dos rendimentos dos títulos longos persiste mesmo após o governo dos Estados Unidos ampliar as recompras de sua dívida, sinalizando que a medida tem efeito limitado diante das preocupações com a trajetória fiscal americana.
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Ontem, os juros de longo prazo voltaram a avançar, com o rendimento da T-note de 10 anos novamente próximo de 4,7%, enquanto o T-bond de 30 anos alcançou 5,25%. O movimento reforça a percepção de que o aumento das recompras não é suficiente para neutralizar as preocupações com o endividamento dos Estados Unidos, cuja dívida pública já ultrapassou US$ 40 trilhões. O efeito da medida, que elevou de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões o limite das operações, durou menos de 24 horas e é considerado modesto diante da dimensão do mercado.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, foi a público para defender a estratégia e afirmou que o governo poderá ampliar novamente as recompras nos próximos meses. Bessent negou que a iniciativa tenha relação com a política monetária do Federal Reserve (Fed) ou represente um risco inflacionário, além de prometer maior atenção à consolidação fiscal. Na avaliação do secretário, os atuais rendimentos dos Treasuries não correspondem aos fundamentos da economia americana.
No mercado de commodities, o petróleo mantém trajetória de alta e avança pela sexta sessão consecutiva, diante do endurecimento da ofensiva econômica de Washington contra o Irã. Bessent afirmou que os Estados Unidos pretendem impor ao país as “sanções mais duras da História” e buscarão o apoio de aliados para ampliar o isolamento econômico de Teerã.
A ofensiva dá continuidade à “guerra econômica” anunciada pelo presidente Donald Trump e amplia as preocupações sobre os efeitos das sanções sobre o mercado de petróleo. O Irã, por sua vez, não indicou disposição para ceder às pressões. O governo afirmou que utilizará todos os meios disponíveis em resposta às medidas americanas, enquanto a Guarda Revolucionária voltou a ameaçar o emprego de armas mais destrutivas caso o conflito seja retomado, mantendo no radar o risco de uma nova escalada militar.
Nesta sexta-feira, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian defendeu o fim imediato da guerra, sob o argumento de que o país se encontra em uma posição de força e que sua vitória já é reconhecida internacionalmente. “É melhor acabar com a guerra agora, enquanto estamos em uma posição de força e dignidade, e o mundo inteiro reconhece nossa vitória e vê que os Estados Unidos são odiados em todo o planeta e atacaram nossas escolas, hospitais e infraestruturas, violando todas as normas”, afirmou durante uma reunião com profissionais da saúde.
Na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou como “terrorismo econômico” e “crimes contra a humanidade” o anúncio de Washington de que pretende ampliar as sanções para isolar a República Islâmica o máximo possível.
Bessent deve detalhar as novas medidas na segunda-feira (24). Na véspera, o secretário afirmou que a ofensiva terá potencial para provocar o “colapso” do regime iraniano.
Brasil: Indústria registra déficit comercial recorde no semestre
No Brasil, a indústria de transformação encerrou o primeiro semestre com déficit comercial recorde de US$ 38,2 bilhões, o pior resultado da série histórica iniciada em 2000. Entre janeiro e junho de 2025, o saldo negativo havia sido de US$ 37 bilhões, então o segundo maior déficit registrado no período. O desempenho contrasta com o resultado da balança comercial brasileira como um todo, sustentada pelas exportações de commodities: entre janeiro e julho, o país acumulou superávit de US$ 49 bilhões e deve encerrar 2026 com saldo positivo acima das projeções formuladas no início do ano.
Segundo dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o setor de aeronaves foi um dos destaques positivos da indústria de transformação, com as exportações retomando, após sete anos, o patamar anterior à pandemia. O avanço fez o déficit comercial desse segmento ficar próximo de um décimo do registrado no primeiro semestre de 2025. Em outros ramos, porém, os déficits atingiram os maiores níveis para os seis primeiros meses do ano desde 2000, principalmente devido ao avanço das importações.
Entre janeiro e junho, a indústria de transformação exportou US$ 94,7 bilhões, alta de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025. As importações cresceram 5,9% na mesma comparação, mas partiram de uma base maior e alcançaram US$ 132,9 bilhões. O resultado levou o déficit comercial do setor ao recorde de US$ 38,2 bilhões no primeiro semestre.
Manchetes desta manhã
- Braskem: negociações com credores se intensificaram potenciais e medidas de proteção estão no radar (Valor)
- Trump flexibilizará cotas de importação de carne moída por 90 dias (Folha)
- Ações ligadas a criptos disparam em Wall Street; Strategy salta 10% (Estadão)
- Correios abrem novo PDV mirando 7 mil funcionários, após primeiro plano encerrar abaixo da meta (O Globo)
Mercado global avança apesar da pressão dos Treasures e do petróleo
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta, em tentativa de recuperação após as perdas da véspera. O mercado acompanha novas informações sobre o plano de “guerra econômica” de Donald Trump contra o Irã, enquanto a alta dos rendimentos dos Treasuries segue pressionando os ativos, apesar do aumento das recompras de títulos pelo governo americano.
As bolsas da Europa operam em leve alta, com o recuo do petróleo após cinco sessões consecutivas de ganhos. Enquanto isso, os mercados seguem atentos às tensões no Oriente Médio e à ameaça dos EUA de ampliar a pressão econômica sobre o Irã.
No cenário econômico, os PMIs compostos do Reino Unido e da zona do euro vieram acima das expectativas, enquanto o indicador da Alemanha recuou e ficou abaixo das projeções.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana majoritariamente em alta, com o Kospi avançando 0,88%, impulsionado pelas ações de tecnologia, mas apesar da recuperação, terminou a semana com queda de 0,9%. A SK Hynix subiu 3% no dia e 7% na semana, enquanto a Samsung acumulou alta semanal de 2%.
O Nikkei recuou 0,3% no pregão e acumulou perda de 4,4% na semana, enquanto petróleo e juros globais elevados mantiveram a cautela nos mercados.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,34%
- FTSE 100: +0,15%
- CAC 40: +0,11%
- Nikkei 225: -0,30%
- Shanghai SE Comp: +0,04%
- Hang Seng: +1,21%
- Ouro (jun): +1,30%, a US$ por 4.630,97 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,13%, aos 98,74 pontos
- Bitcoin: +6,78% a US$ 76.814,3
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros voltaram a subir, após operarem em queda mais cedo, em um pregão marcado pela volatilidade. A commodity caminha para encerrar a semana com alta de cerca de 5%, em meio ao aumento da pressão econômica dos Estados Unidos sobre o Irã.
O Brent/outubro avança 0,15%, cotado a US$ 93,92, enquanto o WTI/outubro sobe 0,32%, a US$ 87,11 - Minério de ferro: fechou em alta de 0,21% em Dalian, na China, cotado a US$ 105,25/ton.
Cenário internacional destaca PMIs de agosto
Com a agenda doméstica mais enxuta, os mercados voltam as atenções nesta sexta-feira para a divulgação dos PMIs preliminares de agosto dos Estados Unidos e da Zona do Euro. Os indicadores, que acompanham o desempenho dos setores industrial e de serviços, serão os primeiros dados de atividade referentes ao mês e podem oferecer novas pistas sobre o ritmo da economia global.
No cenário internacional, os Estados Unidos anunciaram novas sanções relacionadas a Cuba nesta quinta-feira. O Departamento do Tesouro designou nove entidades e três indivíduos por supostas atividades consideradas mal-intencionadas contra os interesses americanos. Entre os alvos estão integrantes da liderança do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e o Ministério da Construção de Cuba, acusados de apoiar o governo da ilha.
No Japão, a inflação ao consumidor ganhou força em julho, em um movimento que pode aumentar a pressão sobre o Banco do Japão (BoJ). O núcleo do índice de preços ao consumidor, que exclui alimentos frescos e é acompanhado de perto pela autoridade monetária para as decisões sobre juros, avançou 1,8% em relação a julho do ano passado, ante alta de 1,6% em junho.
O resultado reflete, entre outros fatores, o impacto do choque de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio sobre os preços domésticos. A combinação de inflação mais persistente e a fraqueza do iene reforça as apostas de que o BoJ pode estar próximo de elevar novamente sua taxa de juros na próxima reunião.
Brasil: Governo reforça agenda econômica com foco em IA e investimentos
No Brasil, a agenda do dia começou com entrevista do ministro da Fazenda, Dario Durigan, à Rádio Metrópoles da Bahia. O ministro volta a falar ao mercado às 16h30, em entrevista à GloboNews. Às 18h30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de uma sabatina no SBT, concentrando parte das atenções sobre o cenário político e econômico doméstico.
O governo anunciou nesta quinta-feira investimentos de aproximadamente R$ 2,3 bilhões para ampliar a infraestrutura voltada à inteligência artificial no país. Os recursos serão distribuídos entre projetos desenvolvidos com empresas dos Estados Unidos e da China, em uma estratégia que busca manter relações com as duas principais potências tecnológicas.
Mais da metade do montante, cerca de R$ 1,3 bilhão, será destinada a um projeto de infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro, desenvolvido em parceria com as chinesas Huawei e iFlytek. A iniciativa coloca a expansão da capacidade brasileira de processamento de dados no centro da estratégia do governo para o desenvolvimento do ecossistema de inteligência artificial.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: 19 municípios aderiram ao acordo definitivo de reparação pelo rompimento da barragem de Fundão, elevando para 45 o total de municípios formalmente integrados entre os 49 elegíveis.
- Embraer: Maurício Augusto Silveira de Medeiros deixou o conselho e será substituído por Walcyr Josué de Castilho Araújo
- Latam: confirmou vazamento de dados pessoais de parte dos clientes do programa Latam Pass.
- Aeris: iniciou mediação com credores para renegociar a dívida e pediu à Justiça suspensão de até 60 dias de execuções e cobranças relacionadas aos créditos em negociação.
- Cemig: Mateus Simões admitiu possibilidade de troca na presidência da companhia em eventual negociação de cargos com o União Brasil.
- Oncoclínicas: vendeu 27,49% da joint venture na Arábia Saudita por US$ 6,55 milhões, cerca de R$ 33,3 milhões, com recursos destinados à compra de medicamentos.
- Amil: negociações para venda de 100% da companhia à Advent e Bain avançaram, mas o preço segue como principal impasse; ativo é avaliado em cerca de R$ 17 bilhões.
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