Os mercados iniciam a semana em tom de cautela, com a atenção concentrada no anúncio das novas sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã. A ofensiva, classificada por Washington como a “maior ofensiva financeira” já promovida contra Teerã, ocorre em meio ao agravamento das tensões no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo.
O próximo capítulo da escalada será conhecido às 15h (horário de Brasília), quando o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, fará uma coletiva para apresentar as novas medidas contra o Irã, submetido a sanções econômicas quase contínuas desde a Revolução Islâmica de 1979. Em resposta, Teerã já ameaçou interromper todas as exportações de petróleo do Golfo caso a chamada “guerra econômica” prossiga, ampliando o risco sobre a oferta global de energia.
A tensão ganhou força na sexta-feira (21), após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que não acreditava que o Irã estivesse preparado para fechar o “acordo certo”. Na noite de domingo (23), Bessent reforçou o tom de confronto em publicação na rede social X, ao afirmar que “ao amanhecer começa um D-Day econômico”.
A nova rodada de medidas ocorre depois que Estados Unidos e Irã deixaram expirar uma janela de 60 dias destinada a viabilizar um cessar-fogo, encerrando o mecanismo formal de trégua que buscava colocar fim a uma guerra já em seu sexto mês. Bessent também advertiu que países que funcionem como “artéria financeira” de um regime em processo de derrocada deverão compartilhar o isolamento imposto a Teerã, em um recado aos governos que ainda mantêm relações comerciais com o Irã.
Além das sanções, o próprio funcionamento do Estreito de Ormuz entrou no radar dos mercados. O Irã formalizou nesta segunda-feira (24) que embarcações que descumprirem suas regras de trânsito na região poderão sofrer multas, detenção ou confisco, segundo comunicado da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), órgão criado recentemente pelo país para administrar a via.
A determinação eleva os riscos para empresas de navegação que operam no estreito e orienta proprietários de cargas a consultar uma lista atualizada de embarcações consideradas em desconformidade antes de viagens relacionadas ao Golfo Pérsico.
Nesse contexto, o componente diplomático segue como uma das poucas frentes de negociação. O chanceler de Omã deve viajar a Teerã nesta terça-feira para dar continuidade às discussões sobre o funcionamento do Estreito de Ormuz, em meio à tentativa de evitar uma deterioração ainda maior das condições de navegação e do fluxo de energia pela região.
Brasil: Bolsa Família volta a registrar alta entre beneficiários unipessoais
No Brasil, o foco se volta para os dados do Bolsa Família, com a retomada do crescimento do número de beneficiários unipessoais. Em julho, as famílias unipessoais chegaram a 3,9 milhões, acima dos 3,5 milhões registrados em janeiro deste ano. O volume, contudo, permanece abaixo do pico de 5,9 milhões observado em janeiro de 2023, número correspondente à folha de dezembro de 2022, último mês do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre janeiro e julho deste ano, período que reúne o dado mais recente disponível, foram acrescentadas 344 mil famílias unipessoais ao programa. No conjunto do Bolsa Família, o número de beneficiários também avançou no período, de 18,8 milhões para 19,3 milhões.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a expansão das famílias unipessoais pode ser explicada por oscilações esperadas diante da dimensão do programa e pelos fluxos mensais de entrada e saída, que alteram continuamente o estoque de beneficiários. Em nota, a pasta afirmou não identificar sinais de uma nova divisão artificial de cadastros.
nesse contexto, o governo mantém mecanismos de fiscalização e atualização do Cadastro Único; em julho, inclusive, um acordo judicial estabeleceu mudanças temporárias nos procedimentos para famílias de uma só pessoa.
A avaliação de especialistas segue na mesma direção: a variação estaria dentro da média observada nos últimos meses e também pode refletir mudanças demográficas, diante do aumento do número de pessoas que vivem sozinhas. Ao mesmo tempo, os analistas apontam uma possível saturação dos esforços de regularização cadastral e defendem estudos adicionais, sobretudo em municípios onde a expansão dos beneficiários unipessoais foi mais acentuada ou onde esse grupo representa uma parcela elevada do programa.
Manchetes desta manhã
- Braskem chega a acordo para recuperação extrajudicial (Valor/Pipeline)
- TCU suspende uso de dinheiro esquecido para garantir operações do Novo Desenrola (Folha)
- Quase 70% das despesas do governo federal crescem acima do limite do arcabouço fiscal (Estadão)
- BC quer fazer mudanças no Pix de madrugada para ampliar segurança do sistema ( O Globo)
Mercado global opera em compasso de espera por novas sanções dos EUA contra o Irã
As bolsas da Europa operam próximas da estabilidade, com investidores cautelosos à espera das novas sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã, que serão detalhadas pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, nesta tarde.
No mercado de commodities, o petróleo recua após seis sessões consecutivas de alta, aliviando a pressão sobre as ações de viagens e lazer, que avançam. O setor de matérias-primas também ganha força, impulsionado pela valorização do ouro.
Na Ásia, os mercados fecharam em forte queda, em meio à aversão ao risco e à pressão sobre o setor de semicondutores antes do balanço da Nvidia, na quarta-feira (26). O Kospi caiu 3,12%, pressionado pela Samsung (-8,9%) e pela SK Hynix (-3,4%).
Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,89%, enquanto a Alibaba despencou quase 10% após anunciar uma oferta de ações de US$ 10,2 bilhões, com desconto de 8,4% sobre o fechamento anterior, reacendendo dúvidas sobre os elevados investimentos em inteligência artificial.
Em Nova York, os índices futuros operam em queda, diante das expectativas pela divulgação do PCE, pelos resultados da Nvidia e pelo simpósio de Jackson Hole, que pode trazer novas pistas sobre os rumos dos juros nos Estados Unidos.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,28%
- FTSE 100: +0,15%
- CAC 40: -0,09%
- Nikkei 225: -0,74%
- Shanghai SE Comp: -0,59%
- Hang Seng: -1,89%
- Ouro (jun): +0,83%, a US$ por 4.719,25 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,11%, aos 98,91 pontos
- Bitcoin: +1,69% a US$ 78.513,8
Commodities
- Petróleo: após seis sessões consecutivas de ganhos, os contratos futuros recuam, enquanto investidores aguardam o anúncio de novas sanções dos EUA contra o Irã. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, detalhará as medidas à tarde e afirmou na semana passada que a ofensiva seria a maior campanha de “isolamento econômico coordenado da história mundial”.
O impasse sobre o Estreito de Ormuz permanece, sem sinais de acordo entre Washington e Teerã, mantendo a tensão no mercado de petróleo.
O Brent/outubro cede 1,41%, cotado a US$ 93,06, enquanto o WTI/outubro cai 1,99%, a US$ 85,33. - Minério de ferro: fechou em alta de 1,27% em Dalian, na China, cotado a US$ 106,53/ton.
Cenário internacional: Jackson Hole e inflação dos EUA dominam agenda global
Nos EUA, a semana será marcada pela combinação de inflação, atividade econômica e sinalizações do Federal Reserve (Fed), com o mercado voltado para o Simpósio de Jackson Hole. O evento ocorre na sexta-feira, às 11h, quando o presidente do Fed, Kevin Warsh, fará um discurso em um momento especialmente sensível para os rumos da política monetária americana.
Antes de Jackson Hole, os investidores terão na quarta-feira um novo termômetro para a inflação, com a divulgação do PCE de julho, indicador preferido do Fed. A expectativa é de alta de 0,1% no índice cheio, após queda de 0,1% em junho, enquanto a taxa acumulada em 12 meses deve desacelerar de 3,7% para 3,6%.
A quarta-feira ainda concentra uma bateria relevante de indicadores. Serão divulgadas a segunda leitura do PIB americano do segundo trimestre, além dos dados de renda e gastos com consumo e das encomendas de bens duráveis. Na quinta-feira, os pedidos semanais de auxílio-desemprego atualizam a fotografia do mercado de trabalho e ajudam a calibrar as expectativas para os próximos passos do Fed.
No campo corporativo, a Nvidia será o grande destaque da semana. A fabricante de chips divulga o balanço do segundo trimestre na quarta-feira, após o fechamento dos mercados.
Na China, o calendário político ganha espaço a partir de terça-feira, com o início da reunião do Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo. O encontro se estende ao longo de toda a semana e entra no radar dos mercados diante da importância das decisões e sinalizações do governo para a economia chinesa.
Brasil: IPCA-15 e emprego colocam Selic no centro das atenções
No Brasil, a agenda econômica ganha intensidade, com inflação e emprego no centro das atenções em um momento de sinais recentes de perda de ritmo da atividade. O principal indicador será o IPCA-15 de agosto, na quarta-feira. Em julho, o índice avançou 0,06% e acumulou alta de 4,52% em 12 meses. Além do resultado cheio, o mercado estará atento à composição da inflação, especialmente aos núcleos e aos preços de serviços, em meio à expectativa majoritária de um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro.
Na quinta-feira, a PNAD Contínua de julho acrescenta informações sobre o mercado de trabalho e ajuda a dimensionar o grau de desaceleração da economia. Na sexta, o Caged completa o quadro do emprego formal. Em junho, o mercado registrou a criação de 145.161 vagas.
A agenda doméstica inclui ainda, na quinta-feira, os dados de transações correntes e investimento direto no país. Na sexta, serão conhecidos o IGP-M de agosto e o resultado do Governo Central de julho, mantendo o quadro fiscal no radar dos investidores.
Hoje, as atenções estarão voltadas ao Banco Central. O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, participa, às 10h, da abertura do Febraban Tech 2026, em São Paulo. Eventuais sinalizações sobre inflação, atividade e política monetária serão acompanhadas de perto pelo mercado, em meio às apostas para a trajetória da Selic.
Na sequência, às 10h20, os presidentes dos sete maiores bancos do país participam de um painel sobre inteligência artificial e as transformações no sistema financeiro. Mais tarde, às 11h30, o Nobel de Economia de 2025, Joel Mokyr, discute inovação, tecnologia e crescimento econômico.
Destaques do mercado corporativo
- Avibras: os irmãos Batista, donos da J&F, compraram 100% da Avibras por meio da Globe; os valores não foram divulgados e a operação ainda depende de aprovação do Cade.
- Hapvida: a ANS suspendeu a cautelar que impedia reajustes e cancelamentos após a companhia esclarecer que as medidas envolvem apenas contratos coletivos de grandes empresas.
- Oncoclínicas: Fundo ligado à Centaurus pediu arbitragem contra fundos da Latache para tentar impedir uma OPA que pode movimentar R$ 6 bilhões; a CVM deve analisar o caso amanhã.
- Fleury: fará em 28 de agosto o resgate antecipado integral das séries de sua sexta e sétima emissões de debêntures, com posterior cancelamento dos títulos.
- Ambipar: acusa o BMG de impedir acesso a extratos de suas contas e avalia medidas judiciais; informações contábeis detalhadas da recuperação judicial serão disponibilizadas apenas aos credores, sob sigilo.
- BTG Pactual: negocia a compra da massa falida do Banco Rural, liquidado pelo BC em 2013, em operação voltada à captura de valor em disputas judiciais e tributárias.











