O fundo BRZ Infra Portos (BRZP11) anunciou um aumento de 30% na distribuição de dividendos aos cotistas a partir de julho de 2026. O fundo passará a pagar R$ 1,20 por cota ao mês, ante os R$ 0,92 distribuídos no ciclo anterior.
A nova projeção prevê pagamentos totais de R$ 14,40 por cota ao longo dos próximos 12 meses. O anúncio foi feito por Ricardo Propheta e José Neto, da BRZ Investimentos, durante o webcast anual do BRZP11, produzido pelo Monitor Valores.
O conteúdo foi publicado nesta quarta-feira (1) simultaneamente nos canais do Monitor do Mercado, do Canal Valores e da BRZ no YouTube (veja abaixo), com a apresentação dos resultados do fundo, dos principais números do Porto Itapoá e das perspectivas para os próximos ciclos de distribuição.
O aumento dos pagamentos ocorre em um momento de forte crescimento do Porto Itapoá, principal ativo do BRZP11. Em maio de 2026, o terminal movimentou 136 mil TEUs, o maior volume mensal de sua história.
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TEU é a unidade utilizada no setor portuário para representar um contêiner padrão de 20 pés. Em 2025, o Porto Itapoá superou 1,5 milhão de TEUs movimentados, aproximando-se de sua capacidade teórica atual, estimada em cerca de 1,8 milhão de TEUs por ano.
O avanço operacional também apareceu nos resultados financeiros. O terminal encerrou 2025 com receita de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, EBITDA de R$ 980 milhões e lucro líquido de R$ 584 milhões, segundo os dados apresentados no webcast.
Nos últimos cinco anos, as principais linhas financeiras do ativo registraram crescimento anual composto superior a 30%. O lucro avançou em ritmo ainda mais acelerado, com expansão média superior a 50% ao ano no período.
Crescimento do porto sustenta nova distribuição
O Porto Itapoá está localizado em Santa Catarina, região que vem ganhando participação na movimentação portuária brasileira. Segundo os executivos da BRZ, o chamado Cluster Sul cresce a uma taxa média de 8,2% ao ano, cerca do dobro do ritmo observado no Cluster de Santos (maior do Brasil).
Além da expansão regional, a estrutura do terminal é apontada como um diferencial do investimento. O Porto Itapoá é um Terminal de Uso Privado, conhecido pela sigla TUP, e não opera por meio de uma concessão com prazo determinado.
Na prática, isso significa que o terminal não possui uma data predefinida para devolver o ativo ao poder público, característica que amplia o horizonte de exploração econômica do negócio.
O aumento dos dividendos também reflete a forma como a gestora vem administrando o caixa recebido do porto. O BRZP11 recebeu cerca de R$ 130 milhões relacionados ao resultado de 2025, mas optou por não distribuir todo o montante imediatamente.
Parte dos recursos permanecerá no caixa do fundo com o objetivo de suavizar as distribuições futuras e preservar uma trajetória mais previsível de pagamentos, inclusive durante períodos de investimentos mais intensos.
Segundo a BRZ, os recursos retidos não serão utilizados para a compra de novos ativos. O caixa ficará destinado exclusivamente à gestão das distribuições relacionadas ao próprio Porto Itapoá.
A estratégia busca evitar oscilações excessivas nos dividendos e permitir que o crescimento operacional do terminal se traduza em uma curva mais estável de pagamentos aos cotistas.
Porto prepara novas fases de expansão
O Porto Itapoá avança atualmente na quarta fase de expansão, com conclusão prevista para 2026. O projeto inclui a incorporação de aproximadamente 120 mil metros quadrados à área de pátio, a instalação de novos gates e a chegada de equipamentos de grande porte para a movimentação de contêineres.
O terminal também trabalha no detalhamento da quinta fase de expansão. A antecipação desse planejamento ocorre porque o volume movimentado em 2025 já se aproxima da capacidade total disponível.
Outro investimento considerado estratégico é o aprofundamento do canal de acesso ao complexo portuário. O projeto, realizado em conjunto com a autoridade portuária, deverá permitir a entrada de navios maiores e ampliar a capacidade de atendimento do terminal.
A combinação entre crescimento da demanda, expansão física e ganho de escala é a principal tese apresentada pela gestora para sustentar o avanço dos resultados nos próximos anos.
Fundo combina renda e valorização do ativo
O BRZP11 é um Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura, ou FIP-IE. Para pessoas físicas que atendam às condições previstas na legislação, os rendimentos distribuídos e o ganho de capital com a venda das cotas podem ser isentos de Imposto de Renda.
Apesar de ser negociado na Bolsa com um código terminado em “11”, formato também utilizado pelos fundos imobiliários, a BRZ afirma que o produto deve ser analisado de maneira diferente.
Na avaliação da gestora, o BRZP11 se aproxima mais de uma “ação incentivada” do que de um investimento voltado exclusivamente à geração de renda. Isso ocorre porque o retorno do cotista depende não apenas dos dividendos, mas também do crescimento, da expansão e da eventual valorização do Porto Itapoá.
As cotas são negociadas na região de R$ 180, abaixo do valor patrimonial informado pelo fundo. De acordo com as projeções apresentadas pela BRZ, o investimento nesse patamar oferece uma taxa interna de retorno estimada próxima de IPCA mais 14% ao ano.
A estimativa depende da concretização das projeções operacionais e financeiras e não representa garantia de rentabilidade futura.
O webcast anual do BRZP11, produzido pelo Monitor Valores, está disponível nos canais do Monitor do Mercado, do Canal Valores e da BRZ no YouTube.
Texto produzido por Monitor Valores, em parceria com BRZ











