A nova tarifa de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras deve provocar impacto ainda mais limitado sobre a economia do Brasil, embora alguns setores possam sentir efeitos mais intensos. A avaliação é de Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval, em entrevista ao Monitor do Mercado durante a Expert XP.
Segundo o economista, a possibilidade de uma nova rodada de tarifas, oficializada nesta quinta-feira (23), já estava quantificada e tem efeito macroeconômico inferior ao observado na primeira fase das medidas comerciais em 2025 e na taxação que entrou em vigor nesta quarta-feira (22).
“Por exemplo, o impacto estimado caiu de 0,3% do PIB na primeira rodada de tarifas para cerca de 0,03% do PIB agora. É um efeito pequeno para a economia como um todo, embora alguns setores sejam mais afetados”, afirmou.
Tarifas não são o principal desafio da economia
Na avaliação de Cardoso, apesar da repercussão das medidas adotadas pelos EUA, o Brasil enfrenta desafios econômicos mais relevantes no curto prazo.
“O choque do petróleo, a atividade econômica resiliente, as expectativas de inflação desancoradas e o cenário internacional continuam sendo pontos importantes para o Banco Central”, disse.
Daycoval mantém expectativa de apenas mais um corte da Selic
Apesar de reconhecer que o cenário continua desafiador para a política monetária, Cardoso afirma que o Banco Central ainda possui espaço para reduzir a taxa básica de juros. Segundo ele, a inflação mais recente apresentou melhora, mas esse fator, isoladamente, não altera o quadro enfrentado pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
“O Banco Central não olha apenas para a inflação corrente. As expectativas continuam desancoradas, o dólar parou de melhorar e isso mantém o cenário mais complexo”, explicou.
A projeção do Daycoval é de um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, levando a Selic para 14% ao ano até o final de 2026.
Amcham alerta para perda de competitividade
Na noite desta quinta, a Amcham Brasil avaliou que a nova tarifa amplia os impactos sobre as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.
Segundo a entidade, cerca de 3 mil produtos brasileiros, equivalentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais, passam a ser atingidos pela medida.
Desse total, 85,3% das vendas, correspondentes a US$ 10,7 bilhões, passam a acumular a nova tarifa de 12,5% com a sobretaxa de 25% anunciada anteriormente, elevando a tributação para 37,5%.
Para o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, a medida reduz a competitividade das exportações brasileiras, afeta cadeias produtivas integradas entre os dois países e pode elevar custos para empresas e consumidores norte-americanos.
Na visão de Cardoso, no momento tanto Brasil quanto Estados Unidos tendem a ampliar a diversificação de suas relações comerciais nos próximos anos, reduzindo a dependência entre os dois países.











