O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, subiu 0,06% em julho, desacelerando em relação aos 0,41% registrados em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (28).
Com o resultado, a inflação acumulada chegou a 3,51% no ano e a 4,52% em 12 meses, abaixo dos 4,80% observados no período imediatamente anterior.
O dado veio abaixo das expectativas do mercado e reforçou a avaliação de economistas de que o Banco Central ganhou espaço para realizar mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Além disso, para Leonardo Costa, economista do ASA, os núcleos de inflação — indicadores que excluem itens mais voláteis para medir a tendência dos preços — seguem desacelerando. Diante desse cenário, a instituição revisou sua projeção para o IPCA de julho de alta de 0,12% para 0,02%.
Alimentos e combustíveis puxaram desaceleração do IPCA-15
Entre os nove grupos pesquisados, Alimentação e bebidas registrou a maior contribuição para a desaceleração da inflação, com queda de 0,66%, retirando 0,15 ponto percentual do índice.
Dentro da alimentação no domicílio, os principais recuos foram:
- Tomate: -19,95%;
- Batata-inglesa: -10,03%;
- Café moído: -3,13%.
Em contrapartida, cebola (7,10%) e pão francês (0,65%) registraram alta. Nos combustíveis, todos apresentaram queda: Etanol: -2,50%; Óleo diesel: -1,32%; Gás veicular: -0,97%; e Gasolina: -0,68%.
Já a alimentação fora do domicílio acelerou para 0,55%, ante 0,40% em junho. As refeições subiram 0,66%.
Para o economista, a inflação de curto prazo continua mostrando comportamento mais favorável, principalmente devido à queda dos preços dos alimentos e dos combustíveis.
Segundo ele, os alimentos foram beneficiados por fatores sazonais ligados à oferta agrícola, enquanto os combustíveis refletiram a dissipação dos efeitos iniciais do choque do petróleo observado no início do ano.
Energia elétrica foi principal pressão de alta para o IPCA-15
O grupo Habitação teve a maior alta do mês, com avanço de 0,97%, respondendo pelo maior impacto positivo no índice (0,15 ponto percentual). O principal destaque foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,03% e respondeu sozinha por 0,12 ponto percentual do IPCA-15.
Segundo o IBGE, o avanço reflete a cobrança da bandeira tarifária amarela e reajustes autorizados para concessionárias em cidades como Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Outro grupo que pressionou a inflação foi Saúde e cuidados pessoais, com alta de 0,28%, influenciada pelo reajuste dos planos de saúde e pelos produtos de higiene pessoal.
Passagens aéreas sobem, mas combustíveis recuam
O grupo Transportes avançou 0,11% em julho. O principal destaque foi a alta de 11,70% nas passagens aéreas. O movimento, no entanto, foi parcialmente compensado pela queda dos combustíveis.
Regionalmente, o Rio de Janeiro registrou a maior inflação do período (0,44%), impulsionada principalmente pelas passagens aéreas e pela energia elétrica. Já Belém apresentou a menor variação (-0,22%), refletindo quedas nos preços do açaí e da gasolina.
Inflação de serviços segue no radar
Gabriel Foglieni, gerente de Investimentos da Eleva Invest, destacou que o resultado foi positivo, mas alertou para a composição do índice. Segundo ele, a desaceleração foi fortemente influenciada por itens agrícolas.
“A queda de 0,66% em alimentação segurou o índice, puxada pelo tomate, que caiu quase 20%, e pela batata, que recuou 10%. Isso é efeito de safra e de oferta, algo que tende a se reverter nos próximos meses”, disse.
Ao mesmo tempo, a inflação de serviços continua sendo um ponto de atenção para o Banco Central. Foglieni observa que a alimentação fora do lar acelerou em julho, indicando que a chamada inflação de fundo — que representa a tendência mais persistente dos preços — ainda não perdeu força na mesma intensidade da inflação cheia.
Na avaliação do especialista, embora o IPCA-15 aumente a confiança em um novo corte da Selic, a autoridade monetária deve continuar acompanhando com cautela a evolução dos preços dos serviços e das expectativas de inflação.











