O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 14% ao ano, chegando à quarta reunião consecutiva de queda. A decisão unânime foi anunciada na noite desta quarta-feira (5).
No comunicado, o Banco Central (BC) afirmou que o cenário externo continua marcado por incertezas, principalmente em razão dos conflitos no Oriente Médio e das dúvidas sobre a condução da política monetária em economias avançadas.
Já no Brasil, a atividade econômica continua em desaceleração gradual, embora permaneça resiliente. Foram destacados sinais mistos entre os setores da economia e um mercado de trabalho ainda aquecido.
Em relação à inflação, o Copom observou que o índice cheio perdeu força nas divulgações mais recentes, mas continua acima do limite superior da meta, enquanto as medidas de inflação subjacente desaceleraram para um nível ligeiramente inferior a esse teto.
As expectativas para a inflação (IPCA) também continuam acima do objetivo perseguido pelo BC — de 3% ao ano. Segundo o Boletim Focus, a projeção voltou a cair em 2026, chegando à quinta semana consecutiva de redução. Para este ano, as projeções caíram de 5,12% para 5,03%, enquanto para 2027 permaneceram em 4,22%.
O próprio BC enxerga, para o primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante para a política monetária, uma inflação de 3,2%.
Fiscal continua no radar
O comunicado também reforça os efeitos da política fiscal sobre a inflação e os mercados. Segundo o Copom, a evolução das contas públicas permanece um fator relevante para a condução da política monetária, especialmente em um ambiente de maior incerteza.
Em análise enviada ao Monitor do Mercado, a FecomercioSP afirmou que a queda dos juros terá efeito limitado, enquanto os gastos públicos permanecerem elevados e o resultado nominal das contas do governo continuar se deteriorando.
Analistas veem novos cortes na Selic
Para Paulo Cunha, sócio do Grupo Fatorial, o Banco Central entrou na reunião com pouco espaço para surpresas. “A leitura do mercado é de que a inflação continua exigindo cautela e que qualquer mudança de direção dependerá de uma melhora mais consistente das expectativas.”
Segundo ele, a dúvida era entender se o atual patamar de juros era suficiente ou se ainda via necessidade de manter uma postura restritiva por mais tempo.
Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, afirma que o grau de restrição monetária atual é excessivo. Em sua avaliação, vê espaço para um corte adicional em setembro, mas o cenário atual torna mais provável uma pausa após agosto.
De acordo com Bruna Centeno, economista e sócia da Blue3 Investimentos, “o Boletim Focus trouxe uma mudança relevante nas projeções para a Selic ao fim de 2026, reduzindo a expectativa de 14% para 13,75%, mesmo em um ambiente de riscos que continua desafiador.”
Ela explica que o fator determinante agora será a narrativa adotada pelo Copom, que servirá de termômetro para validar, ou não, as apostas de parte do mercado por novos cortes nas próximas reuniões.











