Entre Dinamarca e Suécia, a ponte de Øresund percorre quase 8 km sobre o mar e parece terminar em Peberholm, uma ilha artificial. Na verdade, a ligação continua por um túnel de cerca de 4 km sob a água, formando um sistema de 15,9 km em que ponte, ilha e trecho submerso funcionam como uma única travessia.
Como a travessia de Øresund combina ponte, ilha e túnel?
A ligação cruza o estreito por três partes consecutivas. A ponte de Øresund parte da costa sueca, chega à ilha artificial de Peberholm e dá lugar ao túnel que segue até a ilha dinamarquesa de Amager. Rodovia e ferrovia atravessam todo o conjunto.
Somadas, as estruturas formam 15,9 km de ligação fixa. A ponte mede 7.845 metros, Peberholm ocupa 4.055 metros no eixo da travessia e o túnel possui 4.050 metros. Para quem observa de longe, a transição faz a pista parecer simplesmente desaparecer junto ao horizonte.

Por que a ponte termina antes de chegar à Dinamarca?
A interrupção não é um truque visual planejado apenas pela estética. Os 4.050 metros do túnel permitem que a rota passe sob o canal de Drogden, deixando a superfície livre para navegação e evitando uma estrutura elevada na aproximação do aeroporto de Copenhague.
Os dados oficiais da Øresundsbron mostram como as três partes foram dimensionadas para funcionar juntas. A ponte concentra a grande seção elevada, enquanto o trecho dinamarquês mergulha até o túnel e reaparece em Amager, já próximo da capital.
Como Peberholm foi construída no meio do estreito?
A ilha surgiu entre 1995 e 1999 com material retirado durante a escavação da vala do túnel. Cerca de 9 milhões de m³ de material dragado foram usados na formação de Peberholm, que ocupa aproximadamente 130 hectares e funciona como ponto físico de transição entre ponte e túnel.
O processo registrado na página oficial de Peberholm reuniu funções muito diferentes em uma única ilha:
- Transição viária: carros deixam a ponte elevada e seguem em direção ao portal submerso.
- Transição ferroviária: os trilhos acompanham a mudança de nível até o túnel.
- Reaproveitamento de material: a dragagem da vala ajudou a formar a própria ilha.
- Área de natureza: a superfície foi deixada sem plantio humano para colonização espontânea.

O que acontece com carros e trens ao entrar no túnel?
Na ponte, carros e trens circulam em dois níveis, com a rodovia acima e a ferrovia abaixo. Ao chegar a Peberholm, o desenho muda gradualmente para acomodar o portal. No túnel, os fluxos seguem lado a lado em galerias próprias, mantendo a ligação rodoviária e ferroviária até Amager.
Esse rearranjo explica por que a ilha tem mais função do que simplesmente sustentar o fim da ponte. Peberholm oferece o espaço necessário para reorganizar a infraestrutura, ajustar cotas e conduzir os dois sistemas de transporte para uma estrutura submersa sem interromper a continuidade da viagem.
Por que essa solução exigiu três estruturas em vez de uma só?
Uma ponte contínua teria de conciliar altura, navegação e a proximidade do aeroporto de Copenhague. O túnel eliminou parte desse conflito, enquanto Peberholm criou a área intermediária necessária para fazer a mudança entre os dois tipos de obra sem separar estrada e ferrovia.
O resultado é uma travessia híbrida de 15,9 km em que cada peça resolve um problema diferente. A ponte vence a maior parte do estreito a céu aberto, a ilha organiza a transição e o túnel permite completar o caminho sob a água até a Dinamarca.











