O BTG Pactual manteve sua recomendação neutra para Hapvida (HAPV3), mas reduziu o preço-alvo das ações quase pela metade, saindo de R$ 15 para R$ 8 por ação para o fim de 2027 — alta de 18% em relação ao fechamento de ontem (18).
Como resposta, os papéis recuam 1,62% na tarde desta quarta-feira (19), cotados a R$ 6,67. Em agosto, a queda é de aproximadamente 44%.
O movimento é reflexo da revisão das projeções após os resultados do segundo trimestre de 2026. Para os analistas, a recuperação ainda é incerta, o que dificulta antecipar uma mudança rápida no desempenho da companhia.
As estimativas de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do BTG foram reduzidas em 25% para 2026 e em 30% para 2027. Além disso, foi ressaltado um corte de 60% no EBITDA nos últimos dois anos.
Segundo o relatório, o segundo trimestre mostrou aumento da judicialização, frequência ainda elevada de utilização dos serviços médicos, MLR (relação entre os gastos com assistência médica e receita obtida com os planos de saúde) elevado, provisões e multas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), além de maiores despesas corporativas.
Para o banco, a judicialização deixou de representar apenas uma pressão sobre o desempenho operacional e passou a ser também uma questão financeira, devido ao impacto sobre o fluxo de caixa livre (FCF).
Judicialização da Hapvida chega a R$ 1,2 bilhão
O BTG explica que os bloqueios judiciais que a Hapvida precisa depositar por determinação da Justiça somaram R$ 350 milhões no segundo trimestre de 2026, ante R$ 224 milhões no primeiro trimestre e R$ 187 milhões no quarto trimestre de 2025.
Já as baixas de depósitos judiciais, ou write-offs, alcançaram R$ 162 milhões no segundo trimestre, contra R$ 125 milhões no primeiro trimestre e R$ 121 milhões no quarto trimestre de 2025.
Com isso, o saldo de depósitos judiciais cíveis em aberto, que representa recursos de caixa indisponíveis para a companhia, passou de cerca de R$ 400 milhões em 2023 para mais de R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre de 2026.











