As ações dos grandes bancos passaram a pressionar o Ibovespa na segunda metade do pregão desta quinta-feira (20), em meio a sinais de maior restrição na oferta de crédito e preocupações com a qualidade das carteiras.
Na última hora de negociações, a maior perda era do Itaú (ITUB4), em queda de 2,45% — o papel é um dos com maior peso individual no principal índice da Bolsa brasileira. Na sequência vinham Bradesco PN (-1,69%), a unit do BTG Pactual (-1,47%) e Bradesco ON (-1,34%). O índice que representa o setor bancário (IFNC) opera em queda de 1%.
Entre os bancos de menor participação na Bolsa, a unit do Santander apresentava alta de 0,42%, enquanto Banco do Brasil ON recuava 0,28%. Apesar da pressão, o Ibovespa caminha para a segunda alta consecutiva, próximo da estabilidade (+0,06%), aos 167.926,50 pontos.
Bancos veem crédito mais restritivo
Entre os fatores de pressão sobre o setor, está a divulgação da Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC), do Banco Central, nesta quinta, que revelou que as instituições financeiras consideraram mais restritivas as condições de oferta de crédito no segundo trimestre de 2026.
A exceção foi o financiamento habitacional, cuja oferta permaneceu estável no período. Já a demanda por crédito aumentou nos quatro segmentos analisados pelo BC: grandes empresas, micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), consumo e habitação.
A combinação entre maior procura e critérios mais restritivos de concessão pode aumentar a pressão sobre os bancos, especialmente em um ambiente de juros elevados e maior preocupação com a capacidade de pagamento dos tomadores.
Entre as grandes empresas, a inadimplência apresentou índice de -0,71 no segundo trimestre, ante -0,73 no primeiro. Na metodologia do BC, a escala vai de -2, que indica maior restrição, a 2, que representa maior flexibilidade.
Para o terceiro trimestre, os bancos projetam índice de -0,62 para esse fator. Entre as MPMEs, o índice de inadimplência passou de -0,68 para -0,46 entre o primeiro e o segundo trimestres. Para o terceiro trimestre, a expectativa é de -0,54.
No crédito destinado ao consumo, a inadimplência também ganhou peso. O indicador passou de -0,47 no primeiro trimestre para -0,56 no segundo. Para o terceiro trimestre, porém, os bancos esperam redução da pressão, para -0,13.
Juros aumentam pressão sobre crédito
As taxas de juros também aparecem como um obstáculo à expansão do crédito. No segmento de consumo, a alteração nas taxas teve índice de -0,25 no segundo trimestre. Para o terceiro, a expectativa é de -0,19.
O custo e a disponibilidade de funding — recursos utilizados pelos bancos para financiar suas operações de crédito — também ficaram mais restritivos. O índice passou de -0,18 para -0,31 entre o primeiro e o segundo trimestre e deve chegar a -0,44 no terceiro.
Para as grandes empresas, a necessidade de capital de giro sustentou a demanda por crédito. O indicador passou de 0,59 para 0,62 e deve chegar a 0,67 no terceiro trimestre.
O cenário indica, portanto, uma demanda ainda presente por financiamento, mas com maior cautela das instituições na concessão dos recursos.
Greve de bancários entra no radar
Outro fator que movimenta o setor nesta quinta-feira é a paralisação dos bancários. Trabalhadores representados pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo rejeitaram a proposta de reajuste salarial apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e aprovaram a paralisação.
A proposta foi rejeitada por 97,66% dos votos, segundo o sindicato. Os trabalhadores também aprovaram a paralisação com 89,34% dos votos.
Entre os pontos de discordância está uma proposta de reajuste em três faixas e o congelamento do piso de ingresso, segundo a representação dos trabalhadores.











