O Bitcoin (BTC) ganhou força ao longo da semana e chegou a superar os US$ 79 mil na manhã desta sexta-feira (21), acumulando alta de 23% em cinco dias. O movimento tirou a criptomoeda de uma consolidação que persistia desde o início de junho e também impulsionou outros ativos digitais, como Ethereum, Solana e Hyperliquid.
Segundo o BTG Pactual, com a reversão dos preços, cerca de US$ 2,7 bilhões em posições vendidas foram liquidadas — quando corretoras encerram compulsoriamente uma posição alavancada porque o investidor não consegue mais sustentar a operação — em 24 horas.
Esse movimento ajudou a acelerar a alta. Os volumes diários de negociação também cresceram cerca de 250% durante a semana.
Três gatilhos influenciam a alta do Bitcoin
Em relatório, o BTG listou três eventos ocorridos nesta semana que ajudaram a mudar o humor do mercado: o primeiro catalisador veio na manhã de terça-feira (18), quando a SEC apresentou a proposta “Regulation Crypto Assets”, que prevê mudanças nas regras aplicáveis aos criptoativos.
Entre as medidas estão possíveis isenções de registro e limites para captações envolvendo ativos digitais. A proposta também contempla um mecanismo de safe harbor, que estabelece uma proteção regulatória em determinadas situações quando o ativo deixa de estar vinculado a um contrato de investimento.
Para o BTG, um dos pontos de maior relevância veio da comissária Hester Peirce. Ela solicitou comentários sobre formas de permitir que determinados tokens exerçam uma função semelhante à de ações, possibilitando que investidores participem do crescimento econômico dos negócios associados aos ativos digitais.
O segundo catalisador veio do cenário macroeconômico. Na quarta-feira (19), o Tesouro americano anunciou que pretende dobrar, a partir de setembro, o volume de recompras de títulos de longo prazo.
A sinalização contribuiu para a queda dos juros longos dos Estados Unidos e para o enfraquecimento do dólar. O movimento também favoreceu outros ativos considerados de risco.
As criptomoedas, porém, reagiram com maior intensidade. Isso ocorre porque o setor é particularmente sensível às condições de liquidez e financeiras. Quando o custo do dinheiro diminui e há maior disponibilidade de recursos, ativos de maior risco tendem a receber mais atenção dos investidores.
O terceiro fator veio poucas horas depois, em uma reunião realizada na Casa Branca. Executivos de empresas como Coinbase, Ripple, Robinhood, Chainlink, Kraken, Gemini e Nasdaq participaram do encontro com representantes da SEC e da Commodity Futures Trading Commission (CFTC).
Durante a reunião, Donald Trump voltou a pressionar o Congresso pela aprovação do CLARITY Act, proposta que trata da estrutura regulatória para o mercado de criptoativos nos Estados Unidos. Trump também mencionou a possibilidade de ampliar a reserva estratégica de Bitcoin por meio de compras diretas. Atualmente, a reserva é formada por ativos digitais apreendidos pelo governo.
Outro ponto citado pelo presidente americano foi a Hyperliquid. Segundo o relatório, Trump afirmou que a CFTC trabalha para levar a plataforma aos Estados Unidos sob uma estrutura regulada. Na avaliação do BTG, o tom do encontro reforçou a intenção de posicionar os Estados Unidos como um centro global do mercado de criptoativos, especialmente diante da disputa com a China.
Rompimento dos US$ 67 mil muda cenário de curto prazo e ETFs seguem no radar
Além dos fatores regulatórios e macroeconômicos, o movimento ganhou força com a própria estrutura técnica do mercado. O Bitcoin vinha encontrando resistência na região de US$ 67 mil. O rompimento desse nível, segundo o BTG, confirma a retomada da tendência de alta no curto prazo.
A mudança ocorreu enquanto parte dos investidores estava posicionada para uma queda. Com a alta dos preços, as posições vendidas começaram a ser encerradas, criando uma sequência de liquidações que contribuiu para ampliar o movimento.
O banco relaciona o cenário à análise apresentada em seu relatório de julho, quando avaliou que a correção dos meses anteriores poderia representar uma janela de alocação com potencial de ganho superior ao risco em determinados cenários.
Para o BTG, os fundamentos também passaram a sustentar uma perspectiva mais favorável para o mercado de criptomoedas nos próximos meses. Os fluxos de capital são um dos principais pontos de atenção.
Os ETFs de Bitcoin e Ethereum caminham para encerrar a semana com a maior captação líquida semanal do ano até o momento, segundo o relatório. Apesar do movimento, o BTG ressalta que os próximos dias ainda devem ser marcados por volatilidade.
A continuidade da alta dependerá da manutenção das entradas de capital. Nesse cenário, o banco avalia que eventuais quedas pontuais podem representar oportunidades de posicionamento ou aumento de exposição caso a retomada mais ampla do mercado continue.











