As criptomoedas deixaram de ser um investimento restrito a um grupo pequeno de brasileiros e já alcançam 17,2% da população com mais de 16 anos. Isso representa cerca de 29 milhões de pessoas, segundo a segunda edição da Pesquisa Nacional das Criptomoedas*, realizada pela Paradigma Education em parceria com o Datafolha, com patrocínio de Coinbase e Hashdex e apoio da ABCripto.
O número coloca as criptomoedas à frente das ações negociadas em Bolsa entre os investimentos já utilizados pelos brasileiros. Segundo o levantamento, 7,4% da população afirma ter ou já ter tido ações. A poupança segue na liderança, com 57,1%, seguida por imóveis, com 34%, dinheiro guardado em casa, com 30,5%, e fundos de investimento, com 26,1%.
O avanço ocorre também no conhecimento sobre o mercado. 66,4% dos brasileiros dizem conhecer criptomoedas, alta de 10,1 pontos percentuais em relação à primeira pesquisa. O Bitcoin permanece como o ativo mais conhecido, citado por 60,7% da população. Na sequência aparecem Ethereum, com 11,1%, e Drex, com 10,3%.
Para Fabio Plein, diretor regional da Coinbase para as Américas, os resultados demonstram que o Brasil está a entrar numa nova fase de maturidade no mercado de ativos digitais. “O aumento da sensibilização para as criptomoedas e a expansão da adoção mostram que o mercado brasileiro está amadurecendo. O futuro das finanças está sendo construído por meio de pagamentos com stablecoins e da tokenização do sistema financeiro”, disse.
Criptomoedas chegam a diferentes faixas de renda
A pesquisa mostra que a expansão dos criptoativos não está concentrada entre os brasileiros de maior renda. Entre as pessoas que já colocaram dinheiro em criptomoedas, 31,6% ganham até um salário mínimo e outros 31,9% recebem entre um e dois salários mínimos.
Considerando quem ganha até três salários mínimos, o grupo representa 77,7% da cripto-população. Apenas 10,6% dos investidores em criptomoedas recebem mais de cinco salários mínimos.
O nível de conhecimento também avançou entre os brasileiros com menor escolaridade. Entre pessoas com ensino fundamental, a parcela que conhece criptomoedas passou de 25,9% em 2025 para 38% em 2026, crescimento de 12,1 pontos percentuais.
No ensino médio, o indicador subiu de 65,4% para 76%, enquanto, entre aqueles com ensino superior, passou de 84,1% para 89,7%.
Já a distribuição regional do conhecimento sobre criptoativos tem o Centro-Oeste na liderança, com 72,8% da população afirmando conhecer criptomoedas. Na primeira pesquisa, eram 47%. O crescimento foi 2,6 vezes superior à média nacional.

“O aumento do conhecimento sobre criptoativos, a expansão da adoção entre diferentes perfis de renda e o avanço das aplicações no dia a dia mostram que o setor está deixando de ser um nicho para se consolidar como parte da realidade financeira dos brasileiros”, afirma Samir Kerbage, CIO da Hashdex.
Banco virou principal porta de entrada para as criptomoedas
Apesar do crescimento das exchanges — plataformas especializadas na negociação de criptoativos — o banco aparece como principal canal utilizado pelos brasileiros que já investiram nesse mercado.
83% das pessoas que já colocaram dinheiro em criptomoedas fizeram isso pelo aplicativo de um banco, enquanto 26% utilizaram uma carteira própria, 20% uma corretora ou exchange e 18% fundos ou ETFs de criptomoedas.
Na prática, a chamada exposição a criptoativos ocorre mais frequentemente dentro do sistema financeiro tradicional do que em plataformas especializadas. O levantamento aponta que 4,2 vezes mais brasileiros já tiveram criptomoedas em seus bancos do que em uma exchange.
Diversificação ganha espaço, mas conhecimento ainda é barreira
A percepção sobre a função das criptomoedas também mudou. Entre os brasileiros que conhecem cripto, 59% consideram os ativos uma boa forma de diversificar investimentos. Entre jovens de 16 a 24 anos, essa parcela chega a 78%.
Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que a compreensão sobre o funcionamento desse mercado ainda limita a entrada de novos investidores. Entre os que conhecem criptomoedas, 77% consideram a tecnologia complexa. Entre aqueles que nunca compraram cripto, 42% afirmam que não entendem o suficiente sobre o tema.
Esse contraste aparece na intenção de investimento: o interesse em diversificação convive com dúvidas sobre tecnologia, segurança e funcionamento das plataformas.
Outro dado levantado pela pesquisa é o avanço da autocustódia, modalidade em que o próprio investidor mantém as chaves que permitem acessar suas criptomoedas, sem deixá-las sob custódia de uma corretora ou instituição. Em 2026, o número chegou a 4% dos brasileiros (6,75 milhões de pessoas).
A prática, porém, apresenta forte diferença entre faixas etárias. Entre brasileiros de 25 a 34 anos, 8,3% já utilizaram uma carteira própria, enquanto o percentual cai para 0,3% entre pessoas com 60 anos ou mais. Homens também aparecem com maior participação: 6,8%, contra 1,5% entre mulheres.
Mercado de criptomoedas ganha também dimensão política
A expansão da base de investidores aparece ainda nas respostas sobre regulação e representação política. 65,8% dos brasileiros que têm ou já tiveram criptomoedas consideram importante votar em deputados ou senadores comprometidos com a proteção dos direitos dos usuários de criptoativos.
Entre quem utiliza uma corretora de criptomoedas, o percentual chega a 85%. Já entre os brasileiros que fazem autocustódia, alcança 89,6%.
Para Julia Rosin, diretora-presidente da ABCripto, “é natural que, conforme o usuário passa a confiar mais na tecnologia e a adotar os criptoativos no dia a dia, ele passe a exigir representatividade. O investidor não quer apenas usar cripto; ele quer ver suas escolhas respeitadas e pautadas no debate político, cobrando compromisso de candidatos que entendam e defendam quem já faz parte dessa nova economia.”
*A pesquisa foi realizada presencialmente entre 11 e 14 de maio de 2026, com 2.004 entrevistados em 137 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para a amostra total, com nível de confiança de 95%. O universo considerado foi de 168,9 milhões de brasileiros com mais de 16 anos.











