O Bitcoin deve operar entre US$ 72 mil e US$ 82 mil em setembro, e uma alta acima dessa faixa, segundo a Bitget Wallet, dependeria de uma combinação de dados econômicos mais fracos, retomada das entradas em ETFs e enfraquecimento do dólar.
A projeção do cenário-base considera a possibilidade de manutenção de juros elevados nos Estados Unidos e uma faixa de 4,30% a 4,50% para o rendimento dos Treasuries de dois anos. O cenário também prevê o título de dez anos entre 4,35% e 4,60% e o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de moedas, entre 99 e 102 pontos.
A avaliação ocorre após a mudança nas expectativas do mercado em relação à política monetária americana. A abordagem de Warsh é considerada mais rígida, ou hawkish, termo usado para descrever uma postura mais preocupada com o controle da inflação e menos favorável a cortes de juros.
A probabilidade de uma alta de juros em setembro passou de cerca de 35% para quase 60%. Ao mesmo tempo, o rendimento do Treasury de dois anos se aproximou de 4,35%.
Para a Bitget Wallet, esse movimento indica uma alteração na forma como o mercado interpreta a reação do Federal Reserve, e não um compromisso antecipado com uma elevação dos juros. Os próximos dados de emprego (payroll) e inflação ainda devem influenciar a decisão.
Bitcoin mantém resistência mesmo com pressão externa
O Bitcoin permaneceu resiliente diante da reprecificação das expectativas de juros e da nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Entre os fatores que ajudaram a absorver a pressão sobre o ativo estão as entradas anteriores em ETFs, a redução da alavancagem após liquidações anteriores e a ausência de vendas forçadas.
A alta do petróleo para acima de US$ 90 também não resultou, até o momento, em uma nova rodada decisiva de alta dos juros reais ou do dólar.
Segundo a análise, esse comportamento representa resistência do Bitcoin, mas ainda não confirma uma procura pelo ativo como refúgio, ou safe haven. Para que essa tese ganhe força, seria necessário que o Bitcoin superasse as ações em desempenho, acompanhado de recuperação dos fluxos para ETFs à vista.
Outros sinais seriam a manutenção de prêmio positivo da Coinbase e uma valorização sem forte aumento do funding de contratos perpétuos ou do open interest. O funding é a taxa paga entre participantes de contratos futuros perpétuos, enquanto o open interest representa o volume de posições ainda abertas nesses contratos.
US$ 76 mil vira ponto de atenção
No curto prazo, a região entre US$ 76 mil e US$ 77 mil é considerada a principal área de suporte. O nível corresponde à zona de rompimento abaixo do movimento malsucedido de US$ 80 mil.
A consolidação do Bitcoin continua sendo considerada saudável caso essa faixa seja preservada nos fechamentos diários. Também seria necessário que o funding e a base diminuíssem sem aumento expressivo das liquidações, enquanto o open interest se recuperasse gradualmente.
Um fechamento diário abaixo de US$ 76 mil, acompanhado de resgates persistentes em ETFs e open interest elevado, seria um sinal de alerta. Nesse cenário, as posições compradas com alavancagem poderiam permanecer pressionadas, aumentando o risco de uma reversão mais profunda.
No sentido contrário, uma recuperação acima de US$ 80 mil, acompanhada pela retomada das compras no mercado à vista, indicaria que a correção teria sido absorção de vendas, e não distribuição de posições.











