Nas áreas alagadas de Bangladesh, ilhas de bambu e aguapé viram hortas quando a terra permanece sob água por 7 a 8 meses. Os agricultores montam os dhap, canteiros flutuantes que sustentam verduras durante as cheias e depois se decompõem, virando matéria orgânica para enriquecer o solo na estação seca.
Como é possível plantar quando praticamente não existe solo disponível?
Em regiões baixas de Bangladesh, a água pode cobrir os terrenos durante grande parte do ano. O cultivo flutuante contorna essa limitação criando a própria superfície agrícola sobre rios, áreas inundadas e terrenos encharcados.
Em vez de combater a cheia, os agricultores deixam os canteiros acompanharem o nível da água. A técnica é conhecida localmente como dhap ou baira e permite manter parte da produção justamente no período em que uma horta convencional ficaria completamente submersa.

Do que são feitas essas ilhas usadas como canteiros?
A base utiliza principalmente aguapé e outras plantas aquáticas empilhadas em várias camadas. A FAO descreve também o emprego de bambu para dar suporte, estabilidade e espessura à estrutura flutuante.
As próprias plantas da base começam a se decompor e formam um meio rico em matéria orgânica. Assim, sementes ou mudas podem crescer acima da lâmina d’água mesmo sem um pedaço de terra convencional disponível durante o período de inundação.
Quais alimentos conseguem crescer sobre os dhap?
Os agricultores escolhem culturas relativamente leves e adaptadas ao ciclo dos canteiros. Entre elas aparecem quiabo, pepino, berinjela e diferentes tipos de abóbora, além de folhas e mudas que depois podem ser transferidas para áreas secas.
Entre os cultivos encontrados estão:
- Quiabo: pode ser produzido diretamente sobre os canteiros.
- Pepino: aproveita a estrutura rica em matéria vegetal.
- Berinjela: integra a diversidade tradicional das hortas.
- Folhas e mudas: podem abastecer cultivos posteriores em terra firme.

O que acontece com a ilha quando a enchente finalmente recua?
O sistema foi pensado para completar seu próprio ciclo. A WIPO explica que os canteiros são compostos por plantas aquáticas que liberam nutrientes enquanto se decompõem, formando uma base fértil para os vegetais.
Quando a água baixa e a estrutura perde sua função, o material já parcialmente decomposto pode ser colocado sobre o terreno. Dessa forma, aquilo que serviu como horta durante a cheia passa a funcionar como matéria orgânica para os cultivos da estação seguinte.
Por que uma técnica de séculos continua funcionando hoje?
Os dhap não dependem de transformar completamente a paisagem para produzir alimentos. Sua lógica é aproveitar recursos disponíveis no próprio ambiente, especialmente plantas aquáticas abundantes, e construir uma superfície agrícola capaz de se movimentar junto com a água.
Essa combinação explica a longevidade do método. Depois de cerca de 2 séculos de uso documentado, os agricultores continuam respondendo ao mesmo problema básico: quando o terreno deixa de estar disponível, a área de cultivo simplesmente passa a flutuar sobre ele.











