Com o início oficial da campanha eleitoral, pesquisas e propostas econômicas passam a influenciar com maior intensidade as expectativas dos investidores e a formação de preços dos ativos brasileiros. O movimento ocorre em um cenário de maior cautela dos grandes bancos em relação às contas públicas e de avanço do dólar para patamares mais elevados.
Para Raissa Florence, economista e diretora da Oz Câmbio, o processo eleitoral tende a acrescentar volatilidade ao real, mas não elimina a influência de fatores externos, como os juros americanos e o fluxo internacional de capitais.
“A eleição passa a ganhar relevância principalmente pela expectativa sobre a condução econômica a partir de 2027. Pesquisas podem gerar movimentos de curto prazo, mas o câmbio tende a responder com mais força à percepção sobre política fiscal, trajetória dos juros e confiança dos investidores”, afirma.
Segundo Raissa, o real continua exposto ao comportamento da economia dos Estados Unidos e à movimentação global de recursos destinados aos mercados emergentes.
Fiscal e juros devem definir reação do câmbio
O principal ponto de acompanhamento nos próximos meses, de acordo com a economista, será a combinação entre as sinalizações fiscais dos candidatos e as condições financeiras internacionais.
Uma percepção de maior risco fiscal doméstico pode pressionar simultaneamente os juros e o câmbio. Em sentido contrário, mudanças nas expectativas sobre o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, e no fluxo de capitais para mercados emergentes podem compensar ou ampliar esses movimentos.
Empresas devem evitar aposta sobre o dólar
Para Rodrigo Xavier, economista e CEO da Oz Câmbio, a proximidade da eleição exige que empresas com exposição à moeda americana reforcem o planejamento, mas sem transformar a gestão cambial em uma aposta sobre o resultado das urnas.
“Para uma empresa, o objetivo não deve ser acertar quem vai vencer a eleição ou qual será a cotação do dólar em outubro. O que importa é entender quanto da margem está exposta, quando essa exposição se materializa e qual oscilação o negócio consegue absorver”, avalia.
Xavier avalia que o hedge, uma das ferramentas utilizadas para reduzir esse risco, deve ser utilizado “como instrumento de previsibilidade, e não como aposta política.”











