A Polícia Federal (PF) identificou que o BRB (Banco de Brasília) transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master em um intervalo de cinco meses, mesmo após alertas internos apontarem riscos na operação.
A informação consta em documentos obtidos pela investigação que levou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a questionar o Banco Central (BC) sobre a capacidade da entrada do banco público de estabilizar a situação financeira do Master, segundo apurou o Valor Econômico.
Os registros indicam que os repasses bilionários ocorreram apesar de análises internas do próprio BRB apontarem preocupações sobre a exposição ao banco privado. A velocidade e o tamanho da operação chamaram atenção de reguladores e aumentaram os questionamentos sobre os impactos para a instituição pública.
O ponto central levantado pelo FGC foi se a transferência de R$ 12,2 bilhões teria capacidade suficiente para resolver os problemas de liquidez do Banco Master ou se representaria apenas uma extensão do risco para o BRB.
A preocupação envolve justamente o efeito de uma exposição elevada a uma instituição em dificuldades: caso a recuperação não seja bem-sucedida, eventuais perdas poderiam afetar o patrimônio do banco público e, consequentemente, sua capacidade de honrar compromissos com seus clientes e investidores.
O Master passou a buscar alternativas de capital após enfrentar dificuldades financeiras. A entrada do BRB surgiu como uma tentativa de reforçar a estrutura da instituição, mas o volume e a rapidez dos aportes passaram a ser alvo de análise por órgãos de fiscalização.
A investigação agora busca esclarecer se os alertas foram considerados antes da operação e quais os critérios utilizados para justificar a exposição.











