Os bancos brasileiros passaram a tomar posse e gerir propriedades dadas como garantia de empréstimos rurais para tentar recuperar aproximadamente R$ 48 bilhões em calotes no agronegócio, segundo levantamento divulgado pelo UOL Economia.
A transformação dos “bancões” em “fazendeiros” não é apenas metafórica. Com a retomada de terras, as instituições precisam operar lavouras, contratar gestores e vender a produção para recuperar parte do prejuízo deixado.
Essa foi a alternativa encontrada para lidar com uma deterioração que vem sendo observada desde 2023. Dados do Banco Central (BC) mostram que a inadimplência no crédito rural atingiu 5,6% à época, o maior nível desde 2016.
Entre os maiores credores, está o Banco do Brasil (BBAS3). Pressionado pelo aumento da inadimplência da carteira de crédito rural, o banco registrou uma queda de 54% no lucro líquido ajustado do primeiro trimestre de 2026 (caiu de R$ 7,4 bilhões para R$ 3,4 bilhões).
A inadimplência superior a 90 dias no agronegócio alcançou 6,2%, avanço de 3,5 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025. Esse aumento obrigou a empresa a elevar as provisões para perdas com crédito, que chegaram a R$ 16,8 bilhões, alta de 46% em um ano.
No entanto, mesmo com o aumento dos calotes, o Banco do Brasil anunciou, em julho deste ano, a disponibilização de R$ 33 bilhões em crédito rural para financiar a safra 2026/27 em São Paulo (SP).
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