O preço médio do litro do diesel S10 voltou a subir em setembro após quatro meses consecutivos de retração. Segundo levantamento da TruckPag, empresa de tecnologia de meios de pagamentos para frotas pesadas, o valor médio nacional passou de R$ 6,43 em 1º de setembro para R$ 6,59 em 8 de setembro.
O avanço interrompeu o movimento de acomodação observado desde abril, quando o combustível atingiu o pico de R$ 7,13 por litro. Entre janeiro e agosto, o preço médio acumulava alta de 11,6%, passando de R$ 5,78 para R$ 6,45. A diferença era de R$ 0,67 por litro.
Os dados da TruckPag são baseados em abastecimentos realizados em mais de 4.900 postos credenciados e cerca de 10 mil bombas de combustível em todo o país. Aproximadamente 90% dos postos ficam em rodovias, onde ocorre a maior parte do abastecimento de caminhões.
Corte de cotas da Petrobras afeta preço do diesel
A mudança no comportamento dos preços ocorreu após um corte de 10% a 20% nas cotas de diesel vendidas pela Petrobras às grandes distribuidoras, anunciado em 3 de setembro.
Segundo a TruckPag, o movimento ocorreu ao mesmo tempo em que o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã pressionou o custo de importação do combustível. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) declarou estado de sobreaviso para o abastecimento nacional, enquanto o custo de importação do diesel subiu R$ 3,10 por litro.
Com a alta registrada nos primeiros dias de setembro, a empresa passou a acompanhar os preços a partir de duas referências: 28 de fevereiro, relacionada ao início do conflito entre Estados Unidos e Irã, e 3 de setembro, data do anúncio do corte de cotas da Petrobras.
Considerando a primeira referência, o preço do diesel acumula alta de 14,84%. Já quando isolado o efeito do corte de cotas, o avanço foi de R$ 0,13 por litro, ou 2,01%, em cinco dias.
Diesel ainda estava acima do início do ano
Antes da retomada da alta, o diesel havia apresentado quatro meses seguidos de queda após atingir o pico de R$ 7,13 em abril. Em agosto, o preço ficou próximo de R$ 6,43 por litro durante a maior parte do mês. O comportamento indicava uma acomodação depois do período de maior variação observado no primeiro semestre.
Para Kassio Seefeld, CEO e fundador da TruckPag, o recuo registrado até agosto não havia eliminado a pressão sobre os custos das transportadoras.
“Apesar do recuo observado desde abril, o diesel continua significativamente mais caro do que no início do ano, o que mantém a pressão sobre os custos das transportadoras”, afirmou. Segundo o executivo, as oscilações do combustível exigem acompanhamento dos custos operacionais e da gestão do abastecimento.
Bahia lidera alta entre os estados
A evolução dos preços também varia entre os estados, mas nenhum apresentou queda no período analisado. A Bahia manteve a maior alta acumulada desde a referência de fevereiro, mas o avanço passou de 19,26% em agosto para 21,75% em setembro.
Pernambuco assumiu a segunda posição, com alta de 19,32%, ultrapassando o Piauí, que passou para a quarta colocação, com avanço de 17,66%.
No Norte, Tocantins continuou com a maior alta da região. O estado passou de 13,69% em agosto para 16,39% em setembro.
O Rio Grande do Sul permaneceu com a menor alta acumulada do país. Ainda assim, o avanço passou de 5,85% em agosto para 10,97% em setembro.
Pressão sobre os custos do transporte
O diesel é um dos principais componentes das despesas das empresas de transporte rodoviário de cargas. Por isso, mudanças no preço do combustível afetam o custo das operações e exigem ajustes no planejamento financeiro das transportadoras.
Seefeld havia projetado que a estabilidade poderia continuar nos meses seguintes, mas também apontava que fatores como petróleo, câmbio e alterações na política de preços poderiam mudar o comportamento do mercado.
“Esse cenário traz um pouco mais de previsibilidade para as empresas, mas ainda está distante de representar um alívio nos custos. O diesel permanece em um nível elevado e continua sendo um dos principais componentes das despesas do transporte rodoviário de cargas”, disse.
Com a retomada das altas em setembro, a TruckPag passou a acompanhar a evolução dos preços diante dos novos fatores de pressão sobre o mercado. Para o executivo, a gestão dos custos continua sendo necessária diante do novo patamar de preços do combustível.











