O Bank of America (BofA) reduziu de 13,75% para 13,25% ao ano a projeção para a taxa Selic no fim de 2026 após a inflação brasileira recuar 0,32% em agosto e a economia apresentar uma desaceleração acima do esperado pelo banco. Para 2027, a estimativa caiu de 12,75% para 11,25%.
Em relatório, o chefe de Economia no Brasil e de Estratégia para a América Latina do BofA, David Beker, e os economistas Natacha Perez e Gustavo Mendes afirmaram que a economia brasileira está perdendo ritmo mais rápido do que o previsto.
O banco também reduziu a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB), que mede a atividade econômica do país. A estimativa para 2026 passou de 2,3% para 1,8%, enquanto a de 2027 caiu de 1,3% para 0,9%.
IPCA cai e abre espaço para cortes nos juros
O IPCA foi o fator principal para a revisão do banco e, segundo o BofA, a melhora da inflação subjacente também contribui para a revisão. Para Beker, a projeção para o horizonte relevante da política monetária deixou de piorar. Na avaliação do economista, isso reduz a necessidade de manter a taxa de juros no nível atual.
“Primeiro, a inflação subjacente está melhorando e a projeção para o horizonte relevante parou de piorar, portanto, o principal motivo para manter as taxas de juros desapareceu”, escreveu.
BofA prevê cortes em todas as reuniões
O mercado espera um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (16). Com isso, a taxa passaria para 13,75% ao ano. O BofA considera esse movimento como o cenário mais provável. A principal mudança em sua projeção está nas reuniões seguintes.
O banco passou a prever cortes de 0,25 ponto percentual em todos os encontros do Copom até o fim de 2026, levando a taxa para 13,25%. Antes, a instituição esperava apenas o corte desta semana.
Beker reconheceu que a projeção do BofA está abaixo da expectativa predominante no mercado. “Em nossa opinião, o mercado está muito focado no risco eleitoral e nos riscos de inflação alta que o Banco Central gosta de destacar, e não está suficientemente atento à medida que a atividade e o crédito já esfriaram”, afirmou.
Consumo e crédito perdem força
O segundo fator apontado pelo banco é a desaceleração da economia. O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores. Na composição do indicador, o consumo das famílias caiu 0,4%.
Para o BofA, a perda de força da demanda final indica uma desaceleração econômica mais acentuada nos próximos trimestres.
Os economistas também destacam o comportamento do crédito. A inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional chegou a 4,9% em julho, segundo o texto do relatório, indicando aumento da pressão sobre os tomadores.
Na avaliação do banco, o crescimento mais lento e a maior inadimplência podem contribuir para a continuidade da desinflação, processo de redução da velocidade de alta dos preços. “Segundo, o crescimento desacelerou e o aumento da inadimplência aponta para alguma pressão sobre o crédito, o que apenas agrava a desinflação já em curso”, escreveu Beker.
Juros ainda são considerados restritivos
O terceiro argumento do BofA é o próprio nível da Selic. Na avaliação do banco, mesmo após novos cortes de 0,25 ponto percentual, a política monetária continuaria restritiva. Isso significa que os juros permaneceriam em um nível capaz de reduzir o consumo, o crédito e a atividade econômica.
“Mesmo após novos cortes de 25 pontos-base, a política monetária permanece muito restritiva”, afirmou o banco.
Para o BofA, ainda existe espaço para reduzir a Selic sem que a política monetária deixe de exercer pressão sobre a atividade. “Há bastante espaço para cortes antes que a política deixe de ser restritiva, portanto, vemos poucos motivos para o Banco Central fechar as portas agora”, concluiu Beker.











