Poucos equipamentos culturais brasileiros conseguem entregar um recorde mundial em pleno interior do país. O Bioparque Pantanal, em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, faz exatamente isso. Com 19 mil m² de complexo e 5 milhões de litros de água distribuídos em um circuito de tanques temáticos, é o maior aquário de água doce do planeta. O projeto arquitetônico é assinado pelo escritório de Ruy Ohtake e a cenografia foi desenvolvida por Roberto Alves Gallo. A visitação é gratuita e aberta a todos os públicos.
Por que o Bioparque Pantanal é o maior aquário de água doce do mundo?
O título vem da combinação entre volume de água, diversidade de espécies e extensão do circuito. Segundo a Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica de Mato Grosso do Sul, o complexo abriga cerca de 5 milhões de litros de água doce em tanques que reproduzem ecossistemas do Pantanal, da Amazônia e de outros continentes. O empreendimento é o principal atrativo do Parque das Nações Indígenas, um dos maiores parques urbanos do país.
O circuito integrado apresenta 151 espécies pantaneiras, 55 amazônicas e 14 africanas, totalizando 220 espécies em habitats sequenciais que reproduzem o caminho da água pelos rios brasileiros. Cada tanque representa um ecossistema específico, do córrego de nascente até a planície alagada. Você pode conhecer mais desse marco arquitetônico neste guia sobre o maior aquário do planeta com projeto de Ruy Ohtake em Campo Grande.

Como o Bioparque saiu do papel depois de mais de uma década?
A inauguração aconteceu em 28 de março de 2022, quase 14 anos depois do início das obras em 2008. A construção passou por sucessivas paralisações, revisões orçamentárias e reformulação do projeto original. Segundo o Governo de Mato Grosso do Sul, a equipe técnica optou por dividir a obra em 13 contratos simultâneos para acelerar a conclusão final. O investimento total ultrapassou R$ 400 milhões.
O arquiteto Ruy Ohtake, morto em novembro de 2021, poucos meses antes da inauguração, projetou uma estrutura com curvas dramáticas que fazem referência à silhueta dos rios pantaneiros vistos do alto. A cenografia dos tanques ficou a cargo do artista plástico Roberto Alves Gallo, que reproduziu cada ambiente com detalhes botânicos, geológicos e sonoros. A Fotografia arquitetônica do complexo foi documentada pelo fotógrafo internacional Paul Clemence e publicada no portal ArchDaily.

O que ver em Campo Grande além do Bioparque?
A capital sul-mato-grossense combina cultura pantaneira com influências indígenas, paraguaias, bolivianas e da imigração japonesa e libanesa. Confira algumas referências:
- Feira Central: mercado tradicional com barracas de pastel de sobá, iguaria trazida pelos imigrantes japoneses.
- Parque das Nações Indígenas: espaço verde de 119 hectares que abriga o Bioparque e outros equipamentos culturais.
- Memorial da Cultura Indígena: exposição sobre os povos originários da região.
- Museu das Culturas Dom Bosco: acervo etnográfico com peças de povos indígenas do Pantanal.
- Mercado Municipal: comércio tradicional com produtos regionais e opções gastronômicas.
- Sobá: prato símbolo de Campo Grande, macarrão de origem japonesa adaptado à culinária local.
Este vídeo do canal Por onde andei, com Fernanda Götz, com 16.166 visualizações, explora o Bioparque Pantanal, em Campo Grande (Mato Grosso do Sul), destacando-o como o maior complexo de aquários de água doce do mundo, com centenas de espécies de peixes, répteis, um museu de fósseis da era do gelo e um centro de estudos da biodiversidade pantaneira.
Como é o clima em Campo Grande ao longo do ano?
Campo Grande tem clima tropical de savana, com duas estações bem definidas: chuvosa (outubro a março) e seca (abril a setembro). A altitude de 592 metros modera o calor. Confira abaixo como se comporta o clima da cidade ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas em Campo Grande com base no Climatempo. As condições podem variar em função de fenômenos como El Niño e La Niña, e vale consultar a previsão atualizada antes da viagem.
Como chegar ao Bioparque Pantanal?
O Bioparque fica no Parque das Nações Indígenas, dentro da área urbana de Campo Grande, a cerca de 8 km do centro da capital. O acesso principal é pela Avenida Afonso Pena, principal artéria da cidade. O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Internacional de Campo Grande, a 12 km do complexo, que recebe voos diretos de São Paulo, Brasília, Cuiabá e outras capitais brasileiras. Táxis e aplicativos de transporte cobrem o trajeto entre o aeroporto e o Bioparque em cerca de 15 minutos.
Um aquário que virou vitrine viva do maior bioma pantaneiro do mundo
O Bioparque Pantanal representa uma mudança de escala para o turismo cultural do Centro-Oeste brasileiro. Poucas capitais do interior conseguem apresentar um equipamento com recorde mundial, projeto de arquiteto renomado e visitação gratuita. O caminho de 14 anos entre o projeto inicial e a inauguração revelou os desafios de obras públicas de grande porte no país, mas o resultado consolidou Campo Grande como uma nova referência para o turismo científico e educativo do Brasil. Os 5 milhões de litros de água e as 220 espécies em circuito são uma síntese em escala real do Pantanal que sustenta a economia e a identidade sul-mato-grossense.











