Um imóvel com usufruto pode ser negociado, mas a venda não apaga automaticamente os direitos registrados na matrícula. O resultado depende do que está sendo transferido, de quem assina o documento e de haver ou não o cancelamento formal do usufruto no Cartório de Registro de Imóveis.
Qual é a diferença entre usufrutuário e nu-proprietário?
O usufruto divide os poderes normalmente reunidos na propriedade. O nu-proprietário continua sendo titular do imóvel, mas não pode exercer plenamente o uso e a fruição enquanto o usufruto estiver vigente.
O usufrutuário, por sua vez, pode possuir, usar, administrar e receber os frutos do bem. Em um apartamento alugado, por exemplo, ele pode ocupar a unidade ou receber os aluguéis, conforme os limites definidos no título que instituiu o direito.
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O nu-proprietário pode vender o imóvel sozinho?
O nu-proprietário pode negociar a nua-propriedade, desde que o comprador seja informado de que o usufruto continua ativo. Nessa operação, o adquirente assume a posição de novo nu-proprietário e precisa respeitar os direitos do usufrutuário.
A venda feita apenas pelo nu-proprietário não entrega, por si só, a propriedade livre para morar, alugar ou utilizar imediatamente. O comprador recebe o título limitado pela restrição que consta na matrícula.
O usufrutuário pode vender o imóvel sem o proprietário?
O usufrutuário não é titular da nua-propriedade e, por isso, não pode vender sozinho o imóvel inteiro. O Código Civil também estabelece que o usufruto não pode ser transferido por alienação, embora seu exercício possa ser cedido nos limites legais.
Isso significa que o usufrutuário pode ter poderes de uso e administração, mas não pode agir como se fosse o único proprietário. Uma escritura destinada a transferir a propriedade plena normalmente precisa reunir os titulares dos direitos afetados.

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Quem precisa assinar a venda de imóvel com usufruto?
A resposta depende do objeto da negociação. Quando apenas a nua-propriedade será transferida, o nu-proprietário participa como vendedor, e o usufruto permanece registrado. Ainda assim, a matrícula, a escritura de instituição e possíveis cláusulas restritivas precisam ser verificadas.
Quando a intenção é entregar a propriedade plena, sem a continuidade do usufruto, normalmente será necessária a participação do usufrutuário no ato de renúncia ou cancelamento, além da assinatura do nu-proprietário na alienação.
Quais direitos permanecem depois da negociação?
Se a nua-propriedade for vendida sem extinguir o usufruto, o usufrutuário mantém os direitos previstos no título. Ele pode continuar usando o imóvel e recebendo seus frutos, enquanto o comprador precisa aguardar o encerramento da restrição para exercer a propriedade plena.
Entre os direitos e limitações que podem permanecer estão:
- Posse e uso: o usufrutuário pode permanecer no imóvel.
- Recebimento de aluguéis: os rendimentos podem continuar destinados ao usufrutuário.
- Administração: a gestão ordinária do bem pode permanecer sob sua responsabilidade.
- Preservação do imóvel: o bem deve ser conservado sem alteração indevida de sua substância.
- Nua-propriedade: o comprador mantém o título, mas recebe uma propriedade limitada.
- Consolidação futura: a plenitude dos direitos surge após a extinção e o cancelamento registral.
Como funciona o cancelamento do usufruto?
O usufruto pode terminar por causas como morte do usufrutuário, renúncia, término do prazo, desaparecimento da razão que o instituiu, destruição do bem, consolidação dos direitos na mesma pessoa ou outras hipóteses previstas em lei.
A ocorrência da causa não deve ser confundida com a atualização automática da matrícula. Para que a restrição deixe de constar no registro, o interessado precisa apresentar ao cartório o documento adequado e solicitar a averbação do cancelamento.
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Quais documentos podem ser exigidos pelo cartório?
A documentação muda conforme a causa da extinção. No falecimento, normalmente são apresentados requerimento, matrícula e certidão de óbito. Na renúncia, pode ser necessário um instrumento formal assinado pelo usufrutuário, além dos documentos pessoais e fiscais aplicáveis.
O oficial do Registro de Imóveis analisa o título e pode emitir exigências quando faltar informação, assinatura, reconhecimento, representação ou comprovação necessária. Regras de escritura, tributos e emolumentos podem variar conforme o ato e o estado.

O cancelamento pode ocorrer junto com a venda?
A renúncia ou outra forma de encerramento pode ser formalizada em conexão com a negociação, desde que os documentos sejam juridicamente adequados. A escritura pode reunir atos relacionados, mas isso deve ser estruturado antes das assinaturas.
O comprador precisa confirmar se receberá a nua-propriedade ou a propriedade plena. Promessas verbais de que o usufruto “será retirado depois” não substituem o título necessário nem garantem que a averbação será aceita.
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Como o usufruto afeta o valor de mercado do imóvel?
A nua-propriedade costuma ter menor liquidez porque o comprador não recebe o uso imediato. A restrição reduz o público interessado, dificulta algumas formas de financiamento e pode exigir uma espera de duração incerta quando o usufruto é vitalício.
Não existe desconto único aplicável a todos os casos. Idade do usufrutuário, duração prevista, possibilidade de renda, localização, conservação, valor dos aluguéis e condições da escritura influenciam a avaliação econômica.
O que precisa ser conferido antes de fechar a negociação?
A análise deve começar por uma certidão atualizada da matrícula. O documento revela quem aparece como proprietário, quem possui o usufruto, como o direito foi instituído e se existem outros ônus, indisponibilidades ou restrições.
Antes da assinatura, convém verificar:
- Objeto da compra: nua-propriedade ou propriedade plena.
- Prazo do usufruto: vitalício, temporário ou condicionado.
- Direito aos aluguéis: quem recebe os frutos durante a vigência.
- Assinaturas necessárias: titulares, cônjuges e representantes aplicáveis.
- Forma de cancelamento: documento e condição que permitirão a averbação.
- Tributos e emolumentos: custos relacionados à venda e ao ato registral.
- Posse do imóvel: quando o comprador poderá efetivamente utilizá-lo.
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Como visualizar a negociação de um imóvel com usufruto?
A diferença entre vender a nua-propriedade e entregar o imóvel livre costuma ficar mais clara quando a divisão dos direitos é apresentada em situações práticas.
Vale a pena comprar um imóvel com usufruto?
A compra pode fazer sentido quando o preço compensa a limitação, o comprador não precisa da posse imediata e a documentação define claramente os direitos envolvidos. Também pode atender investidores com horizonte de longo prazo.
O risco aumenta quando o desconto parece atraente, mas o comprador não compreende a duração do usufruto, a destinação dos aluguéis ou as condições para cancelar a restrição. A matrícula, a escritura e a orientação jurídica devem ser analisadas antes de qualquer pagamento.











