O Banco da Inglaterra (BoE) decidiu manter a taxa básica de juros em 3,75% nesta quinta-feira (30), repetindo o mesmo nível pela quinta reunião consecutiva. A decisão, porém, voltou a expor uma divisão dentro do Comitê de Política Monetária. Dos nove integrantes do colegiado, seis votaram pela manutenção da taxa, enquanto Huw Pill, Megan Greene e Catherine Mann defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual.
No comunicado, o BoE afirmou que acompanha os efeitos do aumento dos preços do petróleo sobre a economia do Reino Unido. Segundo a instituição, a política monetária não consegue interferir diretamente nos preços de energia, mas deve ser ajustada para garantir que a adaptação da economia ao choque ocorra de forma compatível com o retorno sustentável da inflação à meta.
A autoridade monetária destacou ainda que a condução dos juros dependerá da intensidade e da duração desse choque, além da maneira como os efeitos do petróleo serão transmitidos para diferentes setores da economia.
Riscos para inflação aumentam com petróleo mais caro
O Banco da Inglaterra afirmou que os riscos de impactos secundários provocados pelo choque de energia aumentaram. Apesar da preocupação, o BoE informou que ainda existem poucos sinais de que esse processo esteja acontecendo de forma significativa.
A instituição também apontou evidências de desaceleração da inflação subjacente, medida que exclui itens mais voláteis e ajuda a identificar a tendência dos preços.
“O comitê avalia que os riscos para as perspectivas de inflação permanecem inclinados para cima em relação ao cenário central apresentado em julho, embora ainda exista margem para mudanças significativas nessas perspectivas à medida que os acontecimentos no Oriente Médio evoluírem”, afirmou o Banco Central britânico.
BoE sinaliza que inflação pode voltar a subir
Segundo o BoE, a inflação do Reino Unido desacelerou para 2,6%, em um ritmo mais rápido do que o inicialmente esperado. A instituição, no entanto, projeta uma possível retomada da alta do índice nos próximos meses, conforme os custos mais elevados de energia sejam incorporados às contas domésticas e levem empresas a revisar seus preços.
O Banco Central também ressaltou que as taxas elevadas de hipotecas, o encarecimento do crédito e um mercado de trabalho mais fraco estão reduzindo o ritmo dos gastos das famílias e limitando a pressão sobre os salários. Esses fatores devem contribuir para conter uma aceleração mais intensa da inflação.
O governador do BoE, Andrew Bailey, afirmou que a inflação caiu mais rápido do que o esperado, mas destacou que o conflito no Oriente Médio continua sendo um fator de risco devido aos preços de energia “elevados e voláteis”.
Bailey explicou que o objetivo do Comitê de Política Monetária é garantir que uma eventual alta da inflação seja temporária e que o índice retorne à meta de 2%.
Bolsas europeias sobem após decisão do BoE
A decisão do Banco da Inglaterra repercutiu positivamente nos mercados europeus. As ações britânicas avançaram após a manutenção dos juros, com o índice FTSE 100, de Londres, registrando alta imediata de 0,40%.
No restante da Europa, o DAX, da Alemanha, subia 0,25%, enquanto o CAC 40, da França, avançava 0,96%. No mercado de câmbio, a libra esterlina ganhou 0,25% em relação ao dólar, negociada a US$ 1,33.











