Após uma sequência de cinco recordes consecutivos, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta quarta-feira (15) com leve baixa de 0,46%, aos 197.737,61 pontos. A queda é atribuída a um movimento de correção e ao mesmo tempo, reflexo do avanço da inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-10), acima das projeções do mercado.
Apesar de fechar em baixa, o índice conseguiu atingir 199.232,46 pontos durante a sessão, marcando sua nova máxima intradiária.
As ações de maior peso no Ibovespa também ajudaram a limitar o desempenho: a Petrobras recuou 1,94% (ON) e 2,07% (PN), impactada pela volatilidade do petróleo no mercado internacional, enquanto a Vale registrou leve alta 0,16%. Já no setor financeiro o desempenho foi misto, com o Banco do Brasil liderando as perdas, com queda de 3,86%, enquanto o Itaú fechou em alta de 1,10%.
No ranking geral, Iguatemi (+3,10%) e Vibra (+2,80%) figuraram entre as maiores altas do dia e a Marfrig liderou as perdas, em queda de 10,38%.
No câmbio, o dólar também fechou em leve queda, cotado a R$ 4,99, marcando ao sexto recuo seguido e queda acumulada de 3,6% em abril.
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No cenário internacional, os mercados globais avançam com cautela nesta quinta-feira (16) diante das expectativas em torno das negociações entre os Estados Unidos e o Irã, mesmo diante da ausência de sinais concretos de um fim próximo do conflito.
O governo Trump voltou a classificar as conversas com o Irã como “produtivas”, ao passo em que interlocutores indicam que uma nova rodada pode ocorrer nos próximos dias, com mediação do Paquistão. Enquanto isso, ganha força a tentativa de uma prorrogação do cessar-fogo, que termina na próxima terça-feira (21), embora ainda não haja uma confirmação oficial.
Teerã teria sinalizado disposição para permitir a navegação por águas de Omã como parte de um eventual acordo, mas ainda sem garantias claras sobre a retirada de minas marítimas ou a liberação total de embarcações — inclusive aquelas ligadas a Israel. Apesar disso, os Estados Unidos mantêm o bloqueio naval e afirmam ter controle da região, embora o fluxo recente de navios sugira uma normalização parcial das operações.
Em tom de pressão, o secretário de Defesa americano afirmou nesta manhã que o Irã precisa “escolher sabiamente” um acordo com Washington, destacando que a indústria energética iraniana ainda não foi destruída, mas que o bloqueio já impacta diretamente as exportações do país.
No campo político, o discurso segue desalinhado. Donald Trump voltou a afirmar que o conflito está “muito próximo do fim”. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, adotou postura mais cautelosa, afirmando que ainda é cedo para prever um desfecho e reforçando que o país está preparado para retomar os combates.
O cenário ganhou um novo elemento de incerteza após o Líbano frustrar expectativas diplomáticas. Há pouco, a embaixada libanesa em Washington informou à administração americana que o presidente do país não participaria de uma conversa com o premiê israelense, movimento que pode ampliar a volatilidade no petróleo e afetar o humor dos mercados ao longo do dia.
No Brasil, os reflexos desse ambiente global mais instável já começam a aparecer no discurso do Banco Central (BC). Durante evento promovido pelo JPMorgan, à margem das reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional, o diretor de Política Monetária, Nilton David, reforçou a necessidade de cautela na condução da Selic.
Segundo ele, o recente corte de 0,25 ponto percentual deve ser interpretado como um movimento de “calibração”, e não como início de um ciclo de afrouxamento monetário. A sinalização é clara: mesmo com reduções, os juros devem permanecer em território restritivo para garantir a convergência da inflação à meta.
David também demonstrou preocupação com a deterioração das expectativas inflacionárias de longo prazo, especialmente para 2028, reiterando o compromisso da autoridade monetária com o centro da meta de 3%. Ao mesmo tempo, reconheceu que parte das projeções de curto prazo, como as de 2026, já escapam do alcance direto da política monetária.
No câmbio, David destacou que o real vem mostrando resiliência em meio ao estresse externo, com volatilidade inferior à de outras moedas emergentes. Ainda assim, ele ponderou que esse desempenho tem caráter mais conjuntural do que estrutural — um sinal de que a calmaria pode ser temporária diante de um cenário global ainda carregado de incertezas.
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Manchetes desta manhã
- Ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa é preso em operação da PF (Valor)
- Justiça bloqueia bens de sócios da Fictor em ação fora da recuperação judicial (Folha)
- BC decreta liquidação extrajudicial da cooperativa Creditag por ‘grave comprometimento’ econômico (Estadão)
- Crise leva a ‘onda’ de alertas em balanços (Valor)
- Fundos da Reag foram usados para viabilizar propina de R$ 146 milhões via imóveis a ex-presidente do BRB, diz Mendonça (O Globo)
Mercado global busca estabilidade com alívio das tensões no Oriente Médio
As bolsas da Europa operam em leve alta, impulsionadas pela expectativa de avanços em um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio, após o presidente Donald Trump afirmar que negociações entre Israel e Líbano podem ocorrer ainda hoje.
O mercado também acompanha os balanços corporativos. O setor de tecnologia lidera os ganhos, enquanto ações de viagens, lazer e telecomunicações recuam.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão em alta, refletindo um alívio nas tensões geopolíticas. A expectativa de avanços nas negociações entre EUA e Irã contribuiu para estabilizar o sentimento dos investidores, reduzindo temores sobre possíveis interrupções no fornecimento de energia e seus efeitos sobre a inflação.
O índice Nikkei do Japão fechou em alta de 2,38%, atingindo novo recorde e o Kospi, da Coreia do Sul, subiu mais de 2% (2,21%), perto de atingir os níveis alcançados no início deste ano.
Em Nova York, os índices futuros operam em leve alta nesta quinta-feira, dando sequência ao movimento positivo da sessão anterior, quando o S&P 500 superou pela primeira vez a marca dos 7.000 pontos, impulsionado pelo aumento das expectativas de extensão do cessar-fogo no Oriente Médio.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,04%
- FTSE 100: +0,69%
- CAC 40: +0,51%
- Nikkei 225: +2,38%
- Hang Seng: +1,72%
- Shanghai SE Comp: +0,7%
- Ouro (jun): +0,16%, a US$ 4.831,1 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,16%, aos 98,215 pontos
- Bitcoin: -0,64% a US$ 74.495,04
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Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam em alta nesta quinta-feira, ainda abaixo dos US$ 100 por barril, acompanhando as expectativas por um possível acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Há sinais de que EUA e Irã avaliam estender o cessar-fogo por duas semanas, enquanto Donald Trump afirmou que o fim da guerra está próximo e que negociações entre Israel e Líbano podem ocorrer ainda hoje.
O Brent/junho avança 0,73%, cotado a US$ 95,62 e o WTI/maio tem leve alta de 0,3%, a US$ 91,56. - Minério de ferro: fechou em forte alta de 3,10% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 114,72/ton. O movimento é impulsionado principalmente pelo crescimento econômico resiliente da China no primeiro trimestre.
Ao mesmo tempo, a alta do diesel, pressionada pelo conflito no Oriente Médio, tem elevado custos de produção e transporte, sustentando os preços do minério de ferro, segundo análise da Galaxy Futures.
Cenário internacional é de expectativa pelo fim do conflito no Oriente Médio
Nos EUA, a agenda econômica ganha tração com a divulgação da produção industrial de março, às 10h15, além dos pedidos semanais de seguro-desemprego, que reportaram 207 mil solicitações na semana até 11/04, ante 218 mil no período anterior (revisado), enquanto o consenso apontava 215 mil. Já os pedidos contínuos somaram 1,81 milhão, levemente acima dos 1,78 milhão revisados.
Autoridades do Federal Reserve (Fed) também entram no radar. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, discursa pela manhã, enquanto o diretor Stephen Miran participa de evento no fim da manhã. Investidores buscam pistas sobre os próximos passos da política monetária. No campo corporativo, os balanços de Netflix e PepsiCo concentram atenções.
No front geopolítico, a Casa Branca afirmou estar “confortável com as perspectivas de um acordo” com o Irã, após a visita de um negociador paquistanês a Teerã. Uma nova rodada de negociações, possivelmente em Islamabad, ganha força, enquanto o cessar-fogo atual se aproxima do vencimento, na próxima terça-feira.
Entre os pontos em discussão, o Irã avalia permitir navegação livre pelo lado omanita do Estreito de Ormuz, medida que vem sendo pressionada também pela China. O chanceler Wang Yi reforçou ao iraniano Hossein Amir-Abdollahian a necessidade de garantir a liberdade de navegação, tema central para o equilíbrio do mercado global de energia.
Cenário nacional
No Brasil, o Banco Central divulgou que o IBC-Br, considerado uma prévia do PI, avançou 0,6% em fevereiro, superando as estimativas e indicando atividade econômica mais aquecida no início do ano.
Na frente fiscal, o governo confirmou a meta do superávit primário de 0,5% do PIB para 2027 no PLDO, equivalente a R$ 73,2 bilhões. Ainda assim, o Fundo Monetário Internacional elevou suas projeções para a dívida bruta brasileira, estimando 96,5% do PIB em 2026, com trajetória ascendente até 106,5% em 203, acima das previsões anteriores.
Além disso, foi anunciado um aporte de R$ 20 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para reforçar o funding do programa Minha Casa Minha Vida, especialmente na faixa 3, voltada a famílias com renda de até R$ 9,6 mil.
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Destaques do mercado corporativo
- Itaú e Bradesco: confirmaram compra de carteiras do BRB, mas com impacto considerado imaterial.
- BTG Pactual: avalia ativos do BRB, sem relação com negociações envolvendo a Quadra Capital.
- Petrobras: realiza hoje sua assembleia geral ordinária (AGO), na qual será eleito o novo conselho de administração pelo mecanismo de voto múltiplo, solicitado por acionistas minoritários.
- Azul: confirmou emissão de bônus no Chapter 11 e mudança na proporção entre ADS e ações após grupamento.
- Azzas: passou a ter FMR LLC com 5,035% das ações.
- Alliança: teve rating rebaixado pela Fitch de C(bra) para RD(bra) após inadimplência.











