O petróleo reassume o protagonismo dos mercados nesta segunda-feira (20) e chegou a superar US$ 90 por barril no início da sessão após o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciar uma nova onda de ataques contra o Irã, na nona noite consecutiva de ofensivas. A ampliação dos bombardeios para infraestruturas consideradas estratégicas reacendeu os temores de interrupções no abastecimento global de petróleo e elevou a aversão ao risco nos mercados.
O movimento, no entanto, perdeu intensidade ainda no início da manhã depois que o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã continua disposto a considerar uma saída diplomática, desde que ela respeite os interesses nacionais do país.
Segundo ele, mediadores permaneceram atuando nos últimos dias, sinalizando que, apesar da retomada dos ataques militares, os canais de negociação entre os dois lados ainda não foram completamente rompidos. Os esforços diplomáticos seguem liderados por Paquistão, Catar e Omã, que tentam evitar uma escalada do conflito para toda a região.
Baghaei também confirmou uma reunião, nesta segunda-feira, entre o ministro do Interior iraniano e autoridades do Paquistão, principal intermediador entre os dois países desde o início da crise, embora tenha ressaltado que a visita trata oficialmente de temas bilaterais.
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente
Em Washington, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos receberiam “com satisfação” a retomada das negociações com Teerã, mas deixou claro que as operações militares continuarão enquanto o Irã mantiver ataques contra a navegação comercial internacional.
Enquanto conflito no Oriente Médio concentra as atenções dos investidores, no Brasil a disputa comercial com os Estados Unidos continua avançando, com a expectativa de que Washington anuncie ainda nesta semana uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de utilização de insumos produzidos com trabalho forçado. O principal ponto de incerteza é se a nova alíquota será aplicada de forma cumulativa aos 25% já anunciados anteriormente.
Enquanto aguarda uma definição, o governo mantém as negociações e acelera a estratégia de diversificação dos mercados de exportação. A ApexBrasil prepara para o início de agosto um plano de expansão das vendas externas, com orçamento de R$ 130 milhões.
Na frente diplomática, o ministro do MDIC, Marcio Elias Rosa, revelou que os Estados Unidos solicitaram a abertura integral do mercado brasileiro de produtos químicos, isenção tarifária para bens industriais, maior acesso ao setor automotivo e restrições aos investimentos em minerais críticos. Segundo o ministro, o Brasil rejeitou as propostas por considerar que elas comprometem interesses estratégicos e a soberania nacional.
Apesar do endurecimento das negociações, o governo segue descartando qualquer retaliação imediata. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a prioridade continua sendo a busca por uma solução negociada e que eventuais medidas de reciprocidade serão avaliadas apenas “na medida e no tempo corretos”.
Manchetes desta manhã
- Reforma tributária vê municípios avançando na fatia de Estados (Valor)
- Economistas diminuem previsão da inflação pela terceira semana seguida (Folha)
- Uso do FGTS para pagar dívidas atinge só 0,4% do limite disponível no Novo Desenrola (Estadão)
- Governo começa a ouvir setores afetados por tarifaço de Trump para definir tamanho da ajuda (O Globo)
Mercado global acompanha impactos do conflito entre EUA e Irã sobre o petróleo
As bolsas asiáticas encerraram a sessão desta segunda-feira sem direção única, com destaque negativo para a Coreia do Sul: o Kospi caiu 4,46%, refletindo a liquidação global das ações ligadas à inteligência artificial, já que o mercado local permaneceu fechado na sexta-feira por feriado. As ações da Samsung Electronics e da SK Hynix recuaram mais de 4% cada.
Na China, o Xangai Composto avançou 0,85%, após o banco central manter as principais taxas de juros inalteradas pelo mesmo nível desde maio do ano passado.
Na Europa, a maioria das bolsas opera em leve alta, acompanhando a desaceleração dos preços do petróleo após notícias de que o Irã recebeu propostas de mediação articuladas por Washington, o que elevou as expectativas de redução das tensões no Oriente Médio.
O mercado também aguarda a reunião do Banco Central Europeu (BCE), com expectativa de manutenção das taxas de juros, após a alta de 0,25 ponto percentual na reunião anterior.
Em Nova York, os índices futuros abriram em leve alta, após a forte pressão que marcou a semana passada. O mercado continua acompanhando de perto a escalada das tensões no Oriente Médio, em meio às preocupações com os impactos do conflito sobre os preços do petróleo, a inflação e o apetite global por risco.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,31%
- FTSE 100: -0,36%
- CAC 40: +0,22%
- Nikkei 225: feriado
- Shanghai SE Comp: +0,85%
- Hang Seng: +2,36%
- Ouro (jun): -0,04%, a US$ por 4.017,17 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,12%, aos 100,89 pontos
- Bitcoin: +0,42% a US$ 64.705,8
Commodities
- Petróleo: segue em leve alta, embora tenha reduzido parte dos ganhos após declarações do governo iraniano sobre uma possível saída diplomática para o conflito. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã está disposto a considerar propostas de mediação com base em seus interesses nacionais e confirmou que negociadores permaneceram ativos nos últimos dias.
Apesar do tom mais conciliador, reforçou que a posição do país sobre o Estreito de Ormuz não mudou e que os direitos soberanos do Irã sobre a estratégica via marítima são “inegociáveis”.
O Brent/setembro avança 0,56% para US$ 88,59, enquanto o WTI/agosto tem leve alta de 0,02%, a US$ 81,82. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,39% em Dalian, na China, cotado a US$ 111,99 a tonelada.
Cenário internacional destaca acordo comercial entre EUA, México e Canadá
Nos EUA, a agenda econômica ganha força ao longo da semana, com destaque para os PMIs preliminares de julho, na sexta-feira, indicadores que oferecem uma leitura antecipada do ritmo da atividade nos setores industrial e de serviços. Na quinta-feira, investidores acompanham os pedidos semanais de auxílio-desemprego, em busca de novos sinais sobre a resiliência do mercado de trabalho americano.
Antes disso, na quarta-feira, o Departamento de Energia (DoE) divulga os estoques semanais de petróleo e derivados. O dado ganha peso em um momento de forte volatilidade da commodity, após a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã reacender preocupações com a oferta global.
No campo comercial, o representante do USTR, Jamieson Greer, se reúne com autoridades mexicanas para dar continuidade às negociações sobre a revisão do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA).
Em meio à volatilidade do petróleo durante a escalada dos conflitos no Oriente Médio, a alta da commodity já começa a atingir o consumidor americano. O preço médio da gasolina voltou a superar US$ 4 por galão nesta segunda-feira, patamar considerado sensível para o orçamento das famílias. Os preços haviam recuado abaixo desse nível em junho, após a assinatura de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra.
O novo avanço dos combustíveis aumenta a pressão política sobre o governo e amplia o risco de desgaste para o Partido Republicano às vésperas das eleições legislativas de novembro.
Na China, o Banco Central (PBoC) manteve inalteradas as principais taxas de juros. A LPR de um ano permaneceu em 3%, enquanto a LPR de cinco anos ficou em 3,5%, níveis mantidos desde maio de 2025, em meio aos esforços para sustentar a recuperação da economia.
Cenário nacional
No Brasil, a semana marca o início das convenções partidárias para oficialização das candidaturas às eleições de outubro. O calendário começa nesta segunda-feira e segue até 5 de agosto. O PL lança Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência no próximo sábado (25), em São Paulo. No mesmo dia, o PT oficializa Fernando Haddad como candidato ao governo paulista, em evento em Campinas com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já o Republicanos deve confirmar a candidatura à reeleição de Tarcísio de Freitas em 1º de agosto.
Em Brasília, o Congresso Nacional permanece em recesso até 1º de agosto, mas a pauta para o retorno já reúne temas relevantes para o mercado, como a ampliação do teto do MEI, o projeto que tipifica a misoginia como crime, o PL dos Combustíveis e a regulamentação da inteligência artificial.
No Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF) segue em recesso até 31 de julho. O presidente da Corte, Edson Fachin, cumpre agenda oficial em Angola entre segunda e quinta-feira, enquanto Alexandre de Moraes responde interinamente pela presidência. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não há eventos previstos para a semana.
Ainda nesta segunda-feira, às 10h, o presidente sanciona o projeto que cria a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, iniciativa voltada ao fortalecimento da produção nacional de medicamentos, insumos e tecnologias, com o objetivo de reduzir a dependência externa e ampliar a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Destaques do mercado corporativo
- Vale: minoritários estudam recorrer à Justiça para barrar acordo que prevê pagamento de R$ 7,8 milhões ao ex-presidente do conselho Daniel Stieler.
- Embraer (Eve): assinou cartas de intenção para vender 46 eVTOLs, sendo 30 para a suíça Moov e 16 para a Shearwater Global Capital.
- Banco Inter: concluiu emissão de R$ 300 milhões em letras financeiras subordinadas.
- Digimais: teve a contratação de crédito consignado suspensa pelo governo paulista após a Operação Miragem da Polícia Federal.
- Raízen: recebeu prazo da B3 até 31 de março de 2027 para reenquadrar a cotação das ações ao mínimo exigido pelo regulamento.
- Casas Bahia: aprovou aumento de capital de R$ 140,6 milhões mediante conversão de debêntures em ações.
- GPA: negou à CVM informações sobre suposto favorecimento a bancos credores e conflitos de interesse envolvendo o Itaú.











