Um dia após o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevar o tom de alerta sobre a trajetória da dívida pública brasileira e projetar que ela poderá superar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) já em 2027 caso o país não promova um ajuste fiscal robusto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou o equilíbrio das contas públicas como uma “peça fundamental” para sustentar o crescimento econômico, reduzir os juros e fortalecer o país diante do cenário internacional de incertezas.
Durante o painel “Os rumos da economia brasileira”, na Expert XP 2026, Durigan reconheceu nesta sexta-feira (24) que a equipe econômica avançou em diversas frentes desde o início do governo, mas disse que ainda falta percorrer a chamada “última milha”, relacionada ao equilíbrio das contas públicas.
Segundo Durigan, essa última etapa é fundamental para reduzir o custo do crédito, fortalecer a confiança dos investidores e impedir que a população seja penalizada pelos efeitos de uma deterioração fiscal.
“Vamos seguir melhorando o fiscal, custe o que custar. O Brasil precisa ser o porto seguro de um mundo que projeta muita incerteza”, afirmou.
Entre as conquistas do governo atual, o ministro cita a redução da desigualdade social, a inflação sob controle, a geração de aproximadamente 5 milhões de empregos e o recorde das exportações brasileiras. Ainda assim, ressaltou que a consolidação fiscal permanece como a principal prioridade da equipe econômica.
“Se desigualdade, renda baixa e tarifa absurda são coisas que incomodam, o fiscal é a pedra de toque para que a gente deixe o país forte, mais robusto. E no momento em que o mundo nos promete incertezas e desafios, eu tenho, junto com o presidente Lula, compromisso em fortalecer o país, em especial as contas públicas. Para que a gente tenha juros mais baixos e fortaleça as políticas públicas que mais impactam a vida concreta das pessoas”, declarou.
Durigan antecipa notícia sobre superávit e manutenção dos programas sociais
O ministro também afirmou que o governo apresentará até 31 de agosto a proposta orçamentária de 2027 prevendo um superávit primário de 0,5% do PIB, reforçando o compromisso com a responsabilidade fiscal.
Segundo Durigan, o orçamento preservará os programas sociais, mas dentro das regras fiscais. “Esse orçamento não vai deixar de prever programa social. Não vamos aumentar programa social sem previsão orçamentária. Eu não vou tirar dinheiro do governador e não prever esse dinheiro no ano que vem”, afirmou, em referência às medidas adotadas em 2022.
FMI eleva alerta sobre dívida pública
Ontem, o FMI divulgou o relatório da consulta anual do Artigo IV, no qual projeta deterioração gradual da dívida pública brasileira caso o país não realize um ajuste fiscal mais amplo.
No cenário-base da instituição, a dívida bruta do governo geral deverá atingir 97,8% do PIB ao final de 2026, avançando para 100% do PIB em 2027. A projeção segue em trajetória ascendente, alcançando 102% do PIB em 2028, 105,3% em 2031 e estabilizando-se em torno de 106% do PIB até 2035.
Embora reconheça a resiliência da economia brasileira diante dos choques externos, o Fundo avalia que apenas um esforço fiscal mais consistente será capaz de colocar a dívida em trajetória de queda.
O FMI também apresentou um cenário alternativo considerado desejável pela instituição. Nesse caso, a dívida começaria a cair a partir de 2027, recuando de cerca de 97% do PIB para 95% em 2028 e chegando a aproximadamente 85% do PIB em 2031.
Para que esse cenário se concretize, seria necessário um ajuste fiscal equivalente a 3 pontos percentuais do PIB distribuído ao longo de cinco anos, entre 2026 e 2031. Além disso, o Fundo recomenda reduzir as rigidezes do orçamento público, fortalecer o arcabouço fiscal com uma âncora de médio prazo para a dívida e preservar os programas sociais destinados à população mais vulnerável.
Na avaliação da instituição, um ajuste insuficiente tende a elevar o prêmio de risco do Brasil, aumentar o custo de financiamento da dívida pública e reduzir os investimentos privados.











