O discurso do presidente da China, Xi Jinping, durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial 2026, realizada em Xangai, chamou a atenção de investidores e analistas ao defender uma estratégia baseada em cooperação internacional e código aberto para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA).
Em coluna publicada neste domingo (19) na Folha de S.Paulo, o CEO do Monitor do Mercado, Marcos de Vasconcellos, afirmou que o posicionamento da China pode alterar a lógica que tem sustentado parte da valorização das empresas ligadas à inteligência artificial nos mercados globais.
O tema ganhou relevância em um momento de forte correção das bolsas asiáticas. Na última sexta-feira (17), o índice Shenzhen, na China, caiu 5,25%, enquanto o Nikkei, do Japão, recuou 4,03%. Em Taiwan, o principal índice da bolsa perdeu 6,47%.
Discurso de Xi Jinping sinaliza nova estratégia da China para IA
Durante a abertura do evento, Xi Jinping afirmou que a inteligência artificial deve avançar por meio da colaboração entre países e do compartilhamento de conhecimento tecnológico.
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Segundo o presidente chinês, o mundo deve aproveitar a atual fase de desenvolvimento da IA para incentivar iniciativas de código aberto, modelo em que programas e tecnologias podem ser acessados, modificados e aprimorados por diferentes participantes.
Na avaliação de Marcos de Vasconcellos, a mensagem contrasta com a visão predominante do mercado nos últimos anos, baseada na expectativa de que poucas empresas concentrariam o controle dos modelos mais avançados, dos chips de alta performance e da infraestrutura necessária para operar sistemas de inteligência artificial.
Essa percepção de escassez ajudou a impulsionar as ações de grandes empresas de tecnologia e a elevar seus valores de mercado.
Código aberto pode reduzir barreiras de entrada
Segundo a análise publicada na Folha, a defesa do código aberto pela China pode reduzir barreiras de entrada para novos participantes no setor.
Na prática, isso pode diminuir a importância da exclusividade tecnológica que atualmente sustenta parte das avaliações das companhias ligadas à inteligência artificial.
Para Marcos de Vasconcellos, aumenta a possibilidade de que a IA siga uma trajetória semelhante à da internet, marcada pela disseminação tecnológica e pela ampliação do acesso, em vez de reproduzir um modelo baseado na concentração de capacidades em poucos grupos.
O colunista lembra que movimentos semelhantes ocorreram durante a expansão das empresas de internet no início dos anos 2000, período marcado pela chamada bolha das empresas “.com”.
Impactos podem chegar aos investidores brasileiros
Para o CEO do Monitor do Mercado, acompanhar os movimentos da economia chinesa tornou-se cada vez mais importante para investidores brasileiros.
Com cerca de 1,4 bilhão de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) próximo de US$ 18 trilhões, a China exerce influência direta sobre cadeias produtivas globais, preços de commodities e o desempenho dos mercados financeiros.
Na avaliação apresentada na coluna, a estratégia defendida por Xi Jinping não representa uma saída da disputa tecnológica global, mas uma possível mudança na forma como essa competição será conduzida nos próximos anos.











