O combustível nuclear usado da Finlândia está ganhando um destino a cerca de 430 metros de profundidade, no complexo ONKALO. A solução combina rocha, recipientes metálicos e argila bentonítica para isolar o material por escalas de tempo muito maiores que uma vida humana. A preparação avança em 2026.
Por que o combustível nuclear vai parar tão fundo no leito rochoso?
A profundidade é a primeira camada dessa estratégia. O ONKALO foi escavado em rocha cristalina para separar o material usado da superfície, criando distância física e um ambiente geológico estável para complementar as barreiras fabricadas ao redor de cada recipiente.
Os espaços de deposição ficam entre 400 e 430 metros de profundidade, enquanto partes do complexo descem um pouco mais. A ideia não depende de uma única parede: segurança de longo prazo é construída pela sobreposição entre recipiente, argila, rocha e fechamento progressivo dos túneis.

Como cobre, ferro e bentonita trabalham em camadas diferentes?
Depois da profundidade, entra o princípio das barreiras múltiplas. O combustível é colocado em um recipiente com inserto de ferro fundido, responsável pela resistência mecânica, e uma parte externa de cobre, escolhida para resistir à corrosão no ambiente subterrâneo.
Uma publicação da Agência Internacional de Energia Atômica descreve ainda a bentonita ao redor do recipiente. Essa argila incha em contato com a umidade, reduz o movimento de água e cria uma camada adicional entre metal e rocha.
O que existe dentro do complexo subterrâneo além dos recipientes?
Essas barreiras precisam de uma infraestrutura muito maior para serem instaladas. A área subterrânea reúne túnel de acesso em espiral, poços verticais, salas técnicas e galerias de deposição, formando uma rede que permite levar equipamentos e recipientes até o nível escolhido.
A estrutura pode ser resumida em quatro partes essenciais:
- Acesso principal: um túnel em espiral conecta a superfície às áreas profundas de trabalho.
- Poços verticais: atendem pessoas, recipientes e sistemas de ventilação em diferentes pontos do complexo.
- Galerias de deposição: recebem os furos onde cada recipiente será instalado verticalmente no piso.
- Áreas técnicas: concentram apoio, transporte, ventilação e equipamentos necessários à operação subterrânea.

Por que os túneis continuam sendo escavados mesmo depois de décadas de obra?
Com a infraestrutura básica pronta, a rede cresce conforme a deposição avança. A página técnica da Posiva estima cerca de 40 km de novos túneis durante a fase de operação, além dos trechos já escavados.
Em agosto de 2026, começou a perfuração do primeiro furo destinado a uma deposição definitiva real. Cada furo tem de cumprir requisitos de geometria e qualidade antes do uso, porque a posição do recipiente e o contato correto com a bentonita fazem parte do desempenho planejado.
O que acontece depois que cada recipiente é colocado no fundo?
A etapa final retoma todas as camadas anteriores. Depois da instalação, o recipiente fica cercado por bentonita compactada, enquanto galerias usadas vão sendo preenchidas e seladas. O objetivo é limitar caminhos para água e manter o material isolado no interior da formação rochosa.
O projeto foi calculado para horizontes que chegam a dezenas de milhares de anos, com avaliações ainda mais longas para o comportamento das barreiras. Por isso, a lógica do ONKALO não é guardar combustível em uma sala acessível, mas transformar metal, argila e rocha em um sistema passivo.











