Poucas cidades brasileiras conseguem carregar quase cinco séculos de história ininterrupta em ruas de pedra que quase não mudaram desde o século XVIII. Olinda, no litoral norte de Pernambuco, faz isso a 6 km do centro do Recife. A cidade foi fundada em 1535 pelo donatário português Duarte Coelho, virou a mais rica urbe do Brasil Colônia entre o século XVI e o início do XVII e é a segunda brasileira declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO, título conquistado em 14 de dezembro de 1982. O centro histórico preserva 20 igrejas barrocas, ladeiras de pedra e o traçado urbano de origem medieval que valeu a comparação com uma Lisboa pequena feita pelo cronista Pero de Magalhães Gândavo no século XVI.
Por que Olinda virou a segunda cidade brasileira Patrimônio da Humanidade pela UNESCO?
O reconhecimento saiu em 14 de dezembro de 1982, após quatro anos de trabalho da Prefeitura Municipal de Olinda em preparação da candidatura. Foi a segunda cidade brasileira a conquistar o título, atrás apenas de Ouro Preto, em Minas Gerais. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico da cidade havia sido tombado pelo próprio IPHAN em 1968, inscrito no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico com o número 189. Em 1980, o Congresso Nacional concedera a Olinda o título de Monumento Nacional, etapa que abriu caminho para a inscrição internacional.
A UNESCO reconheceu o Centro Histórico por preservar um conjunto urbano que reflete o auge da economia do açúcar no Brasil Colônia. O equilíbrio entre igrejas barrocas, conventos, jardins, casarões históricos e a vegetação tropical, distribuídos pelas colinas com vista para o mar, confere à cidade uma paisagem única. Também contribuíram para o reconhecimento a preservação do traçado urbano de origem medieval, a autenticidade das construções e a integração entre arquitetura e natureza. Quase um terço da área total do município é oficialmente tombado.

Como Duarte Coelho fundou Olinda em 1535 como Marim dos Caetés?
A história começou em 12 de março de 1535, quando o donatário português Duarte Coelho chegou à região para tomar posse da Capitania de Pernambuco, uma das primeiras capitanias hereditárias do Brasil. O local escolhido tinha nome indígena: Marim dos Caetés, referência à tribo Caeté que habitava a região antes da chegada dos colonizadores. A escolha de Duarte Coelho foi estratégica: colinas altas, vista para o mar, proximidade de rios e terra fértil para o plantio da cana-de-açúcar.
A cidade se tornou capital da capitania e principal centro urbano do Nordeste brasileiro nos dois primeiros séculos da colonização. Segundo o cronista Pero de Magalhães Gândavo, no século XVI, Olinda chegou a ser referida como uma Lisboa pequena, dada a opulência que só se comparava à da Corte portuguesa. Uma lenda registra que Duarte Coelho, ao chegar ao alto da colina e observar a paisagem, teria exclamado ó linda situação para uma vila, expressão que teria dado origem ao nome atual da cidade. Em 1631, os holandeses saquearam e incendiaram a cidade, que foi reconstruída no século XVIII com o traçado urbano preservado até hoje.

Quais outras atrações compõem o centro histórico?
Além das igrejas, o centro reúne mirantes, museus e ateliês de arte. Confira algumas opções:
- Alto da Sé: principal cartão-postal da cidade, com mirante para Recife, feira de artesanato e apresentações de frevo.
- Mercado da Ribeira: comércio tradicional com peças de artesanato, cerâmica e obras de artistas locais.
- Museu de Arte Contemporânea: acervo de arte moderna instalado em antigo casarão colonial.
- Casa dos Bonecos Gigantes: espaço que preserva a memória do Carnaval e abriga os bonecos icônicos fora da folia.
- Ateliês de artistas: dezenas de casarões coloridos abrigam oficinas abertas à visitação.
- Ladeira da Misericórdia: uma das ruas de pedra mais fotografadas do Brasil.
- Praia de Bairro Novo: faixa de areia com vista para o Recife, opção para banho fora do centro histórico.
- Casa de Cultura de Olinda: programação cultural regular com apresentações de frevo e maracatu.
O vídeo do canal Tesouros do Brasil, com 96 mil visualizações, apresenta um guia por Olinda, em Pernambuco, mostrando hospedagem, gastronomia e principais pontos do Sítio Histórico.
Como é o clima em Olinda ao longo do ano?
Olinda tem clima tropical litorâneo, com temperaturas altas e estáveis o ano inteiro. As chuvas se concentram entre maio e agosto, e a alta temporada acontece nos meses secos e no Carnaval, no período de fevereiro ou março. Confira abaixo como se comporta o clima da cidade ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas em Olinda com base no Climatempo. As condições podem variar em função de fenômenos como El Niño e La Niña, e vale consultar a previsão atualizada antes da viagem.
Como chegar a Olinda?
De Recife, o trajeto é curto e leva cerca de 15 minutos pela PE-15 e outras vias que ligam a capital ao centro histórico olindense. O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife, a 18 km do centro de Olinda, com voos diretos de todas as principais capitais brasileiras e conexões internacionais. Também é possível chegar a Olinda pelo terminal integrado do sistema de transporte metropolitano do Recife, que conecta várias regiões à cidade histórica. Muitos visitantes optam por conhecer Recife e Olinda em uma mesma viagem, aproveitando a proximidade entre os dois municípios.











