Antes de existir hotel-fazenda no Brasil, existiam fazendas de gado no Planalto Serrano de Santa Catarina que recebiam tropeiros de passagem. Na década de 1980, algumas dessas propriedades resolveram abrir as porteiras para hóspedes pagantes, e o que era rotina de campo virou um segmento inteiro de turismo. Lages foi onde isso começou.
Como as fazendas de gado inventaram um segmento de turismo no país
A cidade nasceu como estalagem. Fundada no século XVIII para servir de parada às tropas que levavam gado do Rio Grande do Sul a São Paulo, cresceu em torno de propriedades enormes, demarcadas por taipas, os muros de pedra empilhada sem argamassa que ainda cortam a paisagem da Coxilha Rica.
Conforme a Santa Catarina Turismo, essas fazendas continuam desenvolvendo as atividades primárias e agregaram o turismo como nova fonte de renda, o que faz do município uma das cidades pioneiras do turismo rural brasileiro. O modelo é diferente do resort de campo: o visitante acompanha lida de gado, cavalgada e fogo de chão dentro de uma propriedade que segue produzindo.

Por que a festa do pinhão virou o maior evento da serra
O calendário lageano gira em torno de uma semente. Segundo a Prefeitura de Lages, a Festa Nacional do Pinhão ocupa o município entre o fim de maio e o começo de junho, distribuída por três espaços da cidade, e a rede hoteleira chega à lotação máxima em determinados dias do período.
A escala do evento explica o impacto. Conforme a Prefeitura de Lages, a edição anterior levou 17 dias de programação e mais de 60 atrações locais e regionais apenas em um dos espaços. Para um município de cerca de 172 mil habitantes, o mais populoso da Serra Catarinense, é o momento em que a cidade dobra de tamanho.

Quais atrações organizam o roteiro na Princesa da Serra?
Lages fica a pouco mais de 220 km de Florianópolis pela BR-282 e funciona como base de serviços para toda a região serrana, com aeroporto próprio. Confira abaixo o que estrutura a visita:
- Hotéis-fazenda centenários: propriedades que mantêm a rotina de trabalho no campo aberta ao visitante, com cavalgadas, ordenha e refeições campeiras.
- Coxilha Rica: região de campos abertos cortada por taipas de pedra, um dos cenários mais característicos do sul do país.
- Mercado Público Municipal: ponto de encontro no centro, com produtos coloniais, queijos, salames e artesanato da serra.
- Parque Ambiental do rio Caveiras: área de mata nativa e araucárias com trilhas e mirantes sobre o rio.
- Museu Thiago de Castro: acervo sobre o ciclo tropeiro e a formação do planalto, instalado em prédio histórico do centro.
- Cozinha campeira: paçoca de pinhão, sapecada de pinhão na brasa e rosca de coalhada aparecem nos cafés coloniais das fazendas.
- Sincelo e geada: no inverno, a chuva congelada que cobre galhos e fios vira atração por si só, com pontos altos da região virando mirante.
Este vídeo do canal Diogo Elzinga, com mais de 77 mil visualizações, apresenta um panorama sobre Lages, no estado de Santa Catarina.
Como é o clima em Lages ao longo do ano?
A altitude de quase 920 metros coloca o município entre os pontos mais frios do Brasil, com quatro estações bem marcadas e chuva distribuída em todos os meses. Veja abaixo como o ano se comporta na cidade:
Médias aproximadas com base na climatologia do Climatempo. As condições variam bastante de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, e a ocorrência de neve nunca é garantida, então vale checar a previsão antes de subir a serra.
Onde o frio virou modelo de negócio
Lages reúne uma combinação que nenhuma outra cidade brasileira consegue apresentar do mesmo jeito: a origem de um segmento inteiro de turismo, campos abertos demarcados por muros de pedra construídos há mais de um século, uma festa que para o município por semanas e um inverno em que a paisagem realmente muda de cor.











